{"id":12249,"date":"2025-06-26T05:58:19","date_gmt":"2025-06-26T08:58:19","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/06\/26\/ia-e-monitoramento-ambiental-o-pioneirismo-brasileiro\/"},"modified":"2025-06-26T05:58:19","modified_gmt":"2025-06-26T08:58:19","slug":"ia-e-monitoramento-ambiental-o-pioneirismo-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/06\/26\/ia-e-monitoramento-ambiental-o-pioneirismo-brasileiro\/","title":{"rendered":"IA e monitoramento ambiental: o pioneirismo brasileiro"},"content":{"rendered":"<p>Se hoje \u00e9 poss\u00edvel fazer uma varredura de todo o territ\u00f3rio brasileiro em poucos dias, com dimens\u00f5es continentais, e apontar \u00e1reas com mudan\u00e7a no uso e cobertura da terra, desmatamento ou queimadas, isso nem sempre foi assim. Monitorar um territ\u00f3rio t\u00e3o grande e diverso \u00e9 uma tarefa \u00e1rdua e o Brasil, com suas institui\u00e7\u00f5es, foi pioneiro nessa jornada.<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou na d\u00e9cada de 1970 com os projetos Radar na Amaz\u00f4nia (Radam) e RadamBrasil, que utilizando radares de abertura sint\u00e9tica acoplados em aeronaves e o esfor\u00e7o de centenas de pesquisadores e t\u00e9cnicos, mapearam pela primeira vez, a diversidade e os recursos naturais do Brasil. Quanto tempo levou? Uma d\u00e9cada e meia!<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-jota-principal-lancamento\">Informa\u00e7\u00f5es direto ao ponto sobre o que realmente importa: assine gratuitamente a <span class=\"jota\">JOTA<\/span> Principal, a nova newsletter do <span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/a><\/h3>\n<p>Depois, na d\u00e9cada de 1980, surgiram os sensores \u00f3pticos acoplados a sat\u00e9lites de uso civil, como, por exemplo, a constela\u00e7\u00e3o Landsat. A aquisi\u00e7\u00e3o de dados de todo o planeta de forma sistem\u00e1tica representou um divisor de \u00e1guas no monitoramento ambiental, mas ainda existia um entrave: os dados ainda n\u00e3o eram p\u00fablicos, o que aconteceu somente em meados dos anos 2000 com o empenho e protagonismo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).<\/p>\n<p>A distribui\u00e7\u00e3o gratuita de imagens de sat\u00e9lite foi seguida por uma explos\u00e3o no uso de dados de sensoriamento remoto em todo o mundo e inspirou outras ag\u00eancias espaciais a seguirem o mesmo caminho. Desde ent\u00e3o, in\u00fameras aplica\u00e7\u00f5es surgiram, entre elas, o Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amaz\u00f4nia Legal por Sat\u00e9lite (PRODES), um sistema do INPE dedicado a identificar e consolidar anualmente os n\u00fameros de desmatamento e degrada\u00e7\u00e3o florestal no pa\u00eds, utilizando o conhecimento de analistas para interpretar as imagens de sat\u00e9lite.<\/p>\n<p>Enquanto tudo isso acontecia, outro grupo de pesquisadores, essencialmente matem\u00e1ticos e cientistas da computa\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m avan\u00e7aram desde a d\u00e9cada de 1970 com testes e novas abordagens que seriam os prim\u00f3rdios da intelig\u00eancia artificial da forma como a conhecemos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a pol\u00edtica de dados abertos das imagens de sat\u00e9lite e o empenho de milhares de pesquisadores em realizar mapeamentos por interpreta\u00e7\u00e3o visual, a comunidade cient\u00edfica resolveu unir ambos. Baseados nas mais recentes descobertas sobre a aprendizagem de m\u00e1quina, forneceram aos algoritmos computacionais o conhecimento acumulado pelos especialistas.<\/p>\n<p>O resultado foi animador: as m\u00e1quinas conseguiram realizar uma boa parte do trabalho de interpreta\u00e7\u00e3o das imagens e reduzir a apenas uma fra\u00e7\u00e3o o tempo necess\u00e1rio para gerar novos mapas. Desde ent\u00e3o, uma nova janela de pesquisa e desenvolvimento se abriu e diversos grupos come\u00e7aram a se organizar com fins espec\u00edficos, como, por exemplo, treinar algoritmos para mapear \u00e1reas queimadas, desmatamento, uso e cobertura da terra e degrada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas ainda existia um entrave limitante. O volume de dados de imagens de sat\u00e9lite no territ\u00f3rio brasileiro era algo inimagin\u00e1vel e inexistia no pa\u00eds a infraestrutura computacional necess\u00e1ria para lidar com tamanha quantidade de informa\u00e7\u00e3o, limitando os projetos de monitoramento com intelig\u00eancia artificial \u00e0s escalas locais e regionais.