{"id":11250,"date":"2025-05-24T20:57:47","date_gmt":"2025-05-24T23:57:47","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/05\/24\/o-novo-codigo-eleitoral-e-acoes-afirmativas\/"},"modified":"2025-05-24T20:57:47","modified_gmt":"2025-05-24T23:57:47","slug":"o-novo-codigo-eleitoral-e-acoes-afirmativas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/05\/24\/o-novo-codigo-eleitoral-e-acoes-afirmativas\/","title":{"rendered":"O (novo) c\u00f3digo eleitoral e a\u00e7\u00f5es afirmativas"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 mais de 20 anos, a vit\u00f3ria da sociedade civil no enfrentamento da sub-representa\u00e7\u00e3o das mulheres nos espa\u00e7os de poder foi feita a partir da conquista da cota de g\u00eanero em candidaturas.<\/p>\n<p>Mais recentemente, esse debate se ampliou com a aprova\u00e7\u00e3o da cota \u00e9tnico-racial, que determina a distribui\u00e7\u00e3o proporcional de recursos do fundo eleitoral entre candidaturas negras, a partir das elei\u00e7\u00f5es de 2020. E ainda que tenhamos evolu\u00eddo para discutir a\u00e7\u00f5es afirmativas na legisla\u00e7\u00e3o eleitoral, as mudan\u00e7as t\u00eam acontecido de maneira ainda singela (na C\u00e2mara dos Deputados, mulheres s\u00e3o 17,7% e pessoas negras s\u00e3o 18%).<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/h3>\n<p>Agora, pr\u00f3ximo da audi\u00eancia p\u00fablica sobre o novo C\u00f3digo Eleitoral no Senado, marcada para maio, nos deparamos com uma proposta legislativa que, sob o pretexto de \u201caperfei\u00e7oar o sistema\u201d, pode, na verdade, promover um grave retrocesso nos direitos pol\u00edticos das mulheres.<\/p>\n<p>O quarto relat\u00f3rio do senador Marcelo Castro (PP-PI) sobre o <a href=\"https:\/\/www25.senado.leg.br\/web\/atividade\/materias\/-\/materia\/149849\">PLP 112\/2021<\/a>, em vez de obrigar os partidos a preencherem o m\u00ednimo de 30% de candidaturas de mulheres, como prev\u00ea a legisla\u00e7\u00e3o atual, passa a prever apenas a \u201creserva\u201d das vagas, sem obrigatoriedade de preenchimento.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o relator prop\u00f5e eliminar a san\u00e7\u00e3o de cassa\u00e7\u00e3o de chapas por fraude \u00e0 cota de g\u00eanero \u2014 uma medida que pune os partidos pol\u00edticos, j\u00e1 que, recorrentemente, a anistia se torna um processo naturalizado ao descumprimento dessas regras. E embora proponha uma reserva de cadeiras de 20% para mulheres eleitas, essa solu\u00e7\u00e3o isolada pode se tornar um teto e n\u00e3o um piso, criando distor\u00e7\u00f5es no sistema proporcional e limitando a diversidade entre as eleitas.<\/p>\n<p>Explico: como aponta o \u201cObservat\u00f3rio de viol\u00eancia pol\u00edtica contra a mulher\u201d em sua an\u00e1lise t\u00e9cnica, a proposta enfraquece a pol\u00edtica de cotas e ignora outras solu\u00e7\u00f5es poss\u00edveis, como a responsabiliza\u00e7\u00e3o de dirigentes partid\u00e1rios em casos de fraude ou a manuten\u00e7\u00e3o das cotas em conjunto com a reserva de cadeiras \u2013 uma estrat\u00e9gia para manter a pluralidade das candidaturas e n\u00e3o incentivar apenas que as mulheres disputem entre si os 20%, enquanto os homens disputam os 80%.<\/p>\n<p>Para quem atua com rela\u00e7\u00f5es governamentais, compreender os desdobramentos do novo C\u00f3digo Eleitoral vai al\u00e9m de acompanhar uma mudan\u00e7a legislativa: trata-se de entender como essas transforma\u00e7\u00f5es reconfiguram o ambiente pol\u00edtico, alterando os perfis dos atores com os quais se estabelecer\u00e3o as interlocu\u00e7\u00f5es institucionais.<\/p>\n<p>A redefini\u00e7\u00e3o das regras eleitorais afeta a din\u00e2mica de representa\u00e7\u00e3o institucional e a forma como a agenda p\u00fablica ser\u00e1 negociada nos pr\u00f3ximos ciclos legislativos. Em outras palavras, o novo C\u00f3digo Eleitoral pode n\u00e3o apenas redistribuir o tabuleiro, mas mudar as regras do jogo \u2014 e quem atua com rela\u00e7\u00f5es governamentais precisa compreender, desde j\u00e1, o impacto dessa virada.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 em jogo n\u00e3o \u00e9 apenas a forma, mas o futuro da representa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica no Brasil. Mais uma vez, a sociedade civil se articula para pressionar uma a\u00e7\u00e3o frente \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o que pode impactar a cara de quem faz a pol\u00edtica brasileira, articulando para que organiza\u00e7\u00f5es como o \u201cPacto pela Democracia\u201d, que re\u00fane diversas ONGs, possam ter voz no processo de discuss\u00e3o das novas regras eleitorais.<\/p>\n<p>Segundo um estudo recente da FGV, que analisou 36 anos de atua\u00e7\u00e3o parlamentar, as mulheres pretas apresentam mais projetos pr\u00f3-direitos das mulheres, mas ocupam apenas 2,5% das cadeiras e raramente assumem lideran\u00e7as. Ter mais mulheres eleitas, respeitando as diversidades que temos desta representa\u00e7\u00e3o no Brasil, \u00e9 apoiar a constru\u00e7\u00e3o de avan\u00e7os pela equidade de g\u00eanero.<\/p>\n<p>Por ora, como profissional do campo de rela\u00e7\u00f5es governamentais, resta a pergunta: avan\u00e7aremos na garantia de uma democracia mais representativa ou aceitaremos retrocessos que limitem quem pode ocupar o poder?<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 mais de 20 anos, a vit\u00f3ria da sociedade civil no enfrentamento da sub-representa\u00e7\u00e3o das mulheres nos espa\u00e7os de poder foi feita a partir da conquista da cota de g\u00eanero em candidaturas. 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