{"id":12504,"date":"2025-07-07T07:06:38","date_gmt":"2025-07-07T10:06:38","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/07\/07\/papel-da-contabilidade-de-impacto-no-esg\/"},"modified":"2025-07-07T07:06:38","modified_gmt":"2025-07-07T10:06:38","slug":"papel-da-contabilidade-de-impacto-no-esg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/07\/07\/papel-da-contabilidade-de-impacto-no-esg\/","title":{"rendered":"Papel da contabilidade de impacto no ESG"},"content":{"rendered":"<p><span>A contabilidade de impacto (impact accounting) no ESG \u00e9 uma pr\u00e1tica que visa criar estruturas padronizadas e escal\u00e1veis na cadeia de valor das empresas.\u00a0 Ocorre quando os relat\u00f3rios financeiros das corpora\u00e7\u00f5es s\u00e3o aplic\u00e1veis aos seus reportes ambientais, sociais e de governan\u00e7a (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/ESG\">ESG<\/a>).<\/span><\/p>\n<p><span>At\u00e9 recentemente, pensava-se ser incompat\u00edvel unir a complexidade dos sistemas cont\u00e1beis com as estruturas dos relat\u00f3rios ESG \u2013 ainda dispersos em diferentes frameworks \u2013 para chegar a uma apresenta\u00e7\u00e3o concreta sobre a sustentabilidade corporativa. A realidade vem provando o contr\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/h3>\n<p><span>Ao priorizar o desafio, a contabilidade de impacto vem ganhando espa\u00e7o na academia e nos chamados <em>white papers<\/em>, relat\u00f3rios informativos que analisam determinada quest\u00e3o e apresentam metodologias e solu\u00e7\u00f5es na busca de convencer um p\u00fablico-alvo:<\/span><\/p>\n<p><em><span>\u201cO capital humano, social e natural s\u00e3o insumos essenciais para os impactos da sustentabilidade, mas n\u00e3o s\u00e3o classificados como <\/span><span>ativos<\/span><\/em><span><em> na contabilidade convencional, apesar de seu impacto significativo na cria\u00e7\u00e3o de valor empresarial. A contabilidade de impacto muda essa din\u00e2mica e se baseia em metas de sustentabilidade, ambientais, sociais e de governan\u00e7a (ESG) existentes\u201d.<\/em>[1]<\/span><\/p>\n<p><span>Ao constituir uma m\u00e9trica hol\u00edstica em evolu\u00e7\u00e3o, a contabilidade de impacto amplia a vis\u00e3o corporativa e busca solu\u00e7\u00f5es mais inovadoras, capazes de\u00a0 mensurar o valor criado pela companhia, ensejando uma esp\u00e9cie de monetiza\u00e7\u00e3o do ESG, que j\u00e1 se faz presente em alguns relat\u00f3rios, como da Uni\u00e3o Europeia, pela Diretiva de Relat\u00f3rios de Sustentabilidade Corporativa (CSRD). <\/span><\/p>\n<p><span>Um comparativo pode deixar a quest\u00e3o mais clara: se ativos p\u00fablicos, como estradas, aeroportos, portos, companhias de energia e saneamento s\u00e3o pass\u00edveis de monetiza\u00e7\u00e3o, o mesmo pode ocorrer com o capital natural, social e humano de uma empresa.<\/span><\/p>\n<p><span>As companhias que decidiram investir em sustentabilidade t\u00eam aumentado o valor de sua marca e suas vantagens estrat\u00e9gicas, uma vez que o ESG n\u00e3o \u00e9 somente uma quest\u00e3o de conformidade ou de recursos investidos em sustentabilidade. Pela contabilidade de impacto, os investimentos em ESG podem ser traduzidos em valor pela monetiza\u00e7\u00e3o dos fatores ambientais, sociais e de governan\u00e7a, permitindo quantificar o impacto e a lucratividade dessas estrat\u00e9gias.<\/span><\/p>\n<p><span>A contabilidade de impacto vinha sofrendo do mesmo problema dos frameworks ESG \u2013 diversidade de m\u00e9tricas e estruturas \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o no mercado. Contudo, pr\u00e1ticas cont\u00e1beis est\u00e3o come\u00e7ando a consolidar padr\u00f5es comuns e se tornar vi\u00e1veis.