{"id":12174,"date":"2025-06-24T05:58:18","date_gmt":"2025-06-24T08:58:18","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/06\/24\/a-autonomia-do-banco-central-e-o-compromisso-com-a-modernizacao-institucional\/"},"modified":"2025-06-24T05:58:18","modified_gmt":"2025-06-24T08:58:18","slug":"a-autonomia-do-banco-central-e-o-compromisso-com-a-modernizacao-institucional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/06\/24\/a-autonomia-do-banco-central-e-o-compromisso-com-a-modernizacao-institucional\/","title":{"rendered":"A autonomia do Banco Central e o compromisso com a moderniza\u00e7\u00e3o institucional"},"content":{"rendered":"<p>A amplia\u00e7\u00e3o da autonomia do <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/banco-central\">Banco Central<\/a> \u00e9 tema de debates t\u00e9cnicos h\u00e1 anos. A <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/lcp\/lcp179.htm\">Lei Complementar 179\/2021<\/a> representou um avan\u00e7o importante ao estabelecer mandatos para a diretoria colegiada, mas n\u00e3o contemplou os instrumentos necess\u00e1rios para garantir a autonomia financeira, or\u00e7ament\u00e1ria e administrativa.<\/p>\n<p>A <a href=\"https:\/\/www25.senado.leg.br\/web\/atividade\/materias\/-\/materia\/161269\">PEC 65\/2023<\/a> supre essa lacuna ao propor um novo arcabou\u00e7o institucional, compat\u00edvel com a crescente complexidade do sistema financeiro e com os desafios da inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/h3>\n<p>O atual modelo institucional do Banco Central j\u00e1 n\u00e3o sustenta as entregas que a sociedade demanda. Reportagem da Bloomberg (mar\u00e7o de 2025) mostrou que o or\u00e7amento da institui\u00e7\u00e3o caiu 17% em termos reais nos \u00faltimos oito anos, enquanto o n\u00famero de servidores foi reduzido em mais de 30% desde 2006.<\/p>\n<p>A escassez de recursos comprometeu \u00e1reas cr\u00edticas: inspe\u00e7\u00f5es in loco, que antes mobilizavam oito servidores, hoje s\u00e3o feitas por dois; a moderniza\u00e7\u00e3o do sistema cambial foi adiada por anos; e at\u00e9 opera\u00e7\u00f5es de liquidez em moeda estrangeira precisaram ser canceladas por falhas operacionais.<\/p>\n<p>O or\u00e7amento de investimentos previsto para 2024 caiu para apenas R$ 15 milh\u00f5es \u2014 um quinto do valor de 2023. Como alertou Henrique Meirelles, ex-presidente do BC, enquanto a institui\u00e7\u00e3o permanecer vinculada ao or\u00e7amento fiscal da Uni\u00e3o, continuar\u00e1 sujeita a cortes que afetam diretamente sua miss\u00e3o institucional.<\/p>\n<p>A PEC 65 reflete um consenso t\u00e9cnico consolidado dentro da institui\u00e7\u00e3o sobre a necessidade de fortalecimento da sua autonomia. O texto busca conciliar moderniza\u00e7\u00e3o com controle p\u00fablico. Um dos pontos estruturantes da proposta \u00e9 a preserva\u00e7\u00e3o e o fortalecimento do papel do poder democr\u00e1tico na governan\u00e7a do Banco Central.<\/p>\n<p>O Conselho Monet\u00e1rio Nacional (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/cmn\">CMN<\/a>), composto pelo presidente do BC e ministros da Fazenda e Planejamento, indicados pelo governo democraticamente eleito, continuar\u00e1 respons\u00e1vel pela formula\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas econ\u00f4micas. Al\u00e9m disso, a proposta amplia o escopo de atua\u00e7\u00e3o do CMN ao atribuir-lhe a aprecia\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento anual do BC, refor\u00e7ando o controle pol\u00edtico-institucional sobre o uso de recursos p\u00fablicos e as diretrizes operacionais da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro ponto central \u00e9 a possibilidade de uso direto de receitas operacionais, como taxas de supervis\u00e3o e rendimentos financeiros, no custeio das atividades da institui\u00e7\u00e3o. Atualmente, esse uso \u00e9 impedido pelos princ\u00edpios constitucionais da unidade or\u00e7ament\u00e1ria e da n\u00e3o afeta\u00e7\u00e3o das receitas p\u00fablicas, salvo exce\u00e7\u00f5es expressas na Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Apenas uma emenda constitucional pode alterar esse regime com seguran\u00e7a jur\u00eddica, sem violar as regras fiscais vigentes e mantendo o controle do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/tcu\">TCU<\/a>).<\/p>\n<p>Estudo recente do FMI (A New Measure of Central Bank Independence, WP\/24\/35, 2024) avaliou a legisla\u00e7\u00e3o de 155 pa\u00edses e prop\u00f4s um novo \u00edndice de autonomia institucional baseado em dez dimens\u00f5es. Segundo apresenta\u00e7\u00e3o oficial do BC sobre esse estudo, a autonomia financeira foi considerada a dimens\u00e3o mais cr\u00edtica por 75% dos respondentes \u2014 dirigentes de bancos centrais de todos os continentes e n\u00edveis de renda. O Brasil, nesse quesito, ocupa apenas a 94\u00aa posi\u00e7\u00e3o global, abaixo da mediana internacional.