{"id":12868,"date":"2025-07-22T06:12:30","date_gmt":"2025-07-22T09:12:30","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/07\/22\/outras-formas-de-negacionismo-periferia-religiao-e-democracia\/"},"modified":"2025-07-22T06:12:30","modified_gmt":"2025-07-22T09:12:30","slug":"outras-formas-de-negacionismo-periferia-religiao-e-democracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/07\/22\/outras-formas-de-negacionismo-periferia-religiao-e-democracia\/","title":{"rendered":"Outras formas de negacionismo: periferia, religi\u00e3o e democracia"},"content":{"rendered":"<p><span>H\u00e1 mais de tr\u00eas d\u00e9cadas fala-se do crescimento vertiginoso de adeptos das mais varia\u00e7\u00f5es igrejas evang\u00e9licas no Brasil. Na d\u00e9cada de 1990, aqueles que apontavam pra frente e diziam que o nosso futuro seria evang\u00e9lico, eram desacreditados.<\/span><\/p>\n<p><span>Hoje, mais forte e mais organizada, a comunidade evang\u00e9lica \u00e9 a religi\u00e3o mais presente, especialmente, entre os pretos, pobres e perif\u00e9ricas de todo pa\u00eds.<\/span><span> A dimens\u00e3o desse fen\u00f4meno silencioso, contudo, segue sendo negada pelo ran\u00e7o intelectual e pelas esquerdas que, ora veem essas pessoas e suas pautas com desprezo, ora subestimam sua dimens\u00e3o e sua capacidade de articula\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-jota-principal-lancamento\">Informa\u00e7\u00f5es direto ao ponto sobre o que realmente importa: assine gratuitamente a <span class=\"jota\">JOTA<\/span> Principal, a nova newsletter do <span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/a><\/h3>\n<p><span>A direita, sobretudo a chamada nova direita, contudo, soube acolher essa comunidade de alguma maneira e consegue hoje com destreza instrumentalizar o potencial pol\u00edtico desses grupos. E falo aqui no plural por que, a primeira coisa que precisamos reconhecer, frente \u00e0 nossa ignor\u00e2ncia do fen\u00f4meno, \u00e9 que n\u00e3o existe uma comunidade evang\u00e9lica no pa\u00eds, mas sim v\u00e1rias.<\/span><\/p>\n<p><span>Com uma organiza\u00e7\u00e3o estrutural absolutamente avessa \u00e0 hierarquia da Igreja Cat\u00f3lica, a t\u00f4nica junto \u00e0s igrejas protestantes \u00e9 a pluralidade e a horizontalidade destas institui\u00e7\u00f5es, o que tem facilitado sua pulveriza\u00e7\u00e3o pelos morros e quebradas.<\/span><\/p>\n<p><span>S\u00e3o centenas de denomina\u00e7\u00f5es e ramifica\u00e7\u00f5es que se unem em favor do evangelismo, mas est\u00e3o longe de se coadunarem em torno de uma agenda pol\u00edtica homog\u00eanea. Por exemplo, s\u00f3 pra gente ter uma no\u00e7\u00e3o dos extremos, \u00e9 sabido que h\u00e1 denomina\u00e7\u00f5es que condenam a comunidade LGBTQIAPN+ \u00e0 dana\u00e7\u00e3o, enquanto outras, s\u00e3o grandes aliadas e aguerridas defensoras da causa.<\/span><\/p>\n<p><span> H\u00e1 aquelas que veem o d\u00edzimo como uma presta\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria e aquelas que o entendem como uma oferta, da qual n\u00e3o se espera nada em troca. Algumas dessas igrejas oferece um protagonismo maior para as mulheres, outras, refor\u00e7am as opress\u00f5es de g\u00eanero. Ou seja, n\u00e3o h\u00e1 qualquer unidade naquilo que chamamos de evang\u00e9licos e digo mais: insistir em tratar essas pessoas como um coletivo homog\u00eaneo n\u00e3o ajuda em nada a entender sua expans\u00e3o, muito menos compreend\u00ea-las.