{"id":13002,"date":"2025-07-28T05:58:44","date_gmt":"2025-07-28T08:58:44","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/07\/28\/riscos-de-fragmentacao-do-esg\/"},"modified":"2025-07-28T05:58:44","modified_gmt":"2025-07-28T08:58:44","slug":"riscos-de-fragmentacao-do-esg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/07\/28\/riscos-de-fragmentacao-do-esg\/","title":{"rendered":"Riscos de fragmenta\u00e7\u00e3o do ESG"},"content":{"rendered":"<p><span>O cen\u00e1rio de sustentabilidade e responsabilidade corporativa vem se alterando nas \u00faltimas d\u00e9cadas e atualmente o <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/esg\">ESG<\/a> (boas pr\u00e1ticas ambientais sociais e de governan\u00e7a), considerado um ativo estrat\u00e9gico, enfrenta um risco de fragmenta\u00e7\u00e3o na sua aplica\u00e7\u00e3o, com impactos globais para as corpora\u00e7\u00f5es e stakeholders (partes interessadas) por in\u00fameros fatores.<\/span><\/p>\n<p><span>Dentro dos riscos de fragmenta\u00e7\u00e3o do ESG est\u00e3o a diversidade regulat\u00f3ria expressa em in\u00fameros frameworks que se tornam juridicamente vinculativos; dificuldades de ado\u00e7\u00e3o de \u00edndices globais que permitam comparabilidade; influ\u00eancias contradit\u00f3rias geradas pela geopol\u00edtica e interesses divergentes entre os stakeholders, que podem entrar em conflito com as prioridades e metas ESG das companhias.<\/span><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/h3>\n<p><span>Somado a tudo isso, ainda h\u00e1 uma assimetria relativa \u00e0 conformidade no cen\u00e1rio internacional, pois, enquanto a Uni\u00e3o Europeia tem atuado para adensar sua taxonomia verde de forma pioneira com impactos concretos sobre os neg\u00f3cios mundiais, nos Estados Unidos, a regula\u00e7\u00e3o vem perdendo o t\u00f4nus e seguindo caminhos diversos dentro de um mercado vol\u00e1til.<\/span><\/p>\n<p><span>De acordo com a Pesquisa Global de Investidores 2025[1], mais de 60% dos entrevistados (investidores corporativos) comentam a exist\u00eancia de diverg\u00eancia entre o ESG e um poss\u00edvel risco material de governan\u00e7a, exigindo que os conselhos de administra\u00e7\u00e3o superem essa linha de fragmenta\u00e7\u00e3o, que pode ser gerada por quest\u00f5es regulat\u00f3rias e pela possibilidade de abertura de lit\u00edgios demandados por diferentes atores, sejam comunidades, governos, investidores, etc.<\/span><\/p>\n<p><span>Diante de estruturas regulat\u00f3rias em reinterpreta\u00e7\u00e3o, os tr\u00eas eixos do ESG abrem a perspectiva de serem revistados. A incorpora\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas ambientais, de justi\u00e7a social e de governan\u00e7a \u00e9tica nos neg\u00f3cios e requisitos de conformidade fazem parte da transforma\u00e7\u00e3o das companhias. Mexem com as culturas organizacionais no que tange aos investidores, profissionais e demais p\u00fablicos, at\u00e9 porque atravessamos um ciclo onde h\u00e1 poucas compet\u00eancias fixas.<\/span><\/p>\n<p><span>Em uma poss\u00edvel revis\u00e3o do eixo ambiental, \u00e9 poss\u00edvel detectar que a simples ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 suficiente. As empresas precisam ir al\u00e9m da compensa\u00e7\u00e3o de carbono, economia de \u00e1gua e energia e da gest\u00e3o de res\u00edduos, adotando modelos regenerativos, inova\u00e7\u00e3o em economia circular e compromisso real com a mitiga\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. A press\u00e3o por resultados ambientais mensur\u00e1veis cresce, exigindo a\u00e7\u00f5es mais ousadas e transformadoras.