{"id":11985,"date":"2025-06-16T06:01:54","date_gmt":"2025-06-16T09:01:54","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/06\/16\/o-futuro-sustentavel-e-resiliente-do-esg\/"},"modified":"2025-06-16T06:01:54","modified_gmt":"2025-06-16T09:01:54","slug":"o-futuro-sustentavel-e-resiliente-do-esg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/06\/16\/o-futuro-sustentavel-e-resiliente-do-esg\/","title":{"rendered":"O futuro sustent\u00e1vel e resiliente do ESG"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que o <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/esg\">ESG<\/a> (boas pr\u00e1ticas ambientais, sociais e de governan\u00e7a) vem evoluindo de maneira robusta nas \u00faltimas d\u00e9cadas, mesmo embutindo inicialmente outras designa\u00e7\u00f5es \u2013 como responsabilidade social corporativa \u2013, tendo consolidado a sustentabilidade como um pilar estrat\u00e9gico, vinculado a padroniza\u00e7\u00f5es e complexidades regulat\u00f3rias, para criar valor dentro das companhias.<\/p>\n<p>Diferentes fatores t\u00eam contribu\u00eddo para impulsionar proativamente o ESG: desafios globais, como a crise clim\u00e1tica, conflitos sociais decorrentes de diferentes demandas, crescente empoderamento dos stakeholders (partes interessadas) e o incremento tecnol\u00f3gico dos sistemas de IA sobre tudo e todos.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/h3>\n<p>O conceito de ESG n\u00e3o deve ser confundido com um modelo de neg\u00f3cio ou ferramenta operacional. Trata-se de uma abordagem transversal de gest\u00e3o e disclosure, centrada na identifica\u00e7\u00e3o, mensura\u00e7\u00e3o e transpar\u00eancia de riscos e impactos n\u00e3o financeiros \u2014 ambientais, sociais e de governan\u00e7a \u2014 que possam influenciar o desempenho econ\u00f4mico das organiza\u00e7\u00f5es no curto, m\u00e9dio e longo prazo.<\/p>\n<p>Nesse contexto do novo ESG, <strong>a intelig\u00eancia artificial tem se mostrado uma aliada estrat\u00e9gica na viabiliza\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica do ESG<\/strong>, especialmente na automa\u00e7\u00e3o da coleta, classifica\u00e7\u00e3o e auditoria de grandes volumes de dados n\u00e3o estruturados, o que permite aumentar a efici\u00eancia, a rastreabilidade e a tempestividade dos relat\u00f3rios ESG.<\/p>\n<p>Embora decis\u00f5es como pol\u00edticas de diversidade ou inclus\u00e3o dependam fundamentalmente de compromissos institucionais e governan\u00e7a corporativa, a tecnologia pode apoiar a detec\u00e7\u00e3o de vieses, a avalia\u00e7\u00e3o de m\u00e9tricas de equidade e a identifica\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es comportamentais, fornecendo insumos valiosos para a tomada de decis\u00f5es conscientes e baseadas em evid\u00eancia.<\/p>\n<p>No contexto da padroniza\u00e7\u00e3o m\u00e9trica, a Uni\u00e3o Europeia tem avan\u00e7ado significativamente na consolida\u00e7\u00e3o de sua taxonomia verde \u2014 um sistema de classifica\u00e7\u00e3o que estabelece crit\u00e9rios t\u00e9cnicos rigorosos para identificar atividades econ\u00f4micas consideradas ambientalmente sustent\u00e1veis e que trazem significativa contribui\u00e7\u00e3o para mitigar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, inspirando in\u00fameros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Essa taxonomia abrange diversos setores estrat\u00e9gicos, como energia, transporte e constru\u00e7\u00e3o civil, definindo par\u00e2metros espec\u00edficos que orientam empresas e investidores na transi\u00e7\u00e3o para uma economia de baixo carbono.<\/p>\n<p>A busca por um alinhamento de m\u00e9tricas ESG, acabou alinhando duas das maiores entidades normativas do planeta em torno de m\u00e9tricas ESG universais<strong>: <\/strong>a IFRS Foundation (padr\u00f5es IFRS1 S1 e S2) e a Global Reporting Initiative (GRI). Em entendimento formalizado, a atua\u00e7\u00e3o em conjunto visou definir padr\u00f5es, indicadores tem\u00e1ticos e setoriais, tanto no International Sustainability Standards Board (ISSB) quanto no Global Sustainability Standards Board (GSSB).<\/p>\n<p>Segundo as entidades, \u201cesta colabora\u00e7\u00e3o busca fornecer um sistema de relat\u00f3rios de sustentabilidade integrado, global e abrangente para empresas que buscam atender \u00e0s necessidades de informa\u00e7\u00f5es de investidores e de uma gama mais ampla de partes interessadas\u201d.