{"id":12933,"date":"2025-07-24T11:03:51","date_gmt":"2025-07-24T14:03:51","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/07\/24\/atbc-2025-ciencia-viva-e-conectada\/"},"modified":"2025-07-24T11:03:51","modified_gmt":"2025-07-24T14:03:51","slug":"atbc-2025-ciencia-viva-e-conectada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/07\/24\/atbc-2025-ciencia-viva-e-conectada\/","title":{"rendered":"ATBC 2025: ci\u00eancia viva e conectada"},"content":{"rendered":"<p><span>Maior evento mundial da \u00e1rea, a 61\u00aa Reuni\u00e3o Anual da Associa\u00e7\u00e3o para Biologia Tropical e Conserva\u00e7\u00e3o (ATBC, na sigla em ingl\u00eas), em Oaxaca, no M\u00e9xico, contou com a participa\u00e7\u00e3o do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia (IPAM).<\/span><\/p>\n<p><span>O evento cient\u00edfico reuniu cerca de 400 pesquisadores do mundo todo para discutir a conserva\u00e7\u00e3o dos ecossistemas tropicais. Com o tema Biologia Tropical e Conserva\u00e7\u00e3o para um Mundo Sustent\u00e1vel, as plen\u00e1rias abrangeram diversas disciplinas e temas da biologia tropical, desde ecologia de plantas e intera\u00e7\u00e3o solo-vegeta\u00e7\u00e3o at\u00e9 governan\u00e7a ambiental e conserva\u00e7\u00e3o participativa.\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-jota-principal-lancamento\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Informa\u00e7\u00f5es direto ao ponto sobre o que realmente importa: assine gratuitamente a <span class=\"jota\">JOTA<\/span> Principal, a nova newsletter do <span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/a><\/h3>\n<p><span>A delega\u00e7\u00e3o do IPAM tinha dez pesquisadores que trouxeram n\u00e3o apenas os resultados mais recentes de pesquisas acad\u00eamicas, mas tamb\u00e9m a experi\u00eancia pr\u00e1tica na aplica\u00e7\u00e3o desses conhecimentos em campo, demonstrando como evid\u00eancias cient\u00edficas podem e devem ser utilizadas e comunicadas no \u00e2mbito pol\u00edtico e governamental.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Durante o evento, ocorrido entre os dias 29 de junho e 4 de julho,\u00a0estudiosos do mundo todo destacaram os desafios crescentes enfrentados pelas florestas tropicais diante do avan\u00e7o do desmatamento, da degrada\u00e7\u00e3o e das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. <\/span><span>Combinando avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, dados de campo, modelagem e conhecimento tradicional, foram apresentadas solu\u00e7\u00f5es integradas para compreender a vulnerabilidade desses ecossistemas em diferentes regi\u00f5es. \u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Entre as apresenta\u00e7\u00f5es do IPAM estavam iniciativas como a rede MapBiomas, que vem revolucionando o monitoramento do uso da terra em pa\u00edses tropicais com mapas anuais de alta resolu\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de estudos sobre regimes de fogo, fundamentais para entender a din\u00e2mica e os riscos que amea\u00e7am a estabilidade dessas florestas. As discuss\u00f5es refor\u00e7aram a import\u00e2ncia da ci\u00eancia colaborativa para orientar pol\u00edticas p\u00fablicas e a\u00e7\u00f5es de adapta\u00e7\u00e3o frente \u00e0s press\u00f5es globais.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Especificamente sobre a <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/amazonia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Amaz\u00f4nia<\/a>, as discuss\u00f5es se aprofundaram nos efeitos das secas extremas que t\u00eam provocado estresse h\u00eddrico nas plantas, aumento da mortalidade de \u00e1rvores e inc\u00eandios mais severos. Foram evidenciados os efeitos em cascata que essas secas geram sobre a biodiversidade, o ciclo do carbono e o clima regional. \u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>A contribui\u00e7\u00e3o do IPAM foi essencial para demonstrar como \u00e1reas protegidas, em especial terras ind\u00edgenas, v\u00eam sendo desproporcionalmente impactadas por inc\u00eandios florestais, inclusive nos anos cr\u00edticos de 2023 e 2024. Os estudos apresentaram dados sobre a perda de biodiversidade e de carbono, al\u00e9m dos desafios que a degrada\u00e7\u00e3o imp\u00f5e \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas como o REDD+, ao subestimar emiss\u00f5es provenientes de \u00e1reas afetadas por fogo.<\/span><\/p>\n<p><span>Tamb\u00e9m foi debatida a limita\u00e7\u00e3o da ideia de um ponto \u00fanico de n\u00e3o retorno para a floresta amaz\u00f4nica. Em vez disso, defendeu-se a compreens\u00e3o da Amaz\u00f4nia como um sistema din\u00e2mico e complexo, influenciado por m\u00faltiplos estressores interligados, como desmatamento, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e inc\u00eandios florestais. Essa perspectiva destaca que colapsos ecol\u00f3gicos podem ocorrer de forma gradual ou localizada, e n\u00e3o necessariamente de maneira abrupta e uniforme. \u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Diante dessa complexidade, \u00e9 essencial reconhecer a relev\u00e2ncia de toda e qualquer a\u00e7\u00e3o de conserva\u00e7\u00e3o, seja grande ou pequena, com efeitos de curto ou longo