{"id":11934,"date":"2025-06-13T02:25:48","date_gmt":"2025-06-13T05:25:48","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/06\/13\/copyright-e-inteligencia-artificial-reflexoes-sobre-o-relatorio-do-escritorio-de-direitos-autorais-americano\/"},"modified":"2025-06-13T02:25:48","modified_gmt":"2025-06-13T05:25:48","slug":"copyright-e-inteligencia-artificial-reflexoes-sobre-o-relatorio-do-escritorio-de-direitos-autorais-americano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/06\/13\/copyright-e-inteligencia-artificial-reflexoes-sobre-o-relatorio-do-escritorio-de-direitos-autorais-americano\/","title":{"rendered":"Copyright e intelig\u00eancia artificial: reflex\u00f5es sobre o relat\u00f3rio do Escrit\u00f3rio de Direitos Autorais americano"},"content":{"rendered":"<p><span>O avan\u00e7o da IA generativa intensificou debates sobre o uso de obras protegidas no treinamento dessas tecnologias, especialmente quanto \u00e0 necessidade de consentimento e compensa\u00e7\u00e3o aos titulares, al\u00e9m da viabilidade dessas exig\u00eancias. Como sistemas j\u00e1 foram treinados com grandes volumes de obras, reverter esse cen\u00e1rio \u00e9 praticamente imposs\u00edvel. \u00c0 vista disso, busca-se, um equil\u00edbrio regulat\u00f3rio que permita a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e proteja os direitos dos criadores.<\/span><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\">Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/a><\/h3>\n<p><span>Nesse contexto, o <\/span><a href=\"https:\/\/www.copyright.gov\/ai\/Copyright-and-Artificial-Intelligence-Part-3-Generative-AI-Training-Report-Pre-Publication-Version.pdf\"><span>Escrit\u00f3rio de Direitos Autorais dos Estados Unidos<\/span><\/a><span> (Copyright Office), em cumprimento ao seu dever legal de realizar estudos e aconselhar o Congresso em mat\u00e9ria de direitos autorais, publicou, em agosto de 2023, um Aviso de Consulta P\u00fablica (<\/span><span>Notice of Inquiry \u2013 NOI<\/span><span>), com o objetivo de colher subs\u00eddios t\u00e9cnicos, jur\u00eddicos e f\u00e1ticos sobre o tema. <\/span><\/p>\n<p><span>Este artigo prop\u00f5e-se a examinar o relat\u00f3rio norte-americano, analisando os desafios e as alternativas jur\u00eddicas para o tratamento do uso de obras protegidas no desenvolvimento de sistemas de IA generativa, com especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0s discuss\u00f5es sobre fair use, \u00e0 viabilidade de novos regimes de licenciamento e \u00e0 necessidade de prote\u00e7\u00e3o dos interesses p\u00fablicos e privados envolvidos.<\/span><\/p>\n<h2><span>A Quest\u00e3o Jur\u00eddica: Consentimento e Compensa\u00e7\u00e3o<\/span><\/h2>\n<p><span>A <\/span><span>Copyright Act<\/span><span>, nos Estados Unidos, confere aos titulares de direitos autorais um conjunto de direitos exclusivos: reproduzir, distribuir, executar publicamente e exibir publicamente suas obras, bem como o direito de preparar obras derivadas. Para estabelecer um caso de viola\u00e7\u00e3o, s\u00e3o necess\u00e1rios dois elementos: \u201c(<\/span><span>i<\/span><span>) a titularidade de um direito autoral v\u00e1lido e (<\/span><span>ii<\/span><span>) a c\u00f3pia de elementos constitutivos da obra que sejam originais.\u201d <\/span><\/p>\n<p><span>O relat\u00f3rio analisa o uso de obras protegidas no treinamento de IA, explicando como redes neurais aprendem padr\u00f5es e geram novos conte\u00fados. Embora n\u00e3o seja reprodu\u00e7\u00e3o direta, h\u00e1 d\u00favidas sobre a necessidade de consentimento e compensa\u00e7\u00e3o aos titulares. O debate jur\u00eddico centra-se na doutrina do fair use, especialmente nos EUA, considerando quatro fatores: (<\/span><span>i<\/span><span>) prop\u00f3sito e car\u00e1ter do uso; (<\/span><span>ii<\/span><span>) natureza da obra; (<\/span><span>iii<\/span><span>) quantidade e substancialidade utilizada; e (<\/span><span>iv<\/span><span>) impacto no mercado da obra original.