{"id":12404,"date":"2025-07-02T05:58:35","date_gmt":"2025-07-02T08:58:35","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/07\/02\/transformar-antes-de-multiplicar-o-caminho-da-eficiencia-hospitalar-sustentavel\/"},"modified":"2025-07-02T05:58:35","modified_gmt":"2025-07-02T08:58:35","slug":"transformar-antes-de-multiplicar-o-caminho-da-eficiencia-hospitalar-sustentavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/07\/02\/transformar-antes-de-multiplicar-o-caminho-da-eficiencia-hospitalar-sustentavel\/","title":{"rendered":"Transformar antes de multiplicar: o caminho da efici\u00eancia hospitalar sustent\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<p>A data de hoje, 2 de julho, marca o Dia do Hospital, institu\u00eddo pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/www2.camara.leg.br\/legin\/fed\/decret\/1960-1969\/decreto-50871-27-junho-1961-390510-publicacaooriginal-1-pe.html\">Decreto 50.871\/1961<\/a>, ocasi\u00e3o que convida a uma reflex\u00e3o profunda sobre o papel dessas institui\u00e7\u00f5es no sistema de sa\u00fade e como o uso eficiente dos recursos hospitalares \u00e9 fundamental para garantir sustentabilidade e qualidade no atendimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O aumento cont\u00ednuo das despesas hospitalares \u00e9 um fato indiscutivelmente desafiador. Dados do Boletim Informativo da Planisa (BIP) sobre custos hospitalares de 2024 mostram esse panorama. O custo da hora de centro cir\u00fargico atingiu R$ 2.239 em 93 hospitais analisados no ano passado, frente a R$ 1.954 em 2023, um aumento de 14,6% no per\u00edodo, percentual significativamente superior ao IPCA acumulado de 4,83% em 2024.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/saude?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_saude_q2&amp;utm_id=cta_texto_saude_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_saude&amp;utm_term=cta_texto_saude_meio_materias\"><span>Com not\u00edcias da Anvisa e da ANS, o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Sa\u00fade entrega previsibilidade e transpar\u00eancia para empresas do setor<\/span><\/a><\/h3>\n<p>Ainda que se trate de metodologias de c\u00e1lculo distintas, cada qual com vari\u00e1veis pr\u00f3prias, a compara\u00e7\u00e3o tem o intuito de ilustrar que a an\u00e1lise isolada de quanto se gasta pode n\u00e3o refletir aquilo que dever\u00edamos ter como prop\u00f3sito central: gerar mais sa\u00fade.<\/p>\n<p>E o que isso significa, na pr\u00e1tica? Na \u00e1rea da sa\u00fade, ainda persiste a cren\u00e7a equivocada de que mais hospitais, mais centros cir\u00fargicos ou mais unidades assistenciais equivalem automaticamente a mais sa\u00fade. Trata-se, por\u00e9m, de uma ilus\u00e3o, eficaz, talvez, em gerar votos, mas ineficaz em promover bem-estar real \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para n\u00e3o ampliar demasiadamente o escopo, concentro-me aqui nos centros cir\u00fargicos. O mesmo BIP traz um dado preocupante e recorrente: a taxa de ocupa\u00e7\u00e3o dos centros cir\u00fargicos, que era de 41,3% em 2019, caiu para 40,2% em 2024. Isso significa que aproximadamente 60% do tempo operacional dispon\u00edvel desses 93 centros cir\u00fargicos permaneceu ocioso, um \u00edndice alarmante de desperd\u00edcio de recursos.<\/p>\n<p>A ociosidade das unidades de sa\u00fade \u00e9, possivelmente, a principal fonte de inefici\u00eancia no setor. E vale lembrar que o centro cir\u00fargico \u00e9, reconhecidamente, uma das estruturas hospitalares que mais consome recursos. No entanto, o problema n\u00e3o termina a\u00ed. Outras quest\u00f5es merecem reflex\u00e3o, a pontualidade da primeira cirurgia do dia, por exemplo. Estudos demonstram que atrasos iniciais impactam todo o cronograma. Segundo a <a href=\"https:\/\/conteudo.anestech.com.br\/oav-2024\">Anestech<\/a>, ap\u00f3s o primeiro atraso, cerca de 50% das cirurgias subsequentes tamb\u00e9m sofrem atrasos.<\/p>\n<p>Soma-se a isso a pertin\u00eancia do procedimento cir\u00fargico: em um contexto cada vez mais orientado \u00e0 seguran\u00e7a, \u00e0 efetividade e ao valor em sa\u00fade, questionar a real necessidade da cirurgia deixa de ser algo secund\u00e1rio e se torna um princ\u00edpio fundamental da boa pr\u00e1tica m\u00e9dica.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Europeia sobre <em>Value-Based Healthcare<\/em> refor\u00e7a que a boa aloca\u00e7\u00e3o de recursos exige a redu\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00f5es de baixo valor e o fortalecimento daquelas com maior impacto cl\u00ednico e social, premissa especialmente relevante no contexto cir\u00fargico, dada sua natureza invasiva, alto custo e risco inerente.<\/p>\n<p>Outros fatores que comprometem a efici\u00eancia incluem a falta de processos estruturados, como as solicita\u00e7\u00f5es de materiais, medicamentos e hemoderivados feitas sem crit\u00e9rios claros, al\u00e9m de uma cultura organizacional resistente.<\/p>\n<p>Estruturas conservadoras, pouco colaborativas e rigidamente setorializadas tendem a dificultar iniciativas de melhoria cont\u00ednua e integra\u00e7\u00e3o entre \u00e1reas. A aus\u00eancia de dados estruturados e indicadores operacionais que permitam direcionar a gest\u00e3o do centro cir\u00fargico para pr\u00e1ticas mais eficientes e baseadas em evid\u00eancias \u00e9 outro ponto.