{"id":11722,"date":"2025-06-05T16:54:39","date_gmt":"2025-06-05T19:54:39","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/06\/05\/o-congresso-que-aqueceu-o-planeta-deputados-pro-emissoes-dominaram-agenda-ambiental\/"},"modified":"2025-06-05T16:54:39","modified_gmt":"2025-06-05T19:54:39","slug":"o-congresso-que-aqueceu-o-planeta-deputados-pro-emissoes-dominaram-agenda-ambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/06\/05\/o-congresso-que-aqueceu-o-planeta-deputados-pro-emissoes-dominaram-agenda-ambiental\/","title":{"rendered":"O Congresso que aqueceu o planeta: deputados pr\u00f3-emiss\u00f5es dominaram agenda ambiental"},"content":{"rendered":"<p><span>A ministra <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/energia\/apos-embates-acalorados-com-senadores-marina-silva-se-retira-de-audiencia-publica-no-senado\">Marina Silva enfrentou ataques mis\u00f3ginos<\/a> no Senado na semana passada, incluindo a fala de um senador dizendo que \u201ca mulher merece respeito, a ministra n\u00e3o\u201d. <\/span><\/p>\n<p><span>O epis\u00f3dio ilustra um fen\u00f4meno mais amplo e, agora, cientificamente comprovado: o Congresso brasileiro tem sido majoritariamente hostil \u00e0 agenda clim\u00e1tica que Marina representa.<\/span><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-jota-principal-lancamento\">Informa\u00e7\u00f5es direto ao ponto sobre o que realmente importa: assine gratuitamente a <span class=\"jota\">JOTA<\/span> Principal, a nova newsletter do <span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/a><\/h3>\n<p><span>O ataque \u00e0 ministra n\u00e3o foi um caso isolado de desrespeito, mas sintoma de uma resist\u00eancia estrutural \u00e0 pol\u00edtica ambiental que marca o Legislativo brasileiro. Uma pesquisa in\u00e9dita do INCT-ReDem comprova essa hostilidade atrav\u00e9s de dados concretos: durante toda a 56\u00aa legislatura (2019-2022), a <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/camara-dos-deputados\">C\u00e2mara dos Deputados<\/a> teve postura predominantemente emissora de gases de efeito estufa.<\/span><\/p>\n<h3><span>A ci\u00eancia por tr\u00e1s dos \u2018deputados carb\u00f4nicos\u2019<\/span><\/h3>\n<p><span>O estudo criou o CO2-Index, ferramenta que mede o impacto clim\u00e1tico da atua\u00e7\u00e3o parlamentar. Analisando mais de 600 vota\u00e7\u00f5es nominais, 2.400 projetos de lei e centenas de discursos, os pesquisadores avaliaram se cada a\u00e7\u00e3o legislativa favorecia ou dificultava a emiss\u00e3o de gases de efeito estufa.<\/span><\/p>\n<p><span>Usando dados do Sistema de Estimativas de Emiss\u00f5es e Remo\u00e7\u00f5es de Gases de Efeito Estufa (SEEG), a metodologia consiste em classificar cada proposi\u00e7\u00e3o como emissora ou mitigadora e associ\u00e1-la aos setores econ\u00f4micos respons\u00e1veis pelas emiss\u00f5es. O \u00edndice combina tr\u00eas vari\u00e1veis das a\u00e7\u00f5es legislativas: vota\u00e7\u00f5es nominais, discursos em plen\u00e1rio e projetos propostos.<\/span><\/p>\n<p><span>O resultado \u00e9 contundente: a mediana do CO2-Index foi positiva, indicando que a maioria dos deputados pontuou acima de 0, revelando comportamento pr\u00f3-emiss\u00f5es. Em suma, em uma escala em que valores negativos representam a\u00e7\u00f5es mitigadoras e positivos indicam posturas emissoras, a C\u00e2mara ficou claramente no campo antiambiental.<\/span><\/p>\n<p><span>O deputado mais emissor foi Paulo Ganime (Novo-RJ), enquanto Nilto Tatto (PT-SP) ocupou o posto de maior mitigador. Essa polariza\u00e7\u00e3o reflete um achado central da pesquisa, uma vez que \u00e9 poss\u00edvel afirmar uma forte correla\u00e7\u00e3o entre posicionamentos emissores e ideologia de direita.<\/span><\/p>\n<h3><span>Agroneg\u00f3cio como epicentro das disputas clim\u00e1ticas<\/span><\/h3>\n<p><span>A pesquisa confirma as suspeitas apontadas pela literatura sobre a influ\u00eancia do setor agropecu\u00e1rio nas pol\u00edticas ambientais. Parlamentares ligados \u00e0 Frente Parlamentar da Agropecu\u00e1ria (FPA) apresentaram maior propens\u00e3o a emitir, sendo o setor agropecu\u00e1rio o que mais aparece em vota\u00e7\u00f5es e projetos relacionados \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/span><\/p>\n<p><span>A supremacia do agro nas disputas ambientais n\u00e3o surpreende quem acompanha o Congresso, mas agora temos evid\u00eancias cient\u00edficas. Em uma regress\u00e3o linear m\u00faltipla testando a influ\u00eancia de diferentes setores, a FPA mostrou a maior signific\u00e2ncia estat\u00edstica para comportamentos emissores. At\u00e9 mesmo a Frente da Minera\u00e7\u00e3o, outro setor prim\u00e1rio extrativista, ficou atr\u00e1s da agropecu\u00e1ria, embora esta tamb\u00e9m apresente