<\/span><\/p>\n<p><span>No campo social, diversidade, equidade e inclus\u00e3o n\u00e3o podem mais ser tratados como iniciativas isoladas ou simb\u00f3licas. Torna-se necess\u00e1rio incorporar esses valores na cultura organizacional, nas pol\u00edticas internas com os colaboradores, nas rela\u00e7\u00f5es com as comunidades e demais stakeholders. O papel das empresas como agentes de mudan\u00e7a social nunca foi t\u00e3o evidente e relevante.<\/span><\/p>\n<p><span>Igualmente, a governan\u00e7a precisa ser revisitada com um olhar mais cr\u00edtico. Exige n\u00e3o apenas conformidade com normas, mas tamb\u00e9m uma postura proativa e flu\u00edda na gest\u00e3o de riscos, na transpar\u00eancia de processos e na responsabilidade perante a sociedade. A confian\u00e7a do p\u00fablico est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 forma como as empresas tomam decis\u00f5es e prestam contas.<\/span><\/p>\n<p><span>Na cena global, a conformidade na esfera da <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/Uniao-Europeia\">Uni\u00e3o Europeia<\/a>, com vig\u00eancia da Diretiva de Relat\u00f3rio de Sustentabilidade Corporativa (CSRD) \u2013 que vem tendo influ\u00eancia regulat\u00f3ria sobre grande n\u00famero de pa\u00edses \u2013 exige integra\u00e7\u00e3o real dos princ\u00edpios ESG na cultura organizacional. Isso significa repensar processos, treinar lideran\u00e7as, envolver stakeholders e adotar uma postura proativa na gest\u00e3o de riscos e oportunidades ligados \u00e0 sustentabilidade. <\/span><\/p>\n<p><span>Contudo, diante das atuais tens\u00f5es geopol\u00edticas, a UE lan\u00e7ou o Pacote Omnibus para simplificar as regras de sustentabilidade do bloco. As exig\u00eancias regulat\u00f3rias receberam uma esp\u00e9cie de freio de arruma\u00e7\u00e3o e s\u00f3 atingir\u00e3o, por exemplo, empresas com mil empregados (antes eram partir de 250) e neg\u00f3cios superior a \u20ac 50 milh\u00f5es, com vig\u00eancia ampliada para 2028.<\/span><\/p>\n<p><span>O freio vem sendo mais intenso nos Estados Unidos, onde a r\u00e9gua de desempenho ESG vem sendo puxada para baixo, contribuindo para aumentar o risco de fragmenta\u00e7\u00e3o a partir de legisla\u00e7\u00f5es divergentes em cada Estado, exigindo uma sensibilidade corporativa para gerir tantas mudan\u00e7as.\u00a0 Esse movimento cria um cen\u00e1rio desigual, onde o avan\u00e7o do ESG se expressa de formas diferentes para os players do mercado.<\/span><\/p>\n<p><span>A \u00c1sia, pelo contr\u00e1rio, adota uma vis\u00e3o mais pragm\u00e1tica do ESG, tendo a China na vanguarda do compromisso de divulga\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es de sustentabilidade corporativa, com destaque tamb\u00e9m para outros pa\u00edses, como Singapura, que criou o Projeto Greenprint, lan\u00e7ado pela autoridade monet\u00e1ria do pa\u00eds e que atua para atrair investimentos focados em sustentabilidade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Esse modelo de Singapura introduziu o relat\u00f3rio de sustentabilidade obrigat\u00f3rio e contrasta com abordagens menos ideol\u00f3gicas ou polarizadas que as observadas no Ocidente. Em vez de tratar o ESG como um fim em si mesmo, a estrat\u00e9gia \u00e9 trat\u00e1-lo como um meio para impulsionar inova\u00e7\u00e3o, competitividade e inclus\u00e3o econ\u00f4mica. <\/span><\/p>\n<p><span>Os bons resultados do Greenprint mostram que \u00e9 poss\u00edvel combinar tecnologia, pol\u00edticas p\u00fablicas e pragmatismo para tornar o ESG mais acess\u00edvel, mensur\u00e1vel e eficaz. \u00c0 medida que outras economias buscam caminhos para integrar sustentabilidade aos seus modelos de neg\u00f3cios, a experi\u00eancia de Singapura pode servir como um modelo replic\u00e1vel.