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m merece destaque a excessiva fragmenta\u00e7\u00e3o assistencial e a falta de interoperabilidade entre sistemas de informa\u00e7\u00e3o, conforme destacado por Makdisse et al, em um importante estudo sobre os desafios da implementa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade baseada em valor na Am\u00e9rica Latina. Al\u00e9m disso, a persist\u00eancia do modelo remunerat\u00f3rio <em>fee-for-service<\/em> estimula o volume de procedimentos em detrimento do valor gerado ao paciente.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, discutir apenas o \u201cquanto custa\u201d \u00e9 insuficiente. \u00c9 necess\u00e1rio avan\u00e7ar para perguntas mais estrat\u00e9gicas: \u201cPara que se gasta?\u201d, \u201cCom que efetividade?\u201d e \u201cQual o retorno em sa\u00fade?\u201d. A sustentabilidade do sistema exige romper com paradigmas ineficientes, combatendo a ociosidade e adotando, de forma concreta, uma l\u00f3gica centrada em valor. Algumas recomenda\u00e7\u00f5es podem, de maneira relevante, aumentar a efici\u00eancia do centro cir\u00fargico e, por consequ\u00eancia, das unidades de sa\u00fade como um todo, reduzindo diretamente a necessidade de investimentos em novos centros cir\u00fargicos ou hospitais.<\/p>\n<p>Entre elas, destacam-se a utiliza\u00e7\u00e3o de ambulat\u00f3rios cir\u00fargicos para procedimentos de baixa complexidade, com potencial de redu\u00e7\u00e3o de custos, menor tempo de perman\u00eancia e maior giro de pacientes; a revis\u00e3o das pr\u00e1ticas de solicita\u00e7\u00e3o de hemoderivados \u2014 dados da Anestech indicam que h\u00e1 subutiliza\u00e7\u00e3o significativa em rela\u00e7\u00e3o ao volume reservado, revelando oportunidades de otimiza\u00e7\u00e3o log\u00edstica e financeira; e a reavalia\u00e7\u00e3o da reserva preventiva de leitos de UTI para cirurgias, uma vez que evid\u00eancias apontam para um padr\u00e3o de superdimensionamento na solicita\u00e7\u00e3o, o que gera bloqueios desnecess\u00e1rios e impacto expressivo nos custos assistenciais.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 fundamental promover a an\u00e1lise criteriosa da necessidade cir\u00fargica, com base em diretrizes cl\u00ednicas atualizadas, evid\u00eancias cient\u00edficas robustas e, sobretudo, nas prefer\u00eancias e valores do paciente, premissas centrais para um cuidado seguro, efetivo e eticamente orientado. A substitui\u00e7\u00e3o de uma cultura punitiva por uma cultura de aprendizado frente a eventos adversos \u00e9 outro passo necess\u00e1rio. A seguran\u00e7a assistencial deve ser encarada como eixo estruturante da qualidade do cuidado e vetor essencial para a redu\u00e7\u00e3o de desperd\u00edcios.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, devem ser feitas corre\u00e7\u00f5es em processos internos visando \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da taxa de cancelamento de cirurgias, seja por falhas log\u00edsticas, indisponibilidade de recursos ou aus\u00eancia de alinhamento entre equipes. \u00c9 urgente a elimina\u00e7\u00e3o de atividades improdutivas ou sem valor agregado, frequentemente mantidas por barreiras funcionais internas ou exig\u00eancias burocr\u00e1ticas que geram atrasos, retrabalho e consumo desnecess\u00e1rio de tempo e recursos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio revisar a estrutura organizacional tradicional dos hospitais, marcada por forte departamentaliza\u00e7\u00e3o. Essa configura\u00e7\u00e3o, centrada na hierarquia e n\u00e3o na responsabilidade por processos, compromete a coopera\u00e7\u00e3o intersetorial e a fluidez assistencial.<\/p>\n<p>Por fim, \u00e9 estrat\u00e9gica a ado\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de especializa\u00e7\u00e3o das unidades. A l\u00f3gica de que \u201cquem mais faz, faz melhor\u201d refor\u00e7a que centros cir\u00fargicos de hospitais gerais, com equipamentos dispersos e fluxos n\u00e3o padronizados, tendem \u00e0 ociosidade estrutural e \u00e0 baixa efici\u00eancia operacional.<\/p>\n<p>A transforma\u00e7\u00e3o do sistema de sa\u00fade exige governan\u00e7a cl\u00ednica efetiva, reformula\u00e7\u00e3o dos modelos de incentivo e o fortalecimento de uma cultura institucional orientada ao aprendizado cont\u00ednuo. Experi\u00eancias nacionais e internacionais demonstram que \u00e9 poss\u00edvel avan\u00e7ar rumo a uma sa\u00fade baseada em valor, desde que haja clareza conceitual, alinhamento entre os diversos stakeholders e comprometimento real com a transforma\u00e7\u00e3o organizacional.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, imp\u00f5e-se uma reflex\u00e3o inevit\u00e1vel: quantos novos hospitais e centros cir\u00fargicos ainda precisaremos construir at\u00e9 compreendermos que o caminho mais econ\u00f4mico, sustent\u00e1vel e inteligente \u00e9 utilizar com efici\u00eancia a estrutura que j\u00e1 temos?<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A data de hoje, 2 de julho, marca o Dia do Hospital, institu\u00eddo pelo\u00a0Decreto 50.871\/1961, ocasi\u00e3o que convida a uma reflex\u00e3o profunda sobre o papel dessas institui\u00e7\u00f5es no sistema de sa\u00fade e como o uso eficiente dos recursos hospitalares \u00e9 fundamental para garantir sustentabilidade e qualidade no atendimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. 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