<\/p>\n<p>Nesse contexto, autonomia financeira refere-se \u00e0 capacidade de utilizar receitas pr\u00f3prias para custear as atividades da institui\u00e7\u00e3o. J\u00e1 a autonomia or\u00e7ament\u00e1ria diz respeito \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o, aprova\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio or\u00e7amento \u2014 defini\u00e7\u00e3o adotada pelo substitutivo do senador Pl\u00ednio Val\u00e9rio (PSDB-AM).<\/p>\n<p>Como autarquia, o Banco Central est\u00e1 impedido de exercer essas compet\u00eancias por limita\u00e7\u00f5es constitucionais ligadas \u00e0 unidade e legalidade or\u00e7ament\u00e1ria. A PEC 65 rompe com esse bloqueio jur\u00eddico e cria um arranjo j\u00e1 presente na maioria dos pa\u00edses, com uso direto de receitas operacionais, preserva\u00e7\u00e3o do controle externo e par\u00e2metros legais claros de despesa.<\/p>\n<p>Essa transforma\u00e7\u00e3o, longe de romper com a trajet\u00f3ria institucional do BC, retoma um arranjo que j\u00e1 foi exitoso. Entre 1964 e 1996, o Banco Central operou sob o regime da Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT), sem preju\u00edzo \u00e0 sua atua\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica ou autonomia.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-jota-principal-lancamento\">Informa\u00e7\u00f5es direto ao ponto sobre o que realmente importa: assine gratuitamente a <span class=\"jota\">JOTA<\/span> Principal, a nova newsletter do <span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/a><\/h3>\n<p>A migra\u00e7\u00e3o para o regime estatut\u00e1rio decorreu de decis\u00e3o do Supremo Tribunal Federal (ADI 442), que vedou a manuten\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos celetistas em autarquias. Ao transformar o BC em uma entidade de direito privado da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica indireta, a PEC 65 elimina esse obst\u00e1culo jur\u00eddico, sem abrir m\u00e3o do controle p\u00fablico ou da miss\u00e3o estatal da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O STF j\u00e1 reconheceu que o regime de trabalho est\u00e1 diretamente relacionado \u00e0 natureza jur\u00eddica da entidade contratante. Entes p\u00fablicos de direito privado, como ser\u00e1 o novo BC, podem adotar o regime celetista desde que previsto em norma constitucional e acompanhado de salvaguardas legais. O texto da PEC assegura a preserva\u00e7\u00e3o dos direitos adquiridos dos atuais servidores e define mecanismos de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 estabilidade institucional.<\/p>\n<p>O apoio interno \u00e0 proposta \u00e9 expressivo. Pesquisa realizada na intranet do Banco Central mostrou que mais de 83% dos servidores da ativa apoiam o texto atual da PEC 65. Trata-se de um dado relevante, pois reflete o entendimento t\u00e9cnico de quem vivencia os desafios operacionais da autarquia e reconhece a urg\u00eancia de uma moderniza\u00e7\u00e3o institucional robusta.<\/p>\n<p>A proposta tampouco representa uma autoriza\u00e7\u00e3o irrestrita ao Banco Central. Como afirmou o presidente da institui\u00e7\u00e3o, Gabriel Gal\u00edpolo, a PEC mant\u00e9m os mecanismos de controle e presta\u00e7\u00e3o de contas \u00e0 sociedade, ao mesmo tempo em que atualiza o arcabou\u00e7o institucional para lidar com a crescente complexidade do sistema financeiro.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o das institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o banc\u00e1rias (NBFIs) e a migra\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito para fora dos balan\u00e7os banc\u00e1rios exigem novos instrumentos de supervis\u00e3o e regula\u00e7\u00e3o. Gal\u00edpolo destacou que a proposta visa justamente dar ao BC condi\u00e7\u00f5es adequadas de atua\u00e7\u00e3o, sem afastar o controle democr\u00e1tico. A experi\u00eancia internacional \u2014 com o Federal Reserve e o Banco da Inglaterra \u2014 mostra que uma supervis\u00e3o eficaz dessas estruturas emergentes requer maior capacidade operacional e jur\u00eddica, exatamente o que a PEC busca oferecer com responsabilidade institucional.<\/p>\n<p>O Congresso Nacional tem agora a oportunidade de liderar essa transforma\u00e7\u00e3o com equil\u00edbrio e vis\u00e3o de Estado. A consolida\u00e7\u00e3o da autonomia do Banco Central, nos termos da PEC 65, est\u00e1 ancorada em par\u00e2metros constitucionais, com fiscaliza\u00e7\u00e3o, transpar\u00eancia e responsabilidade. Trata-se de um passo necess\u00e1rio para garantir a resili\u00eancia da pol\u00edtica monet\u00e1ria e a moderniza\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica federal. A PEC 65 n\u00e3o rompe com o passado \u2014 ela o atualiza para os desafios do futuro.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A amplia\u00e7\u00e3o da autonomia do Banco Central \u00e9 tema de debates t\u00e9cnicos h\u00e1 anos. A Lei Complementar 179\/2021 representou um avan\u00e7o importante ao estabelecer mandatos para a diretoria colegiada, mas n\u00e3o contemplou os instrumentos necess\u00e1rios para garantir a autonomia financeira, or\u00e7ament\u00e1ria e administrativa. 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