[1]<\/p>\n<p>O que se pode depreender desse esfor\u00e7o \u00e9 que as m\u00e9tricas ESG est\u00e3o deixando de ser um diferencial competitivo para se consolidar como requisito regulat\u00f3rio essencial. Dessa forma, os relat\u00f3rios ESG deixam de ser somente documentos volunt\u00e1rios ou separados para se tornarem parte dos relat\u00f3rios financeiros obrigat\u00f3rios das empresas, conectados \u00e0 materialidade financeira, at\u00e9 porque quest\u00f5es ambientais, sociais e de governan\u00e7a afetam o desempenho econ\u00f4mico das empresas.<\/p>\n<p>O conceito de sustentabilidade veio se robustecendo corporativamente nos anos 2000. Revive o que estava registrado no pioneiro Relat\u00f3rio de Brundtland, de 1987, elaborado pela Comiss\u00e3o Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU.<\/p>\n<p>Este documento, que recebeu o t\u00edtulo de \u201cNosso Futuro Comum\u201d[2], trouxe a p\u00fablico pela primeira vez, o que seria o conceito de desenvolvimento sustent\u00e1vel, como sendo aquele que \u201catende as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gera\u00e7\u00f5es futuras\u201d. E foi nessa toada que o ESG acelerou sua evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse espectro, as empresas n\u00e3o poderiam mais ficar apartadas do que acontecia no mundo , elas tamb\u00e9m tinham um papel a cumprir no desenvolvimento sustent\u00e1vel do planeta, e isso ficou claro com o aumento das press\u00f5es exercidas por parte dos stakeholders (comunidades, investidores, clientes, funcion\u00e1rios, parceiros negociais, reguladores etc.), que n\u00e3o aceitavam omiss\u00e3o social, opera\u00e7\u00f5es poluidoras, demandando a cria\u00e7\u00e3o de diretrizes capazes de avaliar os impactos ambientais (provavelmente o mais vis\u00edvel, seja a polui\u00e7\u00e3o do ar e dos oceanos, com reflexos imediatos na sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o) e surgimento de frameworks para mensurar todos esses impactos.<\/p>\n<p>O primeiro ponto de virada do ESG, segundo pesquisadores, veio com a crise financeira de 2008 ou a chamada \u201ccrise do subprime\u201d, causada por empr\u00e9stimos imobili\u00e1rios concedidos nos Estados Unidos a devedores que n\u00e3o tinham como honrar suas d\u00edvidas. Com isso, o calote cresceu, levou a uma queda nos pre\u00e7os dos im\u00f3veis e colapso de grandes empresas, inclusive bancos, gerando impactos na economia norte-americana e mundial.<\/p>\n<p>Era hora de adotar pr\u00e1ticas austeras de governan\u00e7a que se encontravam explicitadas no ESG, aliando-as aos Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) da ONU, criados tr\u00eas anos antes. Ambos possuem uma sinergia em comum \u2013 a cria\u00e7\u00e3o de um futuro sustent\u00e1vel, visando mitigar riscos e impulsionar reputa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O segundo ponto de virada para a consolida\u00e7\u00e3o do ESG, j\u00e1 enraizado nos ODS, veio com a pandemia da Covid-19, que aumentou a press\u00e3o para a participa\u00e7\u00e3o das corpora\u00e7\u00f5es na vida do planeta, seja do ponto social, ambiental ou econ\u00f4mico no sentido de contribuir para fomentar um futuro mais sustent\u00e1vel, essa responsabilidade teria de ser compartilhada.<\/p>\n<p>Um impacto de sa\u00fade p\u00fablica dessa dimens\u00e3o teve uma resposta do mercado e, segundo a Bloomberg, os ativos ESG somaram US$ 38 trilh\u00f5es em 2020, registrando um crescimento de 25% se comparado ao per\u00edodo anterior \u00e0 pandemia, um compromisso do mercado com metas sustent\u00e1veis e com a perspectivas de prosperidade.<\/p>\n<p>Com o vetor da sustentabilidade em prioridade na \u00faltima d\u00e9cada, o ESG vem ampliando a conformidade. Em termos de padroniza\u00e7\u00e3o m\u00e9trica, a Uni\u00e3o Europeia saiu na frente e continua a expandir sua taxonomia verde (mitiga\u00e7\u00e3o das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, prote\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e recursos, restaura\u00e7\u00e3o de biodiversidade ecossistema, preven\u00e7\u00e3o e redu\u00e7\u00e3o da polui\u00e7\u00e3o, transi\u00e7\u00e3o para economia circular e adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas), que define um sistema de classifica\u00e7\u00e3o de sustentabilidade das empresas, inspirando v\u00e1rios pa\u00edses.