{"id":11968,"date":"2025-06-14T06:37:22","date_gmt":"2025-06-14T09:37:22","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/06\/14\/ressarcimento-ao-sus-consolidacao-jurisprudencial-e-perspectivas\/"},"modified":"2025-06-14T06:37:22","modified_gmt":"2025-06-14T09:37:22","slug":"ressarcimento-ao-sus-consolidacao-jurisprudencial-e-perspectivas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/06\/14\/ressarcimento-ao-sus-consolidacao-jurisprudencial-e-perspectivas\/","title":{"rendered":"Ressarcimento ao SUS: consolida\u00e7\u00e3o jurisprudencial e perspectivas"},"content":{"rendered":"<p>Durante muito tempo, o ressarcimento ao Sistema \u00danico de Sa\u00fade (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/sus\/\">SUS<\/a>) pelas operadoras de planos de sa\u00fade funcionou como um passivo latente: contabilmente presente, juridicamente poss\u00edvel, mas com exigibilidade condicionada a um marco temporal indefinido, fora do controle do setor regulado.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia de crit\u00e9rios objetivos quanto ao in\u00edcio da contagem do prazo para cobran\u00e7a judicial impunha a necessidade de provisionamento por per\u00edodos indefinidos, comprometendo a estabilidade financeira e a previsibilidade operacional dessas empresas.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/saude?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_saude_q2&amp;utm_id=cta_texto_saude_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_saude&amp;utm_term=cta_texto_saude_meio_materias\"><span>Com not\u00edcias da Anvisa e da ANS, o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Sa\u00fade entrega previsibilidade e transpar\u00eancia para empresas do setor<\/span><\/a><\/h3>\n<p>A recente decis\u00e3o da 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), ao julgar o Tema Repetitivo 1147, representa um marco relevante na defini\u00e7\u00e3o desse regime jur\u00eddico. A corte fixou, com efeito vinculante, o entendimento de que o prazo prescricional para a\u00e7\u00f5es de ressarcimento ao SUS \u00e9 de cinco anos, contados a partir da notifica\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o administrativa que apura os valores devidos, conforme previsto no artigo 32 da Lei 9.656\/1998.<\/p>\n<p>A tese consolidada afasta a aplica\u00e7\u00e3o do prazo trienal previsto no C\u00f3digo Civil, at\u00e9 ent\u00e3o defendido pelo setor, e adota o regime do Decreto n\u00ba 20.910\/1932, tradicionalmente aplic\u00e1vel \u00e0s d\u00edvidas n\u00e3o tribut\u00e1rias da Fazenda P\u00fablica.<\/p>\n<p>O relator, ministro Afr\u00e2nio Vilela, fundamentou sua posi\u00e7\u00e3o nos princ\u00edpios da isonomia e da coer\u00eancia sist\u00eamica entre o setor regulado e a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica.<\/p>\n<p>Esse avan\u00e7o jurisprudencial contribui para resolver diverg\u00eancias que antes existiam no pr\u00f3prio \u00e2mbito da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica. Em anos anteriores, o Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) chegou a sustentar a imprescritibilidade das cobran\u00e7as de ressarcimento, com base no artigo 37, \u00a7 5\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n<p>Esse entendimento, no entanto, foi revisto em 2024, quando a Advocacia-Geral da Uni\u00e3o (AGU), em conjunto com a ANS, obteve o reconhecimento, pelo TCU, da incid\u00eancia do prazo quinquenal. O alinhamento entre os \u00f3rg\u00e3os de controle e a jurisprud\u00eancia consolidada no Poder Judici\u00e1rio configura um passo importante na promo\u00e7\u00e3o de maior seguran\u00e7a jur\u00eddica ao sistema.