{"id":12255,"date":"2025-06-26T07:00:25","date_gmt":"2025-06-26T10:00:25","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/06\/26\/o-enigma-hugo-motta-e-a-relacao-entre-camara-e-planalto\/"},"modified":"2025-06-26T07:00:25","modified_gmt":"2025-06-26T10:00:25","slug":"o-enigma-hugo-motta-e-a-relacao-entre-camara-e-planalto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/06\/26\/o-enigma-hugo-motta-e-a-relacao-entre-camara-e-planalto\/","title":{"rendered":"O enigma Hugo Motta e a rela\u00e7\u00e3o entre C\u00e2mara e Planalto"},"content":{"rendered":"<p><span>O <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/governo-lula\">governo Lula<\/a> vive um dilema sobre como lidar com o atual presidente da C\u00e2mara, <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/hugo-motta\">Hugo Motta<\/a> (Republicanos-PB). Passados seis meses desde que o deputado paraibano assumiu a cadeira, ainda n\u00e3o est\u00e1 claro, no Pal\u00e1cio do Planalto, qual \u00e9 exatamente sua linha de atua\u00e7\u00e3o no comando da Casa \u2014 nem que tipo de rela\u00e7\u00e3o ele pretende cultivar com o Executivo.<\/span><\/p>\n<p><span>Mas o sentimento de que essa rela\u00e7\u00e3o tende a n\u00e3o ser t\u00e3o amistosa quanto espera o governo petista ganhou for\u00e7a \u00e0s 23h35 da \u00faltima ter\u00e7a-feira (24), quando Motta anunciou pelas redes sociais que pautaria a <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/legislativo\/com-383-votos-a-favor-camara-aprova-projeto-que-derruba-decretos-do-iof\">vota\u00e7\u00e3o do projeto de decreto legislativo (PDL) que derruba o decreto que aumentou as al\u00edquotas do IOF<\/a>. Mesmo assim, entre os palacianos ainda predomina o entendimento de que n\u00e3o \u00e9 uma boa ideia partir agora para o embate com o presidente da C\u00e2mara.<\/span><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-jota-principal-lancamento\">Informa\u00e7\u00f5es direto ao ponto sobre o que realmente importa: assine gratuitamente a <span class=\"jota\">JOTA<\/span> Principal, a nova newsletter do <span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/a><\/h3>\n<p><span>A boa vontade do Planalto com Motta parte de uma premissa realista: a composi\u00e7\u00e3o do atual Congresso torna imposs\u00edvel ao governo construir uma maioria est\u00e1vel. Nesse cen\u00e1rio, manter uma rela\u00e7\u00e3o minimamente funcional com o presidente da C\u00e2mara \u00e9 essencial para amortecer a aus\u00eancia de uma base ampla e constante. H\u00e1 tamb\u00e9m a compreens\u00e3o de que Motta responde, antes de tudo, ao seu col\u00e9gio eleitoral mais imediato \u2014 os pr\u00f3prios deputados \u2014 e que tem um estilo pr\u00f3prio, marcado por di\u00e1logo e respeito entre os pares.<\/span><\/p>\n<p><span>De fato, h\u00e1 no governo petista quem veja no \u201cHugo Motta aut\u00eantico\u201d um pol\u00edtico de perfil conciliador, de conversa, avesso \u00e0 trucul\u00eancia que caracterizou seu antecessor, Arthur Lira (PP-AL). Essa percep\u00e7\u00e3o, somada ao estilo mais discreto do parlamentar, ajudou a construir desde o in\u00edcio uma simpatia pessoal por parte do pr\u00f3prio presidente Lula, que o enxerga como uma figura jovem com grande futuro pol\u00edtico.<\/span><\/p>\n<p><span>O problema \u00e9 que, para uma parte relevante do entorno presidencial, esse \u201cHugo Motta aut\u00eantico\u201d parece sumir quando pressionado por seus pares no Congresso. Nos bastidores do Planalto, crescem as desconfian\u00e7as de que, em determinados momentos, o presidente da C\u00e2mara atua teleguiado por figuras como Lira e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), um dos maiores expoentes da oposi\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span>Tamb\u00e9m gera desconforto seu hist\u00f3rico de proximidade com Eduardo Cunha \u2014 o ex-presidente da C\u00e2mara que capitaneou o impeachment de Dilma Rousseff. Outros j\u00e1 enxergam em seus movimentos uma influ\u00eancia excessiva do mercado financeiro, numa compara\u00e7\u00e3o inevit\u00e1vel com Rodrigo Maia nos tempos em que presidia a Casa.