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>A rasa ignor\u00e2ncia contra os grupos evang\u00e9licos refor\u00e7a antagonismos, seja de um lado, seja do outro. A distin\u00e7\u00e3o do tipo \u201cn\u00f3s\u201d e \u201celes\u201d, aqui, mais fecha as portas, do que estabelece qualquer forma de di\u00e1logo. Essas pessoas n\u00e3o s\u00e3o uma manada de radicais fundamentalistas como querem nos fazer entender alguns cr\u00edticos \u00e0 esquerda. O eleitorado evang\u00e9lico tem se tornado a cada pleito mais e mais importante, mas muito evang\u00e9licos que hoje voltam na direita, j\u00e1 voltaram na esquerda num passado muito recente. <\/span><\/p>\n<p><span>Rotular esses grupos, desdenh\u00e1-los ou v\u00ea-los como inimigos empobrece nosso entendimento da realidade brasileira e do cen\u00e1rio pol\u00edtico contempor\u00e2neo. Simplesmente, n\u00e3o se pode mais ignorar o peso e a dimens\u00e3o desse mar de gente. Segundo dados do \u00faltimo censo, 47,4 milh\u00f5es de brasileiros com mais de 10 se declara evang\u00e9lico. 1 em cada 4 brasileiros \u00e9 evang\u00e9lico. Esse \u00e9 o horizonte.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Assim como o carnaval, o futebol e a desigualdade s\u00e3o elementos constitutivos da forma\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica brasileira, o evangelismo agora tamb\u00e9m o \u00e9. Quem ignora isso perde o bonde. Contrariar esse dado social emergente \u00e9 somente mais uma forma de negacionismo, desta vez, pol\u00edtico e social. E n\u00e3o entender a dimens\u00e3o disso tem aprofundado os antagonismos entre essas pessoas e os partidos de esquerda, especialmente. <\/span><\/p>\n<p><span>Entre as frentes de esquerda, considero que o discurso pejorativo contra os evang\u00e9licos \u00e9 produto ainda do ran\u00e7o racionalista e materialista das matrizes do pensamento cr\u00edtico, que tradicionalmente insistiam em ver a religi\u00e3o t\u00e3o somente como \u201co \u00f3pio do povo\u201d. Bom, insistir nisso n\u00e3o tem ajudado em nada, pelo contr\u00e1rio. Na verdade, isso tem contribu\u00eddo ainda mais para a polariza\u00e7\u00e3o eleitoral dos \u00faltimos tempos, haja vista que, no m\u00ednimo, \u00e9 dif\u00edcil para qualquer um aliar-se a quem veementemente nos repudia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Como \u00e9 de se esperar, os dados costumam fugir a nossa idealiza\u00e7\u00e3o. E esse dado talvez frustre as expectativas identit\u00e1rias de alguns: o fato \u00e9 que hoje h\u00e1 mais pessoas negras que se autoproclamam evang\u00e9licas no pa\u00eds do que praticantes de religi\u00f5es de matriz africana. <\/span><\/p>\n<p><span>Com isso n\u00e3o quero fazer t\u00e1bula rasa da persegui\u00e7\u00e3o secular e violenta que os povos de terreiro sofreram e continuam sofrendo dentro da nossa sociedade, o que explica e justifica muito da sua resist\u00eancia contra o racismo e outras formas de opress\u00e3o, mas trazer ao centro algo que a academia vem apontando h\u00e1 muito tempo, mas que estamos negligenciando do ponto de vista pol\u00edtico \u2013 hoje, no Brasil, ningu\u00e9m poderia ousar pensar ou falar sobre o pa\u00eds sem levar em conta o fen\u00f4meno da intersec\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es raciais \u00e0s quest\u00f5es religiosas e pol\u00edticas no contexto das periferias urbanas de todo o pa\u00eds.