rela\u00e7\u00e3o com as emiss\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span>Isso ajuda a entender por que Marina Silva enfrenta tanta resist\u00eancia. Como defensora hist\u00f3rica de pol\u00edticas ambientais e funcionando como uma esp\u00e9cie de contraponto ao comportamento emissor do atual governo de Lula, ela representa o oposto exato dos interesses que dominaram o Congresso durante o governo Bolsonaro e que seguem persistindo at\u00e9 ent\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span>Marina est\u00e1 longe de ser uma defensora ambientalista radical, tendo acumulado algumas contradi\u00e7\u00f5es em sua trajet\u00f3ria \u2013 especialmente ao se relacionar com setores ecocapitalistas da economia \u2013 e isso diz, na verdade, mais sobre o Congresso: nem mesmo o ambientalismo mais moderado passa pelo crivo da bancada da devasta\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><span>Implica\u00e7\u00f5es para a democracia e o clima<\/span><\/h3>\n<p><span>Os achados de nossa pesquisa t\u00eam peso pol\u00edtico e ambiental. Primeiro, revelam que durante um per\u00edodo crucial para o combate \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u2013 quando o mundo debatia metas mais ambiciosas e o Brasil enfrentava recordes de desmatamento \u2013 nosso Congresso atuou majoritariamente na contram\u00e3o da ci\u00eancia clim\u00e1tica.<\/span><\/p>\n<p><span>Segundo, demonstram como interesses econ\u00f4micos espec\u00edficos conseguem moldar a agenda legislativa mesmo quando essa agenda contraria consensos cient\u00edficos globais. A influ\u00eancia desproporcional do agroneg\u00f3cio nas decis\u00f5es ambientais sugere um problema de representa\u00e7\u00e3o: setores econ\u00f4micos particulares t\u00eam mais peso que o interesse p\u00fablico geral na preserva\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica.<\/span><\/p>\n<p><span>A correla\u00e7\u00e3o entre ideologia de direita e posi\u00e7\u00f5es antiambientais tamb\u00e9m indica que a quest\u00e3o clim\u00e1tica se tornou ref\u00e9m da polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Isso prejudica a constru\u00e7\u00e3o de consensos necess\u00e1rios para enfrentar um problema que deveria unir todos os espectros pol\u00edticos, j\u00e1 que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas afetam a sociedade inteira.<\/span><\/p>\n<h3><span>O que podemos esperar daqui para frente?<\/span><\/h3>\n<p><span>Com a nova legislatura e o retorno de Lula ao poder, o cen\u00e1rio pode mudar, mas os dados mostram que a resist\u00eancia estrutural \u00e0 agenda ambiental no Congresso vai al\u00e9m de governos espec\u00edficos. Marina Silva volta a enfrentar as mesmas for\u00e7as que a fizeram deixar o governo do petista em 2008, e que agora atacam sua legitimidade como ministra.<\/span><\/p>\n<p><span>O CO2-Index oferece uma ferramenta in\u00e9dita para monitorar se essa din\u00e2mica mudar\u00e1. Pela primeira vez, \u00e9 poss\u00edvel medir objetivamente o impacto clim\u00e1tico da atividade legislativa e cobrar dos parlamentares uma postura coerente com os desafios da nossa \u00e9poca. Resta saber se os deputados da 57\u00aa legislatura ter\u00e3o coragem de agir diferente dos seus antecessores \u201ccarb\u00f4nicos\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span>Outra continuidade do estudo que estamos desenvolvendo investiga se os deputados mais \u201ccarb\u00f4nicos\u201d t\u00eam v\u00ednculos diretos com setores econ\u00f4micos altamente poluentes. Atrav\u00e9s do mapeamento das trajet\u00f3rias profissionais dos parlamentares, buscaremos identificar propriedades rurais, participa\u00e7\u00e3o em empresas do agroneg\u00f3cio ou minera\u00e7\u00e3o e v\u00ednculos com entidades que defendem esses interesses. <\/span><\/p>\n<p><span>A pesquisa tamb\u00e9m analisar\u00e1 os discursos desses deputados para entender como constroem suas narrativas sobre meio ambiente, comparando-as com o discurso dos pr\u00f3prios setores econ\u00f4micos. O objetivo \u00e9 revelar se existe uma \u201cporta girat\u00f3ria\u201d entre o Congresso e os grandes emissores de gases de efeito estufa, ajudando a explicar por que a agenda clim\u00e1tica encontra tanta resist\u00eancia no Parlamento brasileiro.<\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ministra Marina Silva enfrentou ataques mis\u00f3ginos no Senado na semana passada, incluindo a fala de um senador dizendo que \u201ca mulher merece respeito, a ministra n\u00e3o\u201d. O epis\u00f3dio ilustra um fen\u00f4meno mais amplo e, agora, cientificamente comprovado: o Congresso brasileiro tem sido majoritariamente hostil \u00e0 agenda clim\u00e1tica que Marina representa. 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