<\/span><\/p>\n<p><span>A diferen\u00e7a de tom entre o Motta das conversas reservadas com Lula e ministros e o Motta que se apresenta nas reuni\u00f5es do col\u00e9gio de l\u00edderes tem alimentado essa inquieta\u00e7\u00e3o no Pal\u00e1cio. S\u00e3o dois personagens, dizem interlocutores do governo.<\/span><\/p>\n<p><span>Ciente dos riscos de um desgaste com o chefe da C\u00e2mara, a ministra Gleisi Hoffmann (Rela\u00e7\u00f5es Institucionais) tem atuado como bombeira. Em mais de uma ocasi\u00e3o, foi \u00e0s redes sociais defender Motta das cr\u00edticas de colegas do governo. Um gesto que tem dupla motiva\u00e7\u00e3o: de um lado, evitar que a rela\u00e7\u00e3o com o Congresso azede de vez; de outro, preservar a autoridade de Motta, j\u00e1 que negociar com um presidente da C\u00e2mara enfraquecido n\u00e3o interessa ao Planalto.<\/span><\/p>\n<p><span>Motta, por sua vez, cativa uma boa rela\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica com Gleisi e o l\u00edder do PT na C\u00e2mara, Lindbergh Farias (PT-RJ). Mas tem buscado desfazer a imagem de \u201cgovernista\u201d que nutriu neste semestre ao acompanhar o presidente em viagens internacionais ao Jap\u00e3o e Vietn\u00e3 e ao enterro do papa Francisco.<\/span><\/p>\n<p><span>Agora, dizem aliados, ele tem atuado para mostrar independ\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao Planalto e que representa o Congresso hostil ao governo petista que saiu das urnas em 2022. O deputado, por exemplo, nem sequer atendeu os telefonemas de Gleisi ao longo desta quarta-feira (25), o que foi visto no Planalto como uma enorme descortesia. H\u00e1 semanas, ignora tamb\u00e9m os telefonemas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.<\/span><\/p>\n<h3>O Senado e a previsibilidade de Alcolumbre, inexistente com Motta<\/h3>\n<p><span>Se a equa\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara \u00e9 hoje um quebra-cabe\u00e7a, no Senado a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 bem mais clara. Davi Alcolumbre (Uni\u00e3o-AP) \u00e9 visto como um interlocutor mais previs\u00edvel, de perfil conhecido e que controla melhor seus pares. \u00c9, al\u00e9m disso, experiente, conhece os c\u00f3digos da pol\u00edtica e ocupa, h\u00e1 mais tempo, o primeiro escal\u00e3o do jogo institucional.<\/span><\/p>\n<p><span>H\u00e1 um dito no Planalto petista que \u201ctudo para Davi tem um pre\u00e7o\u201d, que, em geral, o governo sabe qual \u00e9. Atualmente, por exemplo, ele quer a cabe\u00e7a do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, em troca de n\u00e3o dificultar as coisas. A mesma compara\u00e7\u00e3o ocorre em rela\u00e7\u00e3o ao antecessor de Motta. H\u00e1, no entorno de Lula, quem verbalize, meio a contragosto, que Lira, apesar da personalidade mais dif\u00edcil, \u201ccumpre o que pactua\u201d. E, por isso mesmo, seria \u201cmais previs\u00edvel\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span>Com Motta, ter previsibilidade \u00e9 mais dif\u00edcil. No in\u00edcio do m\u00eas, ele deixou uma reuni\u00e3o na resid\u00eancia oficial da C\u00e2mara \u2014 da qual participaram Haddad (Fazenda), Rui Costa (Casa Civil) e Gleisi \u2014 classificando o encontro para tratar da crise do IOF como \u201chist\u00f3rico\u201d. No dia seguinte, disse que n\u00e3o podia se comprometer com nada que havia sido conversado ali. Poucos dias depois, pautou a urg\u00eancia do PDL que mira derrubar o decreto do Executivo, com um discurso duro contra o governo.<\/span><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/h3>\n<p><span>O mesmo padr\u00e3o se repetiu mais recentemente, durante as negocia\u00e7\u00f5es sobre a derrubada de vetos de Lula. Motta, Gleisi e Rui Costa passaram horas discutindo item por item \u2014 eram mais de 200 \u2014 e selaram acordos sobre o que seria mantido, o que seria derrubado e o que ficaria para depois, por falta de consenso. Mas, para surpresa do governo, o veto que impedia subs\u00eddios \u00e0 contrata\u00e7\u00e3o de pequenas centrais hidrel\u00e9tricas caiu, apesar de n\u00e3o estar no pacote negociado.