<\/span><\/p>\n<p><span>Conforme a jurisprud\u00eancia norte-americana, <\/span><a href=\"https:\/\/tile.loc.gov\/storage-services\/service\/ll\/usrep\/usrep510\/usrep510569\/usrep510569.pdf\"><span>esses fatores legais n\u00e3o devem ser aplicados de forma autom\u00e1tica<\/span><\/a><span>. <\/span><a href=\"https:\/\/www.supremecourt.gov\/opinions\/20pdf\/18-956_d18f.pdf\"><span>Pelo contr\u00e1rio, eles estabelecem princ\u00edpios gerais, cuja aplica\u00e7\u00e3o exige um equil\u00edbrio judicial, dependendo das circunst\u00e2ncias relevantes<\/span><\/a><span>. O <\/span><span>fair use<\/span><span> \u00e9, fundamentalmente, uma \u201cregra equitativa de razoabilidade. <\/span><a href=\"https:\/\/www.supremecourt.gov\/opinions\/22pdf\/21-869_87ad.pdf\"><span>Trata-se de uma defesa afirmativa, cabendo ao r\u00e9u o \u00f4nus da prova<\/span><\/a><span>. Ao analisar alega\u00e7\u00f5es de <\/span><span>fair use<\/span><span> envolvendo novas tecnologias, os tribunais buscam promover o \u201cobjetivo b\u00e1sico\u201d do direito autoral, que \u00e9 fomentar o progresso, equilibrando a prote\u00e7\u00e3o dos direitos exclusivos dos autores sobre suas obras com a possibilidade de que outros construam sobre essas cria\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span>Finalmente, o relat\u00f3rio conclui que o arcabou\u00e7o jur\u00eddico atual pode lidar com isso, como ocorreu em outras revolu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas. A lei autoral dos EUA historicamente se adaptou, equilibrando progresso e prote\u00e7\u00e3o criativa, o que fortaleceu as ind\u00fastrias cultural e tecnol\u00f3gica. <\/span><\/p>\n<p><span>A discuss\u00e3o, contudo, envolve aspectos econ\u00f4micos e concorrenciais: impor licenciamento estrito pode inviabilizar o treinamento de IA, mas o uso n\u00e3o autorizado pode prejudicar criadores e fragilizar o ecossistema cultural. O relat\u00f3rio analisa alternativas regulat\u00f3rias, destacando o licenciamento volunt\u00e1rio, que preserva autonomia, mas \u00e9 dif\u00edcil de implementar, e o compuls\u00f3rio, ou modelos coletivos, vistos como mais eficazes para garantir compensa\u00e7\u00e3o justa e permitir o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico sem entraves excessivos.<\/span><\/p>\n<h2><span>Tend\u00eancias Internacionais<\/span><\/h2>\n<p><span>Outros pa\u00edses tamb\u00e9m est\u00e3o enfrentando as quest\u00f5es jur\u00eddicas relacionadas ao uso de obras protegidas por direitos autorais no treinamento de modelos de intelig\u00eancia artificial. V\u00e1rios deles j\u00e1 aprovaram exce\u00e7\u00f5es que permitem a minera\u00e7\u00e3o de textos e dados (\u201cText and Data Mining\u201d \u2013 TDM), potencialmente aplic\u00e1veis ao treinamento de IA. Os m\u00e9todos de TDM s\u00e3o anteriores \u00e0s formas atuais de IA generativa.<\/span><\/p>\n<p><span>Na Uni\u00e3o Europeia, a <\/span><a href=\"https:\/\/eur-lex.europa.eu\/eli\/dir\/2019\/790\/oj?locale=pt#:~:text=Diretiva%20(UE)%202019%2F790,relevante%20para%20efeitos%20do%20EEE.)\"><span>Diretiva do Mercado \u00danico Digital de 2019<\/span><\/a><span> criou exce\u00e7\u00f5es para minera\u00e7\u00e3o de texto e dados (TDM). O Artigo 3 permite TDM por institui\u00e7\u00f5es de pesquisa para fins cient\u00edficos, enquanto o Artigo 4 amplia para qualquer entidade com acesso legal, respeitando opt-outs dos titulares. O Ato de IA da UE, de 2024, refor\u00e7ou essa estrutura, exigindo transpar\u00eancia e respeito aos opt-outs, mas ainda h\u00e1 controv\u00e9rsias sobre sua aplica\u00e7\u00e3o ao treinamento de IA generativa e a implementa\u00e7\u00e3o pelos estados-membros.<\/span><\/p>\n<h2><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-jota-principal-lancamento\">Informa\u00e7\u00f5es direto ao ponto sobre o que realmente importa: assine gratuitamente a <span class=\"jota\">JOTA<\/span> Principal, a nova newsletter do <span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/a><\/h2>\n<p><span>O <\/span><a href=\"https:\/\/www.gov.uk\/government\/consultations\/copyright-and-artificial-intelligence\/copyright-and-artificial-intelligence\"><span>Reino Unido<\/span><\/a><span>, por sua vez, enfrenta dilema similar: a lei atual permite c\u00f3pias apenas para pesquisas n\u00e3o comerciais, mas h\u00e1 proposta de ampliar com sistema de opt-out como na UE. Contudo, criadores criticam por ser insuficiente, e empresas alegam que os opt-outs geram custos excessivos.