[2]<\/span><\/p>\n<p><span>O Jap\u00e3o, por sua vez, tem se comprometido com metas ambiciosas de neutralidade de carbono at\u00e9 2050, mas enfrenta cr\u00edticas pela lentid\u00e3o para atingir a transi\u00e7\u00e3o para energia limpa e pela depend\u00eancia cont\u00ednua de combust\u00edveis f\u00f3sseis. H\u00e1 uma lacuna entre o reporte e a a\u00e7\u00e3o concreta quando o assunto \u00e9 ESG no Jap\u00e3o, onde relat\u00f3rios est\u00e3o previstos para entrar em vigor a partir desse ano, seguindo padr\u00f5es internacionais do IFRS S1 e S2, normas de divulga\u00e7\u00e3o de sustentabilidade emitidas pelo International Sustainability Standards Board (ISSB), a exemplo do adotado pelo Brasil.<\/span><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-jota-principal-lancamento\">Informa\u00e7\u00f5es direto ao ponto sobre o que realmente importa: assine gratuitamente a <span class=\"jota\">JOTA<\/span> Principal, a nova newsletter do <span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/a><\/h3>\n<p><span>Al\u00e9m disso, o Jap\u00e3o ainda luta para integrar de forma efetiva os pilares sociais e de governan\u00e7a. Quest\u00f5es como diversidade de g\u00eanero nas lideran\u00e7as corporativas, transpar\u00eancia em conselhos administrativos e prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos permanecem como desafios estruturais.[3]<\/span><\/p>\n<p><span>J\u00e1 a Coreia do Sul, que se inspirou na regula\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia para moldar suas normas ESG, ainda enfrenta desafios na formula\u00e7\u00e3o da regulamenta\u00e7\u00e3o diante do debate com diferentes atores do mercado que adotam postura divergentes, influenciadas por interesses econ\u00f4micos, pol\u00edticos, reputacionais e dificuldades de intera\u00e7\u00e3o entre os tr\u00eas pilares. <\/span><\/p>\n<p><span>A Coreia adiou a obrigatoriedade de apresenta\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rios ESG pelas empresas para depois de 2026, mas j\u00e1 implantou as diretrizes K-ESG, a Taxonomia Verde Coreana, regula\u00e7\u00f5es contra o <em>greenwashing<\/em> e t\u00edtulos verdes. Construiu sua conformidade estruturada em divulga\u00e7\u00f5es de governan\u00e7a, relat\u00f3rios ambientais e transpar\u00eancia de riscos clim\u00e1ticos, tendo como \u00f3rg\u00e3o autorregulador o ESG Evaluation Agency Council.[4]<\/span><\/p>\n<p><span>Diante do atual cen\u00e1rio do ESG, cabe a li\u00e7\u00e3o de um dos maiores e mais premiados animadores do cinema internacional, Hayao Miyazaki: \u201cA cria\u00e7\u00e3o de um mundo \u00fanico vem de um grande n\u00famero de fragmentos e caos\u201d. <\/span><\/p>\n<p><span>Este pode ser o caminho a ser trilhado pelo ESG em todo o mundo, ao demonstrar que a fragmenta\u00e7\u00e3o da conformidade em diferentes pa\u00edses pode apontar um caminho comum, ao aproximar diferentes taxonomias e estruturas divergentes de reportes; abrir possibilidades de cocria\u00e7\u00f5es; de cadeias de valor compromissadas com a sustentabilidade; redu\u00e7\u00e3o da volatilidade das expectativas de stakeholders e amplia\u00e7\u00e3o da possibilidade de requisitos ESG mais pr\u00f3ximos de um padr\u00e3o universal.<\/span><\/p>\n<p><span>[1] https:\/\/refinevalue.com<\/span><\/p>\n<p><span>[2] https:\/\/www.sgx.com\/sustainable-finance\/sustainability-reporting<\/span><\/p>\n<p><span>[3] https:\/\/tarongagroup.com\/news-articles\/esg-disclosure-is-driving-impact-in-japan<\/span><\/p>\n<p><span>[4] <\/span><span>https:\/\/iclg.com\/practice-areas\/environmental-social-and-governance-law\/korea<\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cen\u00e1rio de sustentabilidade e responsabilidade corporativa vem se alterando nas \u00faltimas d\u00e9cadas e atualmente o ESG (boas pr\u00e1ticas ambientais sociais e de governan\u00e7a), considerado um ativo estrat\u00e9gico, enfrenta um risco de fragmenta\u00e7\u00e3o na sua aplica\u00e7\u00e3o, com impactos globais para as corpora\u00e7\u00f5es e stakeholders (partes interessadas) por in\u00fameros fatores. 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