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 2010 surgiram as primeiras plataformas para processamento de dados de sensoriamento remoto em nuvem, sem a necessidade de montar uma infraestrutura local. Na pr\u00e1tica, isso significou que a infraestrutura computacional n\u00e3o era mais um problema, pois os supercomputadores tornaram-se acess\u00edveis de maneira remota como, por exemplo, por meio das plataformas Google Earth Engine e Brazil Data Cube.<\/p>\n<p>A partir de ent\u00e3o, amparados por todo o conhecimento gerado nas d\u00e9cadas passadas, a comunidade cient\u00edfica e a sociedade civil envolveram-se em diversos projetos de coopera\u00e7\u00e3o para ampliar o monitoramento territorial no Brasil. Um exemplo \u00e9 o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD Cerrado), liderado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia (IPAM), que produz alertas mensais para o bioma utilizando os mais recentes algoritmos de intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n<p>Outro exemplo \u00e9 o projeto MapBiomas, uma rede colaborativa entre universidades, institui\u00e7\u00f5es do terceiro setor e startups de tecnologia que o IPAM ajudou a fundar em 2015 e que, desde ent\u00e3o, re\u00fane diversos especialistas para produzir mapas anuais de uso e cobertura da terra e mapas mensais de \u00e1reas queimadas e recursos h\u00eddricos em todo territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>Com o aumento da celeridade e o aprimoramento da exatid\u00e3o dos mapas, novos instrumentos legais foram estabelecidos como, por exemplo, o embargo remoto, uma nova modalidade que ocorre quando uma \u00e1rea de desmatamento ilegal tem suas atividades econ\u00f4micas restringidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama), mas dessa vez utilizando evid\u00eancias de imagem de sat\u00e9lite, ampliando e tornando mais econ\u00f4mico o escopo de fiscaliza\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o do Estado; ou mesmo outras pol\u00edticas p\u00fablicas que podem ser desenhadas e monitoradas, praticamente em tempo real, com o aux\u00edlio do sensoriamento remoto e da intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n<p>Hoje, estamos \u00e0 beira de uma nova fronteira disruptiva. Novos sat\u00e9lites com capacidade hiper espectral, isto \u00e9, sat\u00e9lites que imageiam mais bandas e podem detectar mais alvos, algo at\u00e9 ent\u00e3o in\u00e9dito, est\u00e3o prestes a ser lan\u00e7ados. Nunca tivemos tanto acesso \u00e0 infraestrutura computacional e os novos modelos de intelig\u00eancia artificial prometem democratizar tarefas at\u00e9 ent\u00e3o realizadas somente por especialistas. O futuro j\u00e1 come\u00e7ou e o Brasil e seus pesquisadores, seguem na vanguarda.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se hoje \u00e9 poss\u00edvel fazer uma varredura de todo o territ\u00f3rio brasileiro em poucos dias, com dimens\u00f5es continentais, e apontar \u00e1reas com mudan\u00e7a no uso e cobertura da terra, desmatamento ou queimadas, isso nem sempre foi assim. Monitorar um territ\u00f3rio t\u00e3o grande e diverso \u00e9 uma tarefa \u00e1rdua e o Brasil, com suas institui\u00e7\u00f5es, foi [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12249"}],"collection":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12249"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12249\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12249"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12249"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12249"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}