{"id":12997,"date":"2025-07-28T05:58:44","date_gmt":"2025-07-28T08:58:44","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/07\/28\/violencia-domestica-e-omissao-estatal-o-processo-estrutural-pode-romper-o-ciclo\/"},"modified":"2025-07-28T05:58:44","modified_gmt":"2025-07-28T08:58:44","slug":"violencia-domestica-e-omissao-estatal-o-processo-estrutural-pode-romper-o-ciclo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/07\/28\/violencia-domestica-e-omissao-estatal-o-processo-estrutural-pode-romper-o-ciclo\/","title":{"rendered":"Viol\u00eancia dom\u00e9stica e omiss\u00e3o estatal: o processo estrutural pode romper o ciclo?"},"content":{"rendered":"<p><span>No Brasil, a condi\u00e7\u00e3o de ser mulher ainda representa um fator de risco. Quase <\/span><span>vinte anos ap\u00f3s a promulga\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/lei-maria-da-penha\">Lei Maria da Penha<\/a> \u2013 considerada uma das tr\u00eas <\/span><span>legisla\u00e7\u00f5es mais avan\u00e7adas do mundo pelo relat\u00f3rio global do Unifem (atualmente ONU Mulheres) \u2013, <\/span><span>o <\/span><span>pa\u00eds continua a registrar \u00edndices alarmantes de feminic\u00eddios, agress\u00f5es psicol\u00f3gicas, amea\u00e7as <\/span><span>e <\/span><span>outras formas de viol\u00eancia de g\u00eanero.<\/span><\/p>\n<p><span>A despeito dos avan\u00e7os normativos<\/span><span>, <\/span><span>da mobiliza\u00e7\u00e3o social e da maior visibilidade do tema<\/span><span>, <\/span><span>a realidade concreta das <\/span><span>v\u00edtimas segue marcada pela omiss\u00e3o estatal<\/span><span>, <\/span><span>pela desprote\u00e7\u00e3o e pela impunidade.<\/span><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-jota-principal-lancamento\">Informa\u00e7\u00f5es direto ao ponto sobre o que realmente importa: assine gratuitamente a <span class=\"jota\">JOTA<\/span> Principal, a nova newsletter do <span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/a><\/h3>\n<p><span>Foi proposta no Supremo Tribunal Federal (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/stf\">STF<\/a>)<\/span><span>, <\/span><span>neste m\u00eas<\/span><span>, <\/span><span>a <\/span><span>Argui\u00e7\u00e3o de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1242<\/span><span>, <\/span><span>que pode inaugurar uma nova etapa no enfrentamento da viol\u00eancia dom\u00e9stica. A a\u00e7\u00e3o n\u00e3o busca apenas a declara\u00e7\u00e3o <\/span><span>pontual de inconstitucionalidade, mas prop\u00f5e o<\/span><span>\u00a0<\/span><span>reconhecimento <\/span><span>de <\/span><span>uma <\/span><span>inconstitucionalidade estrutural, em que a viol\u00eancia dom\u00e9stica contra a mulher revela falhas persistentes, complexas e interdependentes nos Poderes Executivo, Legislativo e Judici\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p><span>A <\/span><span>viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra as mulheres <\/span><span>\u00e9<\/span><span>, talvez, uma das mais <\/span><span>agudas express\u00f5es de um problema estrutural no Brasil<\/span><span>. <\/span><span>Sua gravidade e persist\u00eancia n\u00e3o decorrem apenas da aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas, mas da insufici\u00eancia de respostas. A supera\u00e7\u00e3o desse cen\u00e1rio demanda um processo estruturado, com atua\u00e7\u00e3o coordenada dos entes federativos, baseado em metas verific\u00e1veis e supervis\u00e3o cont\u00ednua.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Os dados s\u00e3o alarmantes e reiterados: feminic\u00eddios, agress\u00f5es f\u00edsicas, abusos psicol\u00f3gicos e amea\u00e7as fazem parte da realidade de milh\u00f5es de brasileiras, e isso n\u00e3o <\/span><span>\u00e9 <\/span><span>fruto do <\/span><span>acaso<\/span><span>. \u00c9 resultado de <\/span><span>uma <\/span><span>cultura patriarcal enraizada, <\/span><span>da omiss\u00e3o <\/span><span>hist\u00f3rica do <\/span><span>Estado <\/span><span>e <\/span><span>da fal\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas e integradas. N\u00e3o se trata apenas de <\/span><span>punir um agressor espec\u00edfico. <\/span><span>\u00c9 <\/span><span>preciso enfrentar <\/span><span>um <\/span><span>sistema inteiro que falha, <\/span><span>sistematicamente<\/span><span>, <\/span><span>em proteger mulheres.