<\/span><\/p>\n<p><span>Nos bastidores, a tropa de choque do Planalto n\u00e3o demorou a associar a derrubada do veto a um impacto direto na conta de luz. A leitura no governo \u00e9 que deputados derrubaram o veto para beneficiar um grupo de empres\u00e1rios \u2014 em especial do setor de PCHs e e\u00f3licas offshore \u2014 para punir o Planalto.<\/span><\/p>\n<h3>Qual o \u201cdia seguinte\u201d dessa rela\u00e7\u00e3o?<\/h3>\n<p><span>Em meio a essa sequ\u00eancia, uma parte do entorno de Lula passou a defender uma inflex\u00e3o gradual na rela\u00e7\u00e3o com o Congresso \u2014 e uma postura mais combativa. Est\u00e1 no forno uma medida provis\u00f3ria para reverter os efeitos da derrubada dos vetos no setor el\u00e9trico, a chamada \u201cMP dos Vetos\u201d. E, se vier nova derrota, h\u00e1 quem defenda abrir um novo flanco na guerra de comunica\u00e7\u00e3o, atribuindo aos deputados a responsabilidade por votar a favor de medidas que oneram os consumidores.<\/span><\/p>\n<p><span>Essa estrat\u00e9gia se encaixa na narrativa que o governo j\u00e1 vem empunhando em outros campos, como a isen\u00e7\u00e3o de imposto de renda para quem ganha at\u00e9 R$ 5.000 e a pr\u00f3pria discuss\u00e3o sobre o IOF: a de que est\u00e1 disposto a onerar os mais ricos para aliviar os mais pobres. No Planalto, j\u00e1 est\u00e1 claro que entrar nesse embate com o centr\u00e3o mobiliza n\u00e3o apenas a milit\u00e2ncia petista, mas tamb\u00e9m gera ades\u00e3o de parte da opini\u00e3o p\u00fablica, ainda que de forma difusa. Trata-se, na pr\u00e1tica, da \u201cfase 1\u201d do enfrentamento com a C\u00e2mara.<\/span><\/p>\n<p><span>A \u201cfase 2\u201d pode vir se Motta continuar chancelando o discurso, que ganha corpo no centr\u00e3o, de que o governo Lula \u00e9 \u201cgastador\u201d. Dentro do governo, h\u00e1 press\u00f5es para que ministros e o pr\u00f3prio presidente passem a vocalizar, de forma mais expl\u00edcita, o car\u00e1ter igualmente perdul\u00e1rio do Congresso.<\/span><\/p>\n<p><span>A tese tem base, por exemplo, no fato de que o Legislativo segue adiando vota\u00e7\u00f5es que poderiam gerar cortes efetivos de despesas \u2014 como a reforma da previd\u00eancia dos militares \u2014 e aprovou o aumento do n\u00famero de deputados dos atuais 513 para 531, como sa\u00edda para a press\u00e3o demogr\u00e1fica de alguns estados, em vez de redistribuir as vagas j\u00e1 existentes. Tamb\u00e9m pode se falar dos R$ 50 bilh\u00f5es em emendas sob controle dos parlamentares, cerca de um quarto do que o governo tem para gastar.<\/span><\/p>\n<p><span>Interlocutores de lado a lado j\u00e1 admitem um distanciamento entre Motta e o governo Lula. As desconfian\u00e7as de que esse movimento \u00e9 pensado se confirmam com falas nos bastidores de aliados do deputado, que afirmam que ele tem buscado mostrar que n\u00e3o \u00e9 aliado do governo, mas presidente da C\u00e2mara. Com certo desd\u00e9m, fontes do Planalto dizem a mesma coisa com outras palavras, afirmando que Motta tem demonstrado cada vez mais ser o presidente \u201cdo sindicato dos deputados\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span>Por\u00e9m, nem um lado nem o outro descartam uma reaproxima\u00e7\u00e3o, a depender do cen\u00e1rio pol\u00edtico. \u201cAmanh\u00e3, os caras [Lula e Motta] podem aparecer se abra\u00e7ando, vai saber\u201d, diz um interlocutor de Motta. Para o Planalto, o enigma Hugo Motta segue indecifrado.<\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo Lula vive um dilema sobre como lidar com o atual presidente da C\u00e2mara, Hugo Motta (Republicanos-PB). 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