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.gov.il\/BlobFolder\/legalinfo\/machine-learning\/he\/18-12-2022.pdf\"><span>Israel<\/span><\/a><span>, cuja lei de direitos autorais \u00e9 inspirada no sistema norte-americano, emitiu um <\/span><a href=\"https:\/\/www.gov.il\/BlobFolder\/legalinfo\/machine-learning\/he\/18-12-2022.pdf\"><span>parecer em 2022 afirmando que o uso de obras protegidas em <\/span><span>datasets<\/span><span> de machine learning geralmente se qualifica como <\/span><span>fair use<\/span><\/a><span>, desde que o processo seja transformativo e n\u00e3o prejudique o mercado original. No entanto, o governo israelense ressaltou que essa conclus\u00e3o n\u00e3o se estende aos produtos da IA, que devem ser analisados individualmente sob as regras tradicionais de direitos autorais. <\/span><\/p>\n<p><span>No <\/span><a href=\"https:\/\/www.bunka.go.jp\/english\/policy\/copyright\/pdf\/94055801_01.pdf.\"><span>Jap\u00e3o<\/span><\/a><span>, foca-se na inten\u00e7\u00e3o por tr\u00e1s do uso: sua exce\u00e7\u00e3o legal n\u00e3o se aplica se o objetivo for \u201cdesfrutar\u201d da express\u00e3o criativa da obra original, como reproduzir estilos art\u00edsticos ou liter\u00e1rios. Recentemente, o governo japon\u00eas esclareceu que at\u00e9 mesmo um prop\u00f3sito parcial de \u201cdesfrute\u201d pode invalidar a exce\u00e7\u00e3o, criando uma barreira significativa para o treinamento de IA generativa que imite obras protegidas.<\/span><\/p>\n<p><span>A China adota uma abordagem cautelosa e em evolu\u00e7\u00e3o sobre o uso de obras protegidas no treinamento de IA generativa. Embora sua Lei de Direitos Autorais n\u00e3o preveja uma exce\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para minera\u00e7\u00e3o de dados, uma cl\u00e1usula aberta pode permitir futuras interpreta\u00e7\u00f5es. Recentemente, tribunais chineses come\u00e7aram a julgar casos sobre IA, como uma <\/span><a href=\"https:\/\/archive.org\/details\/scla-v-ai-company-guangzhou-internet-court-02082024-with-english-translation\"><span>decis\u00e3o de 2024 que responsabilizou um provedor por infra\u00e7\u00f5es cometidas por usu\u00e1rios<\/span><\/a><span>. Al\u00e9m disso, o governo emitiu <\/span><a href=\"https:\/\/www.scmp.com\/news\/china\/politics\/article\/3301639\/chinas-supreme-court-puts-ai-protections-its-2025-agenda\"><span>regula\u00e7\u00f5es administrativas<\/span><\/a><span> exigindo respeito aos direitos de propriedade intelectual e, em 2025, refor\u00e7ou seu apoio estrat\u00e9gico ao desenvolvimento da IA.<\/span><\/p>\n<p><span>Por fim, cabe ressaltar que a mat\u00e9ria ainda n\u00e3o foi regulada no <\/span><a href=\"https:\/\/www25.senado.leg.br\/web\/atividade\/materias\/-\/materia\/157233.\"><span>Brasil<\/span><\/a><span>, em debate n<\/span><span>o Projeto de Lei 2338\/2023. A proposta sugere modelos alternativos de compensa\u00e7\u00e3o financeira, em que empresas de IA paguem aos titulares pelos usos de suas obras no treinamento, com valores ajustados conforme o porte do modelo e seu impacto no mercado. <\/span><\/p>\n<h2><span><span><span>Conclus\u00f5es<\/span><\/span><\/span><\/h2>\n<p><span><span><span>O relat\u00f3rio \u201c<\/span><\/span><\/span><span><span><span>Copyright and Artificial Intelligence, Part 3: Generative AI Training<\/span><\/span><\/span><span><span><span>\u201d contribui ao debate sobre direitos autorais e IA, ao analisar aspectos t\u00e9cnicos, jur\u00eddicos e econ\u00f4micos, servindo de inspira\u00e7\u00e3o para o debate no Brasil. O desafio central \u00e9 equilibrar a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica com a prote\u00e7\u00e3o aos criadores. Conclui-se pela necessidade de regula\u00e7\u00f5es flex\u00edveis e adapt\u00e1veis, que acompanhem o progresso, garantindo benef\u00edcios sociais sem prejudicar os direitos dos autores.<\/span><\/span><\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O avan\u00e7o da IA generativa intensificou debates sobre o uso de obras protegidas no treinamento dessas tecnologias, especialmente quanto \u00e0 necessidade de consentimento e compensa\u00e7\u00e3o aos titulares, al\u00e9m da viabilidade dessas exig\u00eancias. 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