<\/span><\/p>\n<p><span>Algumas organiza\u00e7\u00f5es que desenvolvem m\u00e9tricas de sustentabilidade, como a Sustainability Accounting Standards Board (SASB), em parceria com o Conselho de Normas de Sustentabilidade (IFRS), v\u00eam promovendo a integra\u00e7\u00e3o de m\u00e9tricas ESG a demonstra\u00e7\u00f5es financeiras, possibilitando uma vis\u00e3o mais integrada de cria\u00e7\u00e3o de valor que as apresentadas pelas demonstra\u00e7\u00f5es financeiras tradicionais ou pelos relat\u00f3rios ESG.<\/span><\/p>\n<p><span>Isso vem sendo feito pelo desenvolvimento de processos e conformidade de regula\u00e7\u00f5es ESG. A m\u00e1gica acontece a partir do processo de avalia\u00e7\u00e3o da materialidade, que \u00e9 uma metodologia empregada pelas corpora\u00e7\u00f5es para identificar fatores ESG e medir o impacto de sua gest\u00e3o voltada \u00e0 sustentabilidade.<\/span><\/p>\n<p><span>Em sintonia aos relat\u00f3rios financeiros, a avalia\u00e7\u00e3o de materialidade est\u00e1 presente nas Normas Europeias de Relat\u00f3rios de Sustentabilidade (ESRS) e seguem etapas, permitindo que os dados sejam compar\u00e1veis. Inicialmente, as empresas precisam identificar os pontos mais importantes de seu neg\u00f3cio com o conjunto de fatores da Uni\u00e3o Europeia, que utilizam como crit\u00e9rios os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) da Agenda 2030 da ONU, como uma esp\u00e9cie de base de dados de refer\u00eancia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>A segunda etapa de avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 realizada por meio de pesquisas e entrevistas com stakeholders, que permitem reverter informa\u00e7\u00f5es qualitativas em dados quantitativos monetizados. O processo faz uma compara\u00e7\u00e3o por setor, avaliando indicadores ambientais e sociais da empresa com seus concorrentes, onde se concentra seus maiores impactos sociais e ambientais e emprega m\u00e9trica financeira para identificar t\u00f3picos materiais com m\u00e9tricas sustent\u00e1veis.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Na sequ\u00eancia, define-se a l\u00f3gica de avalia\u00e7\u00e3o com base nos dados coletados, promove-se a an\u00e1lise de como os stakeholders (partes interessadas) s\u00e3o afetados pelas medidas ESG adotadas, dados apurados por meio de pesquisas de opini\u00e3o, cria\u00e7\u00e3o de uma matriz de materialidade para visualizar resultados e, finalmente, a avalia\u00e7\u00e3o da materialidade, valorando as atividades da empresa para a sociedade.\u00a0 Pode-se, por exemplo, \u201ctraduzir\u201d as emiss\u00f5es de Gases de Efeito Estufa (GEE) em unidade monet\u00e1ria para facilitar a compara\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Moto cont\u00ednuo, permite avaliar o impacto que as emiss\u00f5es causam, como afetam a sa\u00fade das pessoas, das comunidades onde a empresa est\u00e1 inserida, segundo os escopos 1, 2 e 3, que passam a ter um pre\u00e7o, baseado no custo social do carbono, proposto pela Funda\u00e7\u00e3o Internacional para Valoriza\u00e7\u00e3o de Impactos (IFVI) e Alian\u00e7a para Equil\u00edbrio de Valor (VBA), outra frente de atua\u00e7\u00e3o da contabilidade de impacto. <\/span><\/p>\n<p><span>No escopo 1, temos as emiss\u00f5es diretas da empresa ligadas \u00e0 sua opera\u00e7\u00e3o. No Escopo 2, as emiss\u00f5es indiretas, como gera\u00e7\u00e3o de energia, \u00e1gua, refrigera\u00e7\u00e3o, etc. E no Esopo 3, as emiss\u00f5es indiretas presentes, por exemplo, na cadeia\u00a0 de fornecedores. Cada tonelada m\u00e9trica de carbono passaria a ter um valor de refer\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p><span>No fator social, ao mensurar os sal\u00e1rios da for\u00e7a de trabalho de uma empresa, a contabilidade de impacto n\u00e3o se concentra no efeito que representa o custo dessa m\u00e3o de obra para a opera\u00e7\u00e3o da\u00a0 empresa, mas leva em conta se o sal\u00e1rio \u00e9 suficiente para propiciar bem-estar ao