{"id":11475,"date":"2025-06-02T17:04:06","date_gmt":"2025-06-02T20:04:06","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/06\/02\/congresso-propoe-fim-da-reeleicao-para-aumentar-proprios-poderes\/"},"modified":"2025-06-02T17:04:06","modified_gmt":"2025-06-02T20:04:06","slug":"congresso-propoe-fim-da-reeleicao-para-aumentar-proprios-poderes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/06\/02\/congresso-propoe-fim-da-reeleicao-para-aumentar-proprios-poderes\/","title":{"rendered":"Congresso prop\u00f5e fim da reelei\u00e7\u00e3o para aumentar pr\u00f3prios poderes"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o h\u00e1 limites para a gan\u00e2ncia, diz a sabedoria popular. Os gananciosos est\u00e3o sempre insatisfeitos e querem sempre mais para satisfazer sua infind\u00e1vel ambi\u00e7\u00e3o. Essa m\u00e1xima, infelizmente, tem ca\u00eddo como uma luva quando se trata do Congresso Nacional.<\/p>\n<p>N\u00e3o satisfeitos com o controle de bilh\u00f5es do Or\u00e7amento entregues pelo governo de Jair Bolsonaro (PL) em 2020 por via do chamado \u201cor\u00e7amento secreto\u201d, o qual vem se metamorfoseando em outras medidas para burlar proibi\u00e7\u00f5es do Supremo Tribunal Federal (STF), os parlamentares continuam sua investida por mais poderes at\u00e9 tornarem o presidente da Rep\u00fablica o seu ref\u00e9m.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/h3>\n<p>Agora a ofensiva vem por meio da <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/legislativo\/ccj-do-senado-aprova-fim-da-reeleicao-para-chefes-do-executivo-e-mandatos-de-5-anos\">aprova\u00e7\u00e3o na Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a do Senado da PEC 12\/2022<\/a>, que prev\u00ea o fim da reelei\u00e7\u00e3o para os cargos de presidente, governador (ambos a partir de 2030) e prefeito (este a partir de 2028). O projeto estabelece ainda um mandato de cinco anos para todos os cargos eletivos (Executivos e Legislativos) e unifica os pleitos para todos os cargos a partir de 2034.<\/p>\n<p>Se aprovado, o projeto representar\u00e1 uma mudan\u00e7a hist\u00f3rica no sistema eleitoral brasileiro, alterando significativamente a din\u00e2mica pol\u00edtica do pa\u00eds. A mat\u00e9ria ir\u00e1 agora para an\u00e1lise em plen\u00e1rio, com pedido de urg\u00eancia, embora os trechos que modificam a dura\u00e7\u00e3o de mandatos e unificam as elei\u00e7\u00f5es municipais e nacionais encontrem resist\u00eancias no Senado. Pela amplitude dos temas, neste artigo focaremos principalmente na quest\u00e3o da reelei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Epis\u00f3dios como esse ocorrem de tempos em tempos quando o pa\u00eds se encontra em crises pol\u00edticas (reais ou fabricadas), momentos estes quando o Legislativo busca ent\u00e3o aumentar suas prerrogativas. O mais recente deles, antes da cria\u00e7\u00e3o \u201cor\u00e7amento secreto\u201d durante o governo Bolsonaro, aconteceu em 2021, <a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/politica\/ultimas-noticias\/2021\/07\/19\/lira-semipresidencialismo-arthur-lira.htm\">quando o ent\u00e3o presidente da C\u00e2mara, Arthur Lira (PP-AL), defendeu a ideia do \u201csemipresidencialismo\u201d<\/a>, que, para ele, deveria entrar em vigor nas elei\u00e7\u00f5es de 2026, visando \u201cdiminuir a instabilidade cr\u00f4nica que o Brasil vive h\u00e1 muito tempo\u201d.<\/p>\n<p>O modelo, adotado em pa\u00edses como Fran\u00e7a e Portugal, aumenta o poder do Congresso ao criar a figura do primeiro-ministro. Nesse sistema, o presidente da Rep\u00fablica, eleito pelo voto direto, torna-se o chefe de Estado, e a chefia de governo passa para o primeiro-ministro, eleito pelo Parlamento.<\/p>\n<p>O or\u00e7amento secreto, que ainda \u00e9 fonte de conflitos entre Executivo e Legislativo, levou a um crescente controle, por parte do Legislativo, de verbas que antes eram de responsabilidade do Executivo. Como governar algo nunca fez parte das capacidades de Bolsonaro e, durante sua gest\u00e3o, o ex-presidente esteve acuado por pedidos de impeachment e por investiga\u00e7\u00f5es de ilegalidades, como as \u201crachadinhas\u201d de seu filho Fl\u00e1vio Bolsonaro (PL-RJ), ele decidiu delegar ao Congresso a governan\u00e7a de fato do pa\u00eds, criando um monstro que, de l\u00e1 para c\u00e1, s\u00f3 vem crescendo e buscando aumentar a sua fatia de controle do Or\u00e7amento.