prazo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>J\u00e1 no debate sobre os ecossistemas tropicais abertos, como o Cerrado, a aten\u00e7\u00e3o se voltou \u00e0 urg\u00eancia de frear a degrada\u00e7\u00e3o acelerada causada pelo avan\u00e7o agropecu\u00e1rio e pela falta de pol\u00edticas eficazes de conserva\u00e7\u00e3o. A perda de vegeta\u00e7\u00e3o nativa tem comprometido fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas cruciais, como a regula\u00e7\u00e3o do ciclo h\u00eddrico e clim\u00e1tico, e afetado diretamente comunidades tradicionais. \u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>O IPAM contribuiu com estudos sobre os impactos de diferentes regimes de fogo na biodiversidade, evidenciando a necessidade de estrat\u00e9gias adaptativas de manejo. Tamb\u00e9m foi trazida \u00e0 tona a centralidade dos povos e comunidades tradicionais, com o projeto T\u00f4 no Mapa, na gest\u00e3o do fogo e dos territ\u00f3rios, refor\u00e7ando o valor dos saberes locais para pol\u00edticas de conserva\u00e7\u00e3o mais justas e eficazes. \u00a0<\/span><span>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Al\u00e9m disso, foi apontada uma grave crise h\u00eddrica no Cerrado, vinculada \u00e0 convers\u00e3o do solo e \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de barragens. As discuss\u00f5es refor\u00e7aram a necessidade de a\u00e7\u00f5es integradas que articulem ci\u00eancia, governan\u00e7a ambiental e justi\u00e7a socioambiental para garantir a sustentabilidade desse bioma.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Al\u00e9m das apresenta\u00e7\u00f5es em plen\u00e1rias, o evento contou com a realiza\u00e7\u00e3o de uma oficina promovida pelo Programa de Conserva\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Tropical da Universidade da Fl\u00f3rida, dedicada a refletir sobre o funcionamento e fortalecimento de redes de colabora\u00e7\u00e3o voltadas \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o. A atividade destacou a import\u00e2ncia dessas articula\u00e7\u00f5es para ampliar o alcance e a efetividade das a\u00e7\u00f5es em contextos tropicais. \u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Paralelamente, foi iniciada a constru\u00e7\u00e3o de uma rede de pesquisadores sobre fogo no Brasil, com o objetivo de impulsionar a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e integrar esfor\u00e7os em torno da gest\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o de inc\u00eandios florestais. <\/span><\/p>\n<p><span>\u00c9 uma resposta \u00e0 crescente frequ\u00eancia de eventos extremos e aos desafios impostos por cen\u00e1rios pol\u00edticos futuros, buscando tamb\u00e9m apoiar a implementa\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Nacional de Manejo Integrado do Fogo no Brasil. A presen\u00e7a de diversos resultados e an\u00e1lises apresentados ao longo do evento, conectam ci\u00eancia, pr\u00e1tica e pol\u00edticas p\u00fablicas em prol da conserva\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Pessoalmente, a experi\u00eancia\u00a0como jovem pesquisadora vai para al\u00e9m dos aprendizados acad\u00eamicos e do desafio (e conquista!) de comunicar ci\u00eancia em outro idioma. Talvez a li\u00e7\u00e3o mais marcante tenha surgido de forma despretensiosa, durante um almo\u00e7o com colegas de diferentes fases da vida. Convers\u00e1vamos sobre trajet\u00f3rias e v\u00ednculos que permanecem, e como essas trocas nos moldam.<\/span><\/p>\n<p><span>Na palestra do segundo dia, a pesquisadora Berta Mart\u00edn-L\u00f3pez usou uma met\u00e1fora potente: a <\/span><span>micorriza\u00e7\u00e3o <\/span><span>dos fungos, que conecta \u00e1rvores e permite a redistribui\u00e7\u00e3o de nutrientes, como forma de ilustrar os paradigmas relacionais na condu\u00e7\u00e3o de pesquisas e seus impactos na conserva\u00e7\u00e3o. Essa imagem ficou comigo. Me fez olhar com mais aten\u00e7\u00e3o para a maneira como me relaciono com a ci\u00eancia, e reconhecer que minha forma\u00e7\u00e3o \u00e9 feita n\u00e3o s\u00f3 por teorias e m\u00e9todos, mas pelas pessoas com quem compartilho o caminho, dentro e fora da academia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>As conex\u00f5es que constru\u00edmos e cultivamos ao longo da vida n\u00e3o definem apenas onde estamos ou podemos chegar, mas tamb\u00e9m influenciam profundamente a forma como enxergamos a ci\u00eancia e imaginamos o impacto do que produzimos. Participar de eventos como a ATBC nos oferece a chance de fortalecer esses v\u00ednculos, trocar experi\u00eancias e ampliar horizontes. No fim das contas, \u00e9 nessas trocas que a ci\u00eancia ganha vida, sentido e dire\u00e7\u00e3o.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maior evento mundial da \u00e1rea, a 61\u00aa Reuni\u00e3o Anual da Associa\u00e7\u00e3o para Biologia Tropical e Conserva\u00e7\u00e3o (ATBC, na sigla em ingl\u00eas), em Oaxaca, no M\u00e9xico, contou com a participa\u00e7\u00e3o do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia (IPAM). O evento cient\u00edfico reuniu cerca de 400 pesquisadores do mundo todo para discutir a conserva\u00e7\u00e3o dos ecossistemas tropicais. 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