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>A peti\u00e7\u00e3o inicial da ADPF escancara o abismo entre norma e realidade. Embora <\/span><span>o <\/span><span>Brasil tenha um dos marcos legislativos mais avan\u00e7ados do mundo no combate \u00e0 <\/span><span>viol\u00eancia de g\u00eanero, a aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas, integradas e sustent\u00e1veis resulta em n\u00fameros que envergonhariam qualquer democracia constitucional. <\/span><\/p>\n<p><span>Estima-se que 61% das mulheres que sofreram viol\u00eancia dom\u00e9stica em 2023 n\u00e3o procuraram o Poder P\u00fablico. <\/span><span>O <\/span><span>sil\u00eancio, muitas vezes, \u00e9 for\u00e7ado por medo, culpa, vergonha, depend\u00eancia <\/span><span>financeira, descren\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es e falta de acesso a servi\u00e7os p\u00fablicos de acolhimento <\/span><span>e <\/span><span>prote\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>A subnotifica\u00e7\u00e3o \u00e9 um dado central do problema: o que se registra j\u00e1 \u00e9 grave, mas <\/span><span>o <\/span><span>que permanece invis\u00edvel \u00e9 ainda mais assustador. E mesmo entre os casos que chegam ao sistema de justi\u00e7a<\/span><span>, <\/span><span>a resposta \u00e9 frequentemente lenta<\/span><span>, <\/span><span>burocr\u00e1tica e insuficiente. Em 2022, havia mais de 1 milh\u00e3o de processos ativos relacionados \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica\u00a0<\/span><span>nos tribunais brasileiros. O tempo m\u00e9dio de tramita\u00e7\u00e3o ainda ultrapassa dois anos. Em S\u00e3o Paulo<\/span><span>, <\/span><span>por exemplo<\/span><span>, <\/span><span>uma a\u00e7\u00e3o pode levar mais de cinco anos at\u00e9 o desfecho.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>A inefici\u00eancia do sistema \u00e9 agravada pela desarticula\u00e7\u00e3o entre os servi\u00e7os de <\/span><span>seguran\u00e7a p\u00fablica<\/span><span>, <\/span><span>justi\u00e7a e assist\u00eancia social, somada \u00e0 falta de investimentos constantes <\/span><span>e <\/span><span>estrat\u00e9gicos. O 9\u00ba Diagn\u00f3stico Nacional das Delegacias Especializadas no Atendimento \u00e0 Mulher revelou a desativa\u00e7\u00e3o de 21 unidades entre 2022 e 2023, apontando-se o Rio <\/span><span>Grande do Sul, o Piau\u00ed <\/span><span>e o <\/span><span>Maranh\u00e3o, com o maior n\u00famero de desativa\u00e7\u00f5es. <\/span><\/p>\n<p><span>Em v\u00e1rios e<\/span><span>stados, n\u00e3o h\u00e1 plant\u00e3o 24h em delegacias especializadas. H\u00e1 inexist\u00eancia <\/span><span>de <\/span><span>casas abrigo, apenas 2,4% munic\u00edpios brasileiros t\u00eam pelo menos uma casa abrigo, evidenciando o abandono institucional das mulheres em situa\u00e7\u00e3o de risco.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Na ADPF 1242, o STF, em decis\u00e3o proferida pelo ministro <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/dias-toffoli\">Dias Toffoli<\/a>, relator do caso, em 11 de julho de 2025, afirmou que \u201ca presente argui\u00e7\u00e3o de descumprimento de preceito fundamental ostenta faceta eminentemente estrutural<\/span><span>, <\/span><span>cujo <\/span><span>objeto perpassa <\/span><span>a <\/span><span>atua\u00e7\u00e3o dos Poderes Executivo, Legislativo <\/span><span>e <\/span><span>Judici\u00e1rio\u201d. <\/span><\/p>\n<p><span>O <\/span><span>reconhecimento da dimens\u00e3o estrutural das omiss\u00f5es estatais evidencia que n\u00e3o se trata <\/span><span>de falhas pontuais<\/span><span>, <\/span><span>mas <\/span><span>de <\/span><span>uma disfun\u00e7\u00e3o sist\u00eamica<\/span><span>, <\/span><span>cuja supera\u00e7\u00e3o exige atua\u00e7\u00e3o <\/span><span>coordenada.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>No entanto<\/span><span>, <\/span><span>o <\/span><span>verdadeiro desafio est\u00e1 na etapa seguinte<\/span><span>: <\/span><span>transformar em medidas concretas que efetivamente alterem a realidade violadora de direitos. Dizer \u00e9 mais <\/span><span>f\u00e1cil <\/span><span>do <\/span><span>que fazer. A implementa\u00e7\u00e3o <\/span><span>de <\/span><span>decis\u00f5es estruturais exige planejamento, coordena\u00e7\u00e3o entre \u00f3rg\u00e3os diversos, recursos materiais <\/span><span>e <\/span><span>humanos, al\u00e9m de enfrentar <\/span><span>resist\u00eancias pol\u00edticas, burocr\u00e1ticas e culturais.