{"id":12710,"date":"2025-07-16T05:37:09","date_gmt":"2025-07-16T08:37:09","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/07\/16\/por-que-algumas-nacoes-crescem-e-outras-permanecem-estagnadas\/"},"modified":"2025-07-16T05:37:09","modified_gmt":"2025-07-16T08:37:09","slug":"por-que-algumas-nacoes-crescem-e-outras-permanecem-estagnadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/07\/16\/por-que-algumas-nacoes-crescem-e-outras-permanecem-estagnadas\/","title":{"rendered":"Por que algumas na\u00e7\u00f5es crescem e outras permanecem estagnadas?"},"content":{"rendered":"<p><span>H\u00e1 s\u00e9culos economistas e pensadores tentam responder a uma pergunta simples, mas crucial:\u00a0por que algumas na\u00e7\u00f5es prosperam e outras permanecem estagnadas?\u00a0Desde os alertas de Thomas Malthus sobre a escassez de recursos frente ao crescimento populacional, at\u00e9 os modelos de crescimento de Harrod e Domar, que buscavam entender como manter a economia em equil\u00edbrio entre investimento e poupan\u00e7a, a busca por essa resposta atravessa gera\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span> Na segunda metade do s\u00e9culo 20, Robert Solow introduziu a ideia de que o progresso t\u00e9cnico \u2014 a produtividade \u2014 era o principal motor do crescimento de longo prazo. Mais recentemente, Daron Acemoglu e James Robinson ampliaram esse debate ao destacar o papel das institui\u00e7\u00f5es: pa\u00edses crescem quando criam incentivos para inova\u00e7\u00e3o, prote\u00e7\u00e3o \u00e0 propriedade e participa\u00e7\u00e3o ampla na economia.<\/span><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-jota-principal-lancamento\">Informa\u00e7\u00f5es direto ao ponto sobre o que realmente importa: assine gratuitamente a <span class=\"jota\">JOTA<\/span> Principal, a nova newsletter do <span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/a><\/h3>\n<p><span>Essas diferentes escolas t\u00eam algo em comum: todas reconhecem que crescimento sustent\u00e1vel n\u00e3o se d\u00e1 por acaso e, sobretudo, n\u00e3o \u00e9 fruto de destino geogr\u00e1fico, ra\u00e7a, clima ou cultura. As na\u00e7\u00f5es que prosperam n\u00e3o o fazem por sorte ou por condi\u00e7\u00f5es naturais, mas porque tomaram decis\u00f5es institucionais acertadas. O crescimento \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o deliberada, resultado de escolhas pol\u00edticas, estrutura\u00e7\u00e3o de boas institui\u00e7\u00f5es e, acima de tudo, da capacidade de uma sociedade em produzir mais com menos. Em outras palavras, da sua produtividade.<\/span><\/p>\n<p><span>Pa\u00edses como Coreia do Sul, Vietn\u00e3 e Botsuana s\u00e3o exemplos not\u00e1veis de decolagem econ\u00f4mica. Cada um a seu modo superou armadilhas institucionais e apostou em pol\u00edticas de longo prazo voltadas \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, infraestrutura, abertura comercial e estabilidade. Em 1920, a Argentina era cinco vezes mais rica que a Coreia do Sul. Hoje, a Coreia supera a Argentina em mais de quatro vezes. A raz\u00e3o? Enquanto a Coreia investiu em ind\u00fastria e capital humano, a Argentina viveu ciclos repetitivos de instabilidade e perda de competitividade.<\/span><\/p>\n<p><span>No sudeste asi\u00e1tico, o Vietn\u00e3 multiplicou por dez o seu PIB per capita desde os anos 1990. O salto foi poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 reforma \u0110\u1ed5i M\u1edbi, que abriu a economia ao capital estrangeiro, estimulou a agricultura e atraiu a manufatura intensiva em trabalho. Estive recentemente na Cidade de Ho Chi Minh e pude observar de perto a vitalidade econ\u00f4mica e o dinamismo urbano de um pa\u00eds que decidiu trilhar um caminho de abertura com pragmatismo e foco em resultados. Enquanto isso, o Paquist\u00e3o permaneceu estagnado, amarrado a uma economia extensiva, dependente de remessas externas e instabilidade fiscal.<\/span><\/p>\n<p><span>O mesmo padr\u00e3o se observa ao comparar Botsuana e N\u00edger. O primeiro aproveitou suas reservas de diamantes para financiar infraestrutura, diversifica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e educa\u00e7\u00e3o. J\u00e1 o segundo continuou preso \u00e0 agricultura de subsist\u00eancia e crises pol\u00edticas. A diferen\u00e7a n\u00e3o est\u00e1 nos recursos, mas na forma como as institui\u00e7\u00f5es organizam esses recursos em prol do desenvolvimento.