trabalhador ou pode prejudicar o seu acesso a um padr\u00e3o de vida digna. Os n\u00fameros de refer\u00eancia variam de acordo com o PIB de cada pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-jota-principal-lancamento\">Informa\u00e7\u00f5es direto ao ponto sobre o que realmente importa: assine gratuitamente a <span class=\"jota\">JOTA<\/span> Principal, a nova newsletter do <span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/a><\/h3>\n<p><span>A conex\u00e3o entre o ESG e a contabilidade de impacto tende a dar suporte para metodologias que cheguem a conclus\u00f5es de desempenho mais precisas, uma vez que mensurar o ESG continua a ser um desafio para as empresas. A op\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica pela sustentabilidade vem acompanhada de obriga\u00e7\u00f5es financeiras que n\u00e3o podem ser exclu\u00eddas das estruturas dos relat\u00f3rios ESG, que ser\u00e3o cada vez mais rigorosos, em decorr\u00eancia da poss\u00edvel sinergia instaurada pela Contabilidade de Impacto.<\/span><\/p>\n<p><span>Diante da evolu\u00e7\u00e3o das m\u00e9tricas ESG, podemos nos valer da compara\u00e7\u00e3o de Nuno Moreira da Cruz, professor da Cat\u00f3lica-Lisbon, que foi assertivo ao comparar a hist\u00f3ria dos Tr\u00eas Porquinhos ao compromisso divergente das empresas em torno da sustentabilidade. <\/span><\/p>\n<p><span>Segundo ele, o primeiro porquinho representa as empresas que constru\u00edram sua casa de palha, de estrutura leve e pouco resistente, que desabou ao primeiro sopro do lobo mau, ou seja, s\u00e3o corpora\u00e7\u00f5es que aderiram \u00e0 sustentabilidade sob os ventos do <em>greenwashing<\/em>. <\/span><\/p>\n<p><span>O segundo porquinho construiu uma casa de madeira, com estrutura mais s\u00f3lida, mesmo assim com vulnerabilidades. Seriam as empresas que divulgam relat\u00f3rios de sustentabilidade, mas reduzem sua ambi\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel em mercados considerados sens\u00edveis. <\/span><\/p>\n<p><span>O terceiro porquinho optou por uma casa de tijolo, bem s\u00f3lida. Retrata as companhias nas quais a sustentabilidade integra o modelo de neg\u00f3cios e propicia vantagens competitivas, dotadas de relat\u00f3rios ESG s\u00f3lidos. Para essas, a contabilidade de impacto agrega valor.<\/span><\/p>\n<p><span>A incorpora\u00e7\u00e3o da contabilidade de impacto nos relat\u00f3rios ESG tende a se constituir em uma tend\u00eancia global e atender\u00e1 de forma mais ampla a demanda por informa\u00e7\u00f5es de pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis, especialmente para investidores e ag\u00eancias reguladoras, entre outros stakeholders. <\/span><\/p>\n<p><span>D<\/span><span>essa forma, auxiliar\u00e1 as corpora\u00e7\u00f5es a se anteciparem aos desafios das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, regulat\u00f3rias e de transi\u00e7\u00e3o para a economia de baixo carbono, porque os riscos e oportunidades exigem cada vez mais informa\u00e7\u00f5es ESG integradas \u00e0s demonstra\u00e7\u00f5es financeiras no sentido de que sejam relevantes, compar\u00e1veis e confi\u00e1veis.<\/span><\/p>\n<div>\n<p class=\"c8\">[1]<span> https:\/\/www.thomsonreuters.com\/en-us\/posts\/esg\/impact-accounting\/<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><span>[2] <\/span><span>https:\/\/clsbe.lisboa.ucp.pt\/news\/sustainability-donald-trump-and-three-little-pigs-0<\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A contabilidade de impacto (impact accounting) no ESG \u00e9 uma pr\u00e1tica que visa criar estruturas padronizadas e escal\u00e1veis na cadeia de valor das empresas.\u00a0 Ocorre quando os relat\u00f3rios financeiros das corpora\u00e7\u00f5es s\u00e3o aplic\u00e1veis aos seus reportes ambientais, sociais e de governan\u00e7a (ESG). 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