<\/p>\n<p>A fixa\u00e7\u00e3o clara do termo inicial do prazo prescricional representa, na pr\u00e1tica, um elemento de racionalidade e estabilidade para o setor regulado. Com base nesse entendimento, operadoras de planos de sa\u00fade podem revisar seus passivos, reavaliar riscos cont\u00e1beis e adequar seus processos internos de compliance e auditoria. Essa clareza normativa favorece uma rela\u00e7\u00e3o mais equilibrada entre as obriga\u00e7\u00f5es regulat\u00f3rias e a organiza\u00e7\u00e3o financeira das empresas.<\/p>\n<p>Do ponto de vista processual, a tese fixada tamb\u00e9m traz repercuss\u00f5es importantes para demandas j\u00e1 em curso. Ainda que sua aplica\u00e7\u00e3o retroativa encontre limites em respeito ao princ\u00edpio da seguran\u00e7a jur\u00eddica, processos em fase de execu\u00e7\u00e3o ou com d\u00e9bitos inscritos em d\u00edvida ativa podem ser objeto de reavalia\u00e7\u00e3o, desde que demonstrado que o prazo de cinco anos j\u00e1 havia se esgotado entre a notifica\u00e7\u00e3o administrativa e o ajuizamento da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, operadoras atualmente envolvidas em discuss\u00f5es judiciais ou administrativas sobre ressarcimento ao SUS devem considerar cuidadosamente a an\u00e1lise da data da notifica\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o administrativa que apurou o valor, em conjunto com a data de propositura da a\u00e7\u00e3o ou de inscri\u00e7\u00e3o em d\u00edvida ativa.<\/p>\n<p>A verifica\u00e7\u00e3o de que o prazo quinquenal se esgotou antes da constitui\u00e7\u00e3o da cobran\u00e7a pode justificar a apresenta\u00e7\u00e3o de exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade ou outras medidas processuais cab\u00edveis, com vistas \u00e0 extin\u00e7\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o com base na prescri\u00e7\u00e3o reconhecida pelo STJ.<\/p>\n<p>Essa atua\u00e7\u00e3o jur\u00eddica pode contribuir n\u00e3o apenas para a revers\u00e3o de cobran\u00e7as, mas tamb\u00e9m para a racionaliza\u00e7\u00e3o dos passivos regulat\u00f3rios e financeiros do setor, especialmente no que se refere \u00e0 necessidade de manter valores escriturados por longos per\u00edodos \u00e0 espera da consolida\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito. A possibilidade de afastar obriga\u00e7\u00f5es atingidas pela prescri\u00e7\u00e3o impacta diretamente os registros cont\u00e1beis das operadoras, permitindo que seus balan\u00e7os patrimoniais reflitam com maior precis\u00e3o a real extens\u00e3o de suas obriga\u00e7\u00f5es e a efetiva exposi\u00e7\u00e3o a riscos financeiros.<\/p>\n<p>Ainda que a decis\u00e3o n\u00e3o tenha acolhido integralmente os pleitos originalmente formulados pelas operadoras, ela sinaliza um movimento importante em dire\u00e7\u00e3o a um ambiente regulat\u00f3rio mais previs\u00edvel, tecnicamente orientado e juridicamente est\u00e1vel.<\/p>\n<p>Ao consolidar par\u00e2metros claros sobre o prazo e o marco inicial da prescri\u00e7\u00e3o, o Judici\u00e1rio oferece ao setor um ponto de apoio para reorganizar seus fluxos internos, ajustar estrat\u00e9gias de defesa e planejar com mais transpar\u00eancia sua posi\u00e7\u00e3o cont\u00e1bil e regulat\u00f3ria. Mais do que encerrar uma controv\u00e9rsia jur\u00eddica, essa interpreta\u00e7\u00e3o contribui para o fortalecimento da transpar\u00eancia e da previsibilidade regulat\u00f3ria que pavimenta as bases para um sistema sustent\u00e1vel, confi\u00e1vel e funcional para todos os atores envolvidos.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante muito tempo, o ressarcimento ao Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) pelas operadoras de planos de sa\u00fade funcionou como um passivo latente: contabilmente presente, juridicamente poss\u00edvel, mas com exigibilidade condicionada a um marco temporal indefinido, fora do controle do setor regulado. 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