<\/p>\n<p>A regulamenta\u00e7\u00e3o europeia \u00e9 feita pela Diretiva CSRD (Corporate Sustainability Reporting Directive), a determinar que as companhias divulguem nos relat\u00f3rios ESG seus impactos ambientais e sociais e como suas a\u00e7\u00f5es envolvendo a sustentabilidade afetam seus neg\u00f3cios, a partir do princ\u00edpio da dupla materialidade, ou seja, demonstram impactos dos risos, mas tamb\u00e9m as oportunidades de suas opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No Brasil, recentemente, a Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/cvm\">CVM<\/a>), respons\u00e1vel pelo sistema regulat\u00f3rio, lan\u00e7ou pesquisa sobre a divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es sobre a pauta ESG no mercado de valores mobili\u00e1rios brasileiro para reunir dados sobre o estudo de An\u00e1lise de Resultado Regulat\u00f3rio (ARR), conforme Resolu\u00e7\u00e3o CVM 59, no que concerne \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es ESG no Formul\u00e1rio de Refer\u00eancia.[3]<\/p>\n<p>A Resolu\u00e7\u00e3o CVM 59\/2021 atualizou o arcabou\u00e7o normativo aplic\u00e1vel ao Formul\u00e1rio de Refer\u00eancia, instrumento obrigat\u00f3rio para companhias abertas no Brasil. Entre suas inova\u00e7\u00f5es, a norma passou a exigir a divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es relativas a pr\u00e1ticas ambientais, sociais e de governan\u00e7a, refor\u00e7ando o princ\u00edpio da transpar\u00eancia perante o mercado de capitais.<\/p>\n<p>Embora a obriga\u00e7\u00e3o n\u00e3o delimite padr\u00f5es espec\u00edficos de reporte, a CVM espera que as companhias apresentem informa\u00e7\u00f5es relevantes, consistentes e compar\u00e1veis, de forma a permitir a adequada avalia\u00e7\u00e3o, por parte de investidores e outros stakeholders, dos riscos e oportunidades relacionados a aspectos ESG que possam afetar a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico-financeira ou a estrat\u00e9gia da empresa. A medida representa um avan\u00e7o na integra\u00e7\u00e3o dos fatores ESG ao regime informacional das companhias brasileiras, em alinhamento com tend\u00eancias internacionais.<\/p>\n<p>Ao ter na sustentabilidade seu pilar estrat\u00e9gico, o ESG traz uma nova quest\u00e3o: as metas de sustentabilidade t\u00eam, sim, rela\u00e7\u00e3o com o desempenho financeiro das empresas, por isso a ideia de priorizar a sustentabilidade em detrimento dos lucros est\u00e1 ultrapassada.<\/p>\n<p>Surge na esfera do ESG o conceito de \u201cimpact accounting\u201d, t\u00e3o bem definido pela pesquisadora portuguesa Sofia Conde: \u201cNa pr\u00e1tica, trata-se de quantificar externalidades, ou seja, calcular, por exemplo, o custo ambiental e social de cada tonelada de emiss\u00f5es de gases com efeitos de estufa, ou o valor econ\u00f4mico gerado por melhorias nas condi\u00e7\u00f5es laborais. A monetiza\u00e7\u00e3o destes efeitos permite que investidores, reguladores e consumidores compreendam, de forma objetiva, o impacto monet\u00e1rio das empresas sobre o ambiente e a sociedade\u201d.[4]<\/p>\n<p>Neste contexto de mudan\u00e7as de paradigmas, o ESG caminha para ser um modelo estrat\u00e9gico mais integrado e mensur\u00e1vel para as empresas, com foco real e dotado de valor de longo prazo. H\u00e1 um impacto transformador do ESG, lastreado pela sustentabilidade dentro das corpora\u00e7\u00f5es, influindo na otimiza\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas, no fortalecimento dos stakeholders e na tomada de decis\u00f5es estrat\u00e9gicas.<\/p>\n<p class=\"jota-article__reference\">[1] https:\/www.ifrs.org\/news-and-events\/news\/2024\/06\/issb-delivers-further-harmonisation-of-the-sustainability-disclosure-landscape-new-work-plan\/<\/p>\n<p class=\"jota-article__reference\">[2] https:\/\/www.are.admin.ch\/are\/en\/home\/media\/publications\/sustainable-development\/brundtland-report.html<\/p>\n<p class=\"jota-article__reference\">[3] <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/cvm\/pt-br\/assuntos\/noticias\/2025\/cvm-lanca-pesquisa-sobre-divulgacao-de-informacoes-esg\">https:\/\/www.gov.br\/cvm\/pt-br\/assuntos\/noticias\/2025\/cvm-lanca-pesquisa-sobre-divulgacao-de-informacoes-esg<\/a><\/p>\n<p>[4] https:\/\/www.jornaldenegocios.pt\/opiniao\/detalhe\/do-esg-ao-impact-accounting-uma-nova-oportunidade-para-as-empresas-portuguesas<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que o ESG (boas pr\u00e1ticas ambientais, sociais e de governan\u00e7a) vem evoluindo de maneira robusta nas \u00faltimas d\u00e9cadas, mesmo embutindo inicialmente outras designa\u00e7\u00f5es \u2013 como responsabilidade social corporativa \u2013, tendo consolidado a sustentabilidade como um pilar estrat\u00e9gico, vinculado a padroniza\u00e7\u00f5es e complexidades regulat\u00f3rias, para criar valor dentro das companhias. 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