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>N\u00e3o tenho qualquer m\u00e9rito para hierarquizar ou sistematizar as escolhas religiosas dessa popula\u00e7\u00e3o aqui (por que o protestantismo, por exemplo, cresce mais entre a popula\u00e7\u00e3o preta e parda do que as religi\u00f5es de matriz africana). Por exemplo, n\u00e3o posso, de modo algum, afirmar que essas pessoas aderem ao protestantismo por raz\u00f5es sociais ou em fun\u00e7\u00e3o do reconhecimento da sua identidade \u00e9tnica. <\/span><\/p>\n<p><span>E, sinceramente, acho at\u00e9 dif\u00edcil que se possa identificar um padr\u00e3o de trajet\u00f3ria para estas pessoas, mas o fato \u00e9 que a observa\u00e7\u00e3o da realidade chama a nossa aten\u00e7\u00e3o para dois pontos em especial: primeiro, as igrejas perif\u00e9ricas se pulverizaram nas periferias nas \u00faltimas d\u00e9cadas e depois, a mensagem dessas igrejas, das pentecostais \u00e0s hist\u00f3ricas, falam que quest\u00f5es que fazem sentido para essas pessoas \u2013 e isso explica muito da sua expans\u00e3o junto ao brasileiro pobre e perif\u00e9rico, que n\u00e3o por acaso, em fun\u00e7\u00e3o de ciclos hist\u00f3ricos de desvantagens, tamb\u00e9m \u00e9 negro .\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Mas o que essas pessoas encontram nessas igrejas? Por que pra n\u00f3s aquilo soa irracional, mas pra seus grupos de adeptos aquilo lhe d\u00e1 sentido \u00e0 vida. Parece dif\u00edcil de entender se insistimos sobre nossas lentes, mas basta ouvir estas pessoas: essas igrejas melhoram suas vidas. \u00c9 um fato. Elas se sentem melhores, mais felizes e mais seguras dentro dessas igrejas do que fora delas. <\/span><\/p>\n<p><span>Talvez isso seja menos vis\u00edvel aos olhos cr\u00edticos dos que insistem em entender, da sua bolha segura e blindada, que a religi\u00e3o \u00e9 uma ideologia opressiva, mis\u00f3gina e patriarcal (o que eu, partindo de minha forma\u00e7\u00e3o, concordo, mas tenho a relativizar em se tratando de outrem). Minha quest\u00e3o est\u00e1 longe de ser teol\u00f3gica. N\u00e3o quero problematizar a exist\u00eancia ou n\u00e3o do divino e a que prop\u00f3sitos essa ideia serve, mas destacar o quanto essas igrejas fazem sentido na medida em que oferecem resultados objetivos sobre a vida dessas pessoas.<\/span><\/p>\n<p><span>Nada disso \u00e9 novo para a pesquisa social cl\u00e1ssica, mas h\u00e1 varia\u00e7\u00f5es a\u00ed que precisam ser notificadas. Quando Weber, no seu cl\u00e1ssico trabalho sobre a \u00e9tica protestante identificou e explorou as conex\u00f5es entre protestantismo e capitalismo a partir de dados emp\u00edricos, ele destacou o quanto o credo protestante e os valores impressos na conduta dessas pessoas eram capazes de transformar caracter\u00edsticas culturais e ocupacionais dessas pessoas e, n\u00e3o por acaso, impactar suas vidas materiais e, ainda mais, ainda que n\u00e3o intencionalmente, estimular o desenvolvimento do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalismo. <\/span><\/p>\n<p><span>Bom, no caso das nossas periferias, essas igrejas n\u00e3o somente imprimem mudan\u00e7as sobre a vida material dessas pessoas, como observou Weber, elas tamb\u00e9m salvam suas vidas e por isso mesmo, t\u00eam tanto prest\u00edgio.