<\/span><\/p>\n<p><span>Na Am\u00e9rica Latina, a hist\u00f3ria \u00e9 menos alentadora. A regi\u00e3o segue presa a um modelo de crescimento baseado na expans\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, n\u00e3o na produtividade. Segundo dados do Banco Mundial, a\u00a0TFP da Am\u00e9rica Latina cresceu a uma m\u00e9dia de apenas 0,6% ao ano entre 1990 e 2019, enquanto nos pa\u00edses do Leste Asi\u00e1tico esse avan\u00e7o foi de 2,8% no mesmo per\u00edodo. Em vez de fazer mais com menos, a regi\u00e3o seguiu dependente do aumento de m\u00e3o de obra e capital, sem avan\u00e7os significativos na efici\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p><span>No caso brasileiro, a estagna\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais alarmante. Como mostra levantamento da FGV, o Brasil tem produzido cada vez menos riqueza com os mesmos insumos \u2014 um claro decl\u00ednio da TFP. A produtividade do trabalho estagnou desde meados dos anos 1980, e o pa\u00eds sequer conseguiu sustentar o impulso inicial trazido pela estabiliza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria dos anos 1990.<\/span><\/p>\n<p><span>Para se ter uma ideia da defasagem: s\u00e3o necess\u00e1rios tr\u00eas trabalhadores brasileiros para gerar o mesmo que um trabalhador norte-americano. Essa diferen\u00e7a n\u00e3o se reduz apenas com mais investimento, mas com efici\u00eancia sist\u00eamica.<\/span><\/p>\n<p><span>A origem disso tem nome e sobrenome:\u00a0Custo Brasil. Trata-se de um conjunto de entraves sist\u00eamicos que encarecem o investimento, desestimulam a inova\u00e7\u00e3o e punem a produ\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata apenas de infraestrutura prec\u00e1ria. O Custo Brasil inclui a complexidade tribut\u00e1ria \u2014 com mais de 60 mil normas fiscais em vigor \u2014, a lentid\u00e3o do Judici\u00e1rio \u2014 que torna imprevis\u00edvel a resolu\u00e7\u00e3o de contratos \u2014, e o excesso de licen\u00e7as e burocracias que atrasam projetos por anos. <\/span><\/p>\n<p><span>Para citar um exemplo pr\u00e1tico, o custo log\u00edstico no Brasil representa\u00a012,3% do PIB, enquanto na OCDE essa m\u00e9dia gira em torno de 9,4%. O tempo m\u00e9dio para abrir uma empresa ainda ultrapassa 23 dias em muitas capitais. Tudo isso forma um ambiente de neg\u00f3cios onde o risco \u00e9 alto e o retorno incerto.<\/span><\/p>\n<p><span>Segundo o F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, o Brasil ocupa a 78\u00aa posi\u00e7\u00e3o em infraestrutura e segue mal colocado em pilares como efici\u00eancia institucional e ambiente regulat\u00f3rio. Estudos indicam que o\u00a0custo da m\u00e1 infraestrutura representa 17,1% do custo total de se fazer neg\u00f3cios\u00a0no pa\u00eds. \u00c9 uma trava invis\u00edvel que desestimula o setor produtivo e impede o florescimento de uma economia moderna, integrada e competitiva.<\/span><\/p>\n<p><span>Diante desse cen\u00e1rio, \u00e9 preciso repensar o foco da pol\u00edtica econ\u00f4mica. Em vez de pol\u00edticas pontuais voltadas \u00e0 demanda \u2014 como desonera\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias ou est\u00edmulos de curto prazo \u2014 o Brasil precisa de uma estrat\u00e9gia centrada na oferta, ou melhor, na\u00a0remo\u00e7\u00e3o das barreiras que impedem a oferta de prosperar.<\/span><\/p>\n<p><span>A principal pol\u00edtica de crescimento do pa\u00eds deveria ser a\u00a0redu\u00e7\u00e3o estrutural do Custo Brasil. Isso inclui melhorar a infraestrutura, simplificar o sistema tribut\u00e1rio, reformar o Estado, modernizar marcos legais e tornar o ambiente de neg\u00f3cios mais confi\u00e1vel. Nenhuma pol\u00edtica industrial ser\u00e1 eficaz se a base institucional continuar minando a produtividade.<\/span><\/p>\n<p><span>Quando o Custo Brasil cai, o investimento sobe. E com ele vem o crescimento sustent\u00e1vel, puxado pela efici\u00eancia, pela inova\u00e7\u00e3o e pela confian\u00e7a do setor privado. Esse deve ser o norte da pol\u00edtica econ\u00f4mica: criar as condi\u00e7\u00f5es para que o Brasil seja um pa\u00eds onde produzir seja mais barato, mais simples e mais seguro. O crescimento vir\u00e1 n\u00e3o por decreto, mas pela libera\u00e7\u00e3o das for\u00e7as produtivas hoje sufocadas.<\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 s\u00e9culos economistas e pensadores tentam responder a uma pergunta simples, mas crucial:\u00a0por que algumas na\u00e7\u00f5es prosperam e outras permanecem estagnadas?\u00a0Desde os alertas de Thomas Malthus sobre a escassez de recursos frente ao crescimento populacional, at\u00e9 os modelos de crescimento de Harrod e Domar, que buscavam entender como manter a economia em equil\u00edbrio entre investimento [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12710"}],"collection":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12710"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12710\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12710"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12710"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12710"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}