<\/p>\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o, o governo, por meio da negocia\u00e7\u00e3o e da concess\u00e3o de cargos e verbas federais, negociava com o Legislativo a aprova\u00e7\u00e3o das suas pautas e ia, \u00e0 medida que seus projetos eram aprovados, liberando os recursos de sua responsabilidade por meio de emendas. Essa era a l\u00f3gica do regime conhecido como \u201cpresidencialismo de coaliz\u00e3o\u201d, express\u00e3o criada pelo cientista pol\u00edtico S\u00e9rgio Abranches que seria utilizada at\u00e9 o governo anterior para indicar a forma de se governar no Brasil, \u00fanico pa\u00eds que combina o presidencialismo com proporcionalidade e multipartidarismo no Legislativo. Tal cen\u00e1rio for\u00e7ava o Executivo a se organizar com base em grandes coaliz\u00f5es.<\/p>\n<p>Ao romper com essa l\u00f3gica no seu mandato, Bolsonaro acabou provocando uma hipertrofia do Congresso, que continua buscando cada vez mais controle sobre os recursos do Estado, visando assim diminuir a sua depend\u00eancia do Executivo. Isso resultou em uma fratura na forma de governar o pa\u00eds at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Antes disso, por\u00e9m, a rela\u00e7\u00e3o entre governo e parlamentares j\u00e1 havia come\u00e7ado a sofrer maiores ataques durante o segundo governo de Dilma Rousseff (PT), quando a crise entre Executivo e Legislativo acabou resultando no impeachment da presidente.<\/p>\n<p>Portanto, o fim da reelei\u00e7\u00e3o para cargos do Executivo e o aumento dos mandatos dos deputados para cinco anos com reelei\u00e7\u00e3o indefinida representam mais uma estaca no cora\u00e7\u00e3o dessa rela\u00e7\u00e3o j\u00e1 moribunda entre os Poderes da Rep\u00fablica. Soma-se a isso o fato de que tudo est\u00e1 sendo feito sem nenhuma discuss\u00e3o com a sociedade, que segue completamente alheia \u00e0s mudan\u00e7as que est\u00e3o sendo realizadas e que as afetam de forma direta.<\/p>\n<p>As solu\u00e7\u00f5es para os problemas da democracia n\u00e3o passam por menos democracia, mas por mais democracia. \u00c9 preciso criar uma democracia de alta intensidade com ampla e constante participa\u00e7\u00e3o popular que promova mais mecanismos de participa\u00e7\u00e3o direta dos indiv\u00edduos e grupos sociais.<\/p>\n<p>Apesar de suas qualidades e defeitos, as altera\u00e7\u00f5es propostas pelo Senado poderiam ser discutidas junto a outras ideias que t\u00eam potencial para gerar mudan\u00e7as qualitativas de fato na vida pol\u00edtica do pa\u00eds, como a cria\u00e7\u00e3o do financiamento p\u00fablico exclusivo de campanhas e o fortalecimento de institui\u00e7\u00f5es de controle, bem como a elabora\u00e7\u00e3o de um mecanismo de \u201crecall\u201d a cada dois anos que permitiria ao povo acompanhar de perto e avaliar periodicamente seus representantes.<\/p>\n<p>Em uma sociedade marcada pela quase inexist\u00eancia de debate com a popula\u00e7\u00e3o nas tomadas de decis\u00e3o do Estado, fruto de um sistema \u201cdemocr\u00e1tico\u201d regido\u00a0 pelas elites, de baixa inclus\u00e3o social e cujos partidos pol\u00edticos surgem dentro de gabinetes do Congresso, sem necessariamente representarem vozes reais das ruas, \u00e9 preciso estar muito atento para quaisquer altera\u00e7\u00f5es no sistema pol\u00edtico. Seguindo a pior tradi\u00e7\u00e3o brasileira, corre-se o risco de que se \u201cmude tudo para que tudo permane\u00e7a como est\u00e1\u201d, com o povo afastado das decis\u00f5es reais do pa\u00eds.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o h\u00e1 limites para a gan\u00e2ncia, diz a sabedoria popular. Os gananciosos est\u00e3o sempre insatisfeitos e querem sempre mais para satisfazer sua infind\u00e1vel ambi\u00e7\u00e3o. Essa m\u00e1xima, infelizmente, tem ca\u00eddo como uma luva quando se trata do Congresso Nacional. 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