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Para uma fam\u00edlia pobre e perif\u00e9rica, manter-se em torno da \u00f3rbita da igreja oferece diversas garantias. Por exemplo, a garantia da probabilidade de que muito dificilmente os filhos n\u00e3o v\u00e3o vir a se envolver com o tr\u00e1fico, haja vista o patrulhamento de condutas que acompanha a defini\u00e7\u00e3o de igreja desses grupos. A igreja afasta os fi\u00e9is do sexo masculino do consumo de bebidas alc\u00f3olicas que s\u00e3o sumariamente proibidas por estas igrejas, cortando um dos principais canais de transmiss\u00e3o da viol\u00eancia dom\u00e9stica. <\/span><\/p>\n<p><span>Estabelece redes de aux\u00edlio e coopera\u00e7\u00e3o entre seus membros, ampliando la\u00e7os sociais e oportunidades financeiras, o que \u00e9 refor\u00e7ado pelo senso de unidade que envolve as denomina\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de garantir algum o acesso a algum tipo de lazer, entretenimento e empoderamento, rar\u00edssimos nas nossas periferias.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Pode n\u00e3o ser o modelo ideal de inclus\u00e3o social e preven\u00e7\u00e3o contra a viol\u00eancia, claro, mas ele funciona. Esse \u00e9 o ponto. Uma prova flagrante da dimens\u00e3o que o fen\u00f4meno evang\u00e9lico ocupa hoje junto aos moradores de comunidades \u00e9 a ramifica\u00e7\u00e3o e o entrela\u00e7amento dele com outros componentes h\u00e1 muito presentes nesse universo, como, por exemplo, o crime organizado. <\/span><\/p>\n<p><span>Com isso n\u00e3o quero julgar o neopentecostalismo ou associ\u00e1-lo irresponsavelmente ao mundo do crime, mas pontuar o quanto o seu avan\u00e7o sobre essa popula\u00e7\u00e3o tem se ramificado sobre todos os aspectos da vida social destes territ\u00f3rios, de modo que nem o tr\u00e1fico, que a princ\u00edpio se orienta por valores avessos \u00e0 filosofia crist\u00e3, conseguiu seguir indiferente ao apelo desses grupos. E se at\u00e9 os pol\u00edticos da direita instrumentalizam a religi\u00e3o ao seu favor, por que os traficantes n\u00e3o fariam isso tamb\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/span><\/p>\n<p><span>Naturalmente, qualquer evang\u00e9lico negaria a possibilidade de um traficante ser evang\u00e9lico, mas n\u00e3o \u00e9 isso que importa aqui. O que importa \u00e9 que esses traficantes se entendem assim. S\u00e3o pessoas que t\u00eam uma vida religiosa, participam de cultos e n\u00e3o veem contradi\u00e7\u00e3o em empunhar, de um lado, um fuzil e do outro, uma B\u00edblia. Isso d\u00e1 a dimens\u00e3o do quanto as igrejas evang\u00e9licas se capilarizaram nesses espa\u00e7os. <\/span><\/p>\n<p><span>Esse encontrou ou essa fus\u00e3o entre o mundo do crime e o universo da religi\u00e3o \u00e9 nociva e perversa, sobretudo para as religi\u00f5es de matriz africana, contudo, o que \u00e9 mais flagrante, politicamente falando, \u00e9 o fato de que at\u00e9 o tr\u00e1fico j\u00e1 entendeu que precisa se aproximar dessas pessoas, estabelecer alguma forma de di\u00e1logo com esses grupos e a esquerda, que deveria saber chegar junto do povo, infelizmente, ainda n\u00e3o entendeu isso.\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Critic\u00e1-los, julg\u00e1-los ou rotul\u00e1-los de alienados, conversadores, reacion\u00e1rios ou antidemocr\u00e1ticos em nada ajuda, al\u00e9m de infligir numa grande injusti\u00e7a. Uma parte dessa popula\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica \u00e9 conservadora sim, mas nem todos s\u00e3o. Quando os pretensamente cr\u00edticos fazem isso, perdem qualquer possibilidade de di\u00e1logo com as milhares de denomina\u00e7\u00f5es que comp\u00f5em essa comunidade e refor\u00e7a a alian\u00e7a estrat\u00e9gica entre os \u201crejeitados\u201d. <\/span><\/p>\n<p><span>Acredito mesmo que aquilo que os cr\u00edticos de esquerda falam hoje dos evang\u00e9licos, apoia-se muito mais numa representa\u00e7\u00e3o fantasmag\u00f3rica que n\u00f3s mesmos criamos deles a partir da repulsa a alguns pastores midi\u00e1ticos, do que, de fato, uma observa\u00e7\u00e3o fundada sobre evid\u00eancias. Ousaria at\u00e9 mesmo dizer que as frentes mais progressistas os odeiam sem nem mesmo se permitir conhec\u00ea-los.