<\/span><\/p>\n<p><span>Ou seja, n\u00e3o basta <\/span><span>o <\/span><span>reconhecimento simb\u00f3lico. O que <\/span><span>se <\/span><span>espera <\/span><span>\u00e9 <\/span><span>uma atua\u00e7\u00e3o transformadora, que v\u00e1 al\u00e9m da enuncia\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios e assuma, com for\u00e7a <\/span><span>institucional, o controle de um processo estrutural complexo e desafiador. N\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00f5es <\/span><span>f\u00e1ceis, mas <\/span><span>o <\/span><span>que se espera: garantir que os direitos das mulheres deixem <\/span><span>de <\/span><span>ser <\/span><span>negligenciados pelo pr\u00f3prio Estado que deveria proteg\u00ea-los.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Como explicam Matheus Casimiro <\/span><span>e <\/span><span>Patricia Perrone[1], <\/span><span>o <\/span><span>controle de <\/span><span>constitucionalidade no Brasil, que, por muito tempo, foi centrado na atua\u00e7\u00e3o negativa do Judici\u00e1rio<\/span><span>, <\/span><span>como mero revisor de normas contr\u00e1rias <\/span><span>\u00e0 <\/span><span>Constitui\u00e7\u00e3o<\/span><span>, <\/span><span>passou por uma transforma\u00e7\u00e3o significativa a partir do momento em que se admitiu a possibilidade de questionar realidades inconstitucionais. <\/span><\/p>\n<p><span>Inaugurou-se uma nova dimens\u00e3o do controle <\/span><span>constitucional<\/span><span>: <\/span><span>um modelo de jurisdi\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se contenta em declarar normas inv\u00e1lidas, mas que interv\u00e9m estruturalmente na reorganiza\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, como ocorreu nos <\/span><span>EUA com <\/span><span>o <\/span><span>caso <\/span><span>Brown v<\/span><span>. <\/span><span>Board of Educatio<\/span><span>n<\/span><em><span>.\u00a0<\/span><\/em><\/p>\n<p><span>A condu\u00e7\u00e3o <\/span><span>de <\/span><span>um processo estrutural exige mais do que a declara\u00e7\u00e3o da <\/span><span>inconstitucionalidade <\/span><span>de <\/span><span>determinada omiss\u00e3o estatal: pressup\u00f5e<\/span><span>\u00a0<\/span><span>a <\/span><span>articula\u00e7\u00e3o interinstitucional e a disposi\u00e7\u00e3o concreta dos entes federativos para formular, executar e monitorar pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes<\/span><span>, <\/span><span>inclusive do pr\u00f3prio Poder Judici\u00e1rio. A pr\u00f3pria l\u00f3gica\u00a0<\/span><span>dos processos estruturais reconhece a complexidade da implementa\u00e7\u00e3o, admitindo fases sucessivas, revis\u00f5es peri\u00f3dicas e at\u00e9 momentos de inexecu\u00e7\u00e3o parcial.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Apesar da aus\u00eancia de legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica que regulamente <\/span><span>o <\/span><span>processo <\/span><span>estrutural no ordenamento jur\u00eddico brasileiro<\/span><span>, <\/span><span>sua aplica\u00e7\u00e3o j\u00e1 vem sendo reconhecida na pr\u00e1tica jurisdicional, como no caso das queimadas na Amaz\u00f4nia<\/span><span>, <\/span><span>no qual se discute obriga\u00e7\u00f5es estruturais do Estado para prote\u00e7\u00e3o ambiental (ADPF 743, <\/span><span>746 e <\/span><span>857). <\/span><span>A <\/span><span>despeito disso, muito j\u00e1 se questionou da legitimidade e os limites da ado\u00e7\u00e3o desse modelo <\/span><span>decis\u00f3rio sem devido respaldo normativo.<\/span><\/p>\n<p><span>Sobre a quest\u00e3o, tramita no Senado o <a href=\"https:\/\/www25.senado.leg.br\/web\/atividade\/materias\/-\/materia\/166997\">PL 3\/2025<\/a>, que <\/span><span>busca estabelecer par\u00e2metros normativos para esse tipo de a\u00e7\u00e3o judicial. O texto prop\u00f5e <\/span><span>que o plano de atua\u00e7\u00e3o estrutural deve elementos essenciais como: diagn\u00f3stico do lit\u00edgio; metas espec\u00edficas e mensur\u00e1veis; indicadores qualitativos e quantitativos de verifica\u00e7\u00e3o do <\/span><span>cumprimento das metas<\/span><span>; <\/span><span>cronograma de implementa\u00e7\u00e3o das medidas<\/span><span>; <\/span><span>crit\u00e9rios objetivos para <\/span><span>o <\/span><span>encerramento da demanda; defini\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis pela execu\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es; <\/span><span>metodologia <\/span><span>e <\/span><span>periodicidade para supervis\u00e3o <\/span><span>e <\/span><span>eventual revis\u00e3o das medidas; bem como <\/span><span>a <\/span><span>previs\u00e3o sobre a utiliza\u00e7\u00e3o de recursos or\u00e7ament\u00e1rios e sua aloca\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>A ADPF <\/span><span>1242 <\/span><span>encontra-se em fase inicial de tramita\u00e7\u00e3o, estando em curso <\/span><span>o <\/span><span>prazo de dez dias concedido \u00e0 Uni\u00e3o e aos estados-membros para que prestem informa\u00e7\u00f5es <\/span><span>sobre as medidas adotadas no enfrentamento da viol\u00eancia dom\u00e9stica. <\/span><\/p>\n<p><span>Foi determinado <\/span><span>tamb\u00e9m informa\u00e7\u00f5es adicionais <\/span><span>\u00e0 <\/span><span>C\u00e2mara dos Deputados, ao Senado Federal, <\/span><span>\u00e0 <\/span><span>Presid\u00eancia da Rep\u00fablica<\/span><span>; <\/span><span>ao Minist\u00e9rio das Mulheres<\/span><span>; <\/span><span>ao Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos e <\/span><span>da Cidadania; ao Minist\u00e9rio da Igualdade Racial; ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e da Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/span><span>; <\/span><span>ao Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ<\/span><span>)<\/span><span>; <\/span><span>e \u00e0 Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o (DPU).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Os entes p\u00fablicos, por meio da advocacia p\u00fablica, ao longo desse processo, precisam romper com a l\u00f3gica adversarial do <\/span><span>\u201c<\/span><span>vencedor<\/span><span>\u2013<\/span><span>perdedor<\/span><span>\u201c[<\/span><span>2] e reconhecerem as <\/span><span>insufici\u00eancias do Estado, de modo a se engajar<\/span><span>, <\/span><span>de forma propositiva, na constru\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es que efetivamente protejam os direitos das mulheres. Mudan\u00e7as significativas na <\/span><span>sociedade exigem responsabilidade institucional <\/span><span>e <\/span><span>disposi\u00e7\u00e3o para enfrentar verdades <\/span><span>inc\u00f4modas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>A <\/span><span>omiss\u00e3o do Estado n\u00e3o <\/span><span>\u00e9 <\/span><span>neutra. Ela mata. Ela silencia. Ela perpetua desigualdades <\/span><span>de <\/span><span>g\u00eanero que j\u00e1 deveriam ter sido superadas. A viol\u00eancia dom\u00e9stica no <\/span><span>Brasil <\/span><span>\u00e9 <\/span><span>uma quest\u00e3o <\/span><span>de <\/span><span>seguran\u00e7a p\u00fablica, de justi\u00e7a, de dignidade humana: <\/span><span>\u00e9 <\/span><span>uma <\/span><span>quest\u00e3o constitucional.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Mas o que se questiona \u00e9<\/span><span>: <\/span><span>o STF conseguir\u00e1<\/span><span>, <\/span><span>de fato<\/span><span>, <\/span><span>transformar a realidade do problema da viol\u00eancia dom\u00e9stica<\/span><span>?\u00a0<\/span><\/p>\n<p>[1] CASIMIRO, Matheus; PERRONE, Patricia. Transforma\u00e7\u00f5es do controle de constitucionalidade no Brasil: legitimidade, objeto e efeitos. Revista de Processo, S\u00e3o Paulo, v. 359, p. 445\u2013470, jan. 2025.<\/p>\n<p>[2] ARENHART, S\u00e9rgio Cruz. Decis\u00f5es estruturais no direito processual civil brasileiro. Revista de Processo, S\u00e3o Paulo, v. 225, p. 389-408, nov. 2013.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil, a condi\u00e7\u00e3o de ser mulher ainda representa um fator de risco. Quase vinte anos ap\u00f3s a promulga\u00e7\u00e3o da Lei Maria da Penha \u2013 considerada uma das tr\u00eas legisla\u00e7\u00f5es mais avan\u00e7adas do mundo pelo relat\u00f3rio global do Unifem (atualmente ONU Mulheres) \u2013, o pa\u00eds continua a registrar \u00edndices alarmantes de feminic\u00eddios, agress\u00f5es psicol\u00f3gicas, amea\u00e7as [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12997"}],"collection":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12997"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12997\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12997"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12997"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12997"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}