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>E reitero: \u00e9 preciso conhecer essas pessoas. N\u00e3o basta lan\u00e7ar uma carta aberta nos anos eleitorais. Essas pessoas se sentem, muitas fezes, mal vistas pro professarem sua f\u00e9 junto aos partidos de esquerda ou junto aos movimentos sociais (ainda que existam frentes que proclamem sua f\u00e9 dentro dessas legendas, esses grupos ainda s\u00e3o muito minorit\u00e1rios). Na universidade tamb\u00e9m, persiste um cerco preconceito contra essas pessoas.<\/span><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaFvFd73rZZflK7yGD0I\">Inscreva-se no canal de not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> no WhatsApp e fique por dentro das principais discuss\u00f5es do pa\u00eds!<\/a><\/h3>\n<p><span>Muitos estudantes relatam que se sentem vistos como alienados ou rotulados \u201cde direita\u201d s\u00f3 por se identificarem como evang\u00e9licos. E repito: a quest\u00e3o aqui n\u00e3o \u00e9 teol\u00f3gica, \u00e9 pol\u00edtica, afinal de contas, duvido que esquerdas e evang\u00e9licos discordem dos princ\u00edpios civilizat\u00f3rios.<\/span><\/p>\n<p><span>Se a esquerda n\u00e3o consegue chegar junto dessas pessoas ou apresentar pautas que se integrem aos seus anseios, outros t\u00eam chegado. \u00c9 dessa forma que a repulsa da esquerda tem os aproximado da direita, que os fisga pelo apelo emocional a pautas sens\u00edveis e n\u00e3o por um projeto de sociedade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>\u00c9 preciso ouvi-los. N\u00e3o subestimar suas impress\u00f5es de mundo ou seus valores, mesmo se n\u00e3o concordamos com estes. \u00c9 preciso adaptar a linguagem, traduzir a mensagem e falar a partir de problemas reais: a precariedade do transporte p\u00fablico e o \u00f4nibus lotado nos hor\u00e1rios de pico, a disponibilidade de creche pras crian\u00e7as, acesso \u00e0 saneamento e disponibilidade de vagas na escola, estimular a forma\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as pol\u00edticas populares e estender a no\u00e7\u00e3o de cidadania. <\/span><\/p>\n<p><span>A esquerda tem o conte\u00fado, mas lhe falta a forma. De nada, por exemplo, adianta apelarmos aos meios tradicionais de informa\u00e7\u00e3o ou \u00e0s p\u00e1ginas de opini\u00e3o para transmitir essas mensagens (e aqui fa\u00e7o minha mea-culpa). Seguimos encastelados falando para n\u00f3s mesmos, nutrindo nossa pr\u00f3pria bolha. \u00c9 preciso tornar-se acess\u00edvel de novo a essas pessoas, sem esquecer que essas pessoas j\u00e1 votaram majoritariamente na esquerda. Elas continuam sendo povo. Elas n\u00e3o est\u00e3o perdidas, no m\u00e1ximo, elas est\u00e3o desgarradas.\u00a0 <\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 mais de tr\u00eas d\u00e9cadas fala-se do crescimento vertiginoso de adeptos das mais varia\u00e7\u00f5es igrejas evang\u00e9licas no Brasil. Na d\u00e9cada de 1990, aqueles que apontavam pra frente e diziam que o nosso futuro seria evang\u00e9lico, eram desacreditados. 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