{"id":11232,"date":"2025-05-23T16:17:22","date_gmt":"2025-05-23T19:17:22","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/05\/23\/um-pais-sem-pais\/"},"modified":"2025-05-23T16:17:22","modified_gmt":"2025-05-23T19:17:22","slug":"um-pais-sem-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/05\/23\/um-pais-sem-pais\/","title":{"rendered":"Um pa\u00eds sem pais"},"content":{"rendered":"<p>Meu filho nasceu no mesmo ano em que o meu pai morreu. A diferen\u00e7a de alguns poucos meses entre o \u00f3bito de um e o nascimento do outro impossibilitou que o av\u00f4, que a vida toda foi ausente da minha vida, conhecesse o neto. Como muitos brasileiros, fui um filho sem um pai.<\/p>\n<p>Dados da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil) mostram que, entre janeiro de 2016 e abril de 2025, 1.407.800 crian\u00e7as foram registradas apenas com o nome da m\u00e3e. Isso significa 5,57% de todos os nascimentos no pa\u00eds nesse per\u00edodo.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias?utm_source=jota&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=23-09-2024-jota-lp-eleicoes-2024-eleicoes-2024-none-audiencias-none&amp;utm_content=eleicoes-2024&amp;utm_term=none\"><span>Assine gratuitamente a newsletter \u00daltimas Not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> e receba as principais not\u00edcias jur\u00eddicas e pol\u00edticas do dia no seu email<\/span><\/a><\/h3>\n<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma estat\u00edstica: \u00e9 como se toda a popula\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m tivesse nascido marcada pela aus\u00eancia. Ou, se preferir imaginar, s\u00e3o 18 Maracan\u00e3s lotados \u2014 n\u00e3o de torcedores, mas de filhos sem pai. O Gr\u00e1fico 1 ilustra a propor\u00e7\u00e3o de pais ausentes no registro de nascimento de crian\u00e7as no Brasil.<\/p>\n\n<p>A linha pontilhada vermelha ilustra a m\u00e9dia. Esse indicador tem crescido. A propor\u00e7\u00e3o de registros sem o nome do pai passou de 5,28% em 2016 para 6,59% em 2025, um aumento de quase 25%. O ano de 2017 destoa da tend\u00eancia geral, possivelmente devido a problemas de qualidade nos dados, e n\u00e3o a mudan\u00e7as s\u00fabitas no comportamento paterno nacional. Vejamos agora a propor\u00e7\u00e3o de pais ausentes no registro de nascimento dos seus filhos por unidade da federa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<p>Roraima (10,6%) e Amap\u00e1 (10,2%) lideram o ranking. Por l\u00e1, a cada dez crian\u00e7as nascidas, uma vai viver a vida sem ver o nome do pai impresso na certid\u00e3o de nascimento. Comparativamente, as regi\u00f5es Norte (8,07%) e Nordeste (6,09%) exibem maior preval\u00eancia desse fen\u00f4meno. No Centro-Oeste esse percentual \u00e9 de 5,44%. Sudeste (4,93%) e Sul (4,61%) conservam percentuais mais reduzidos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/economia\/pedro-fernando-nery\/falta-pai\/?srsltid=AfmBOop5gpOlKFH64VmWavVsDlQjJHSGVE17wWbPiKimV3Pjlw9VqLhe\">Em coluna publicada no Estad\u00e3o<\/a>, o economista Pedro Nery abordou esse tema e destacou o livro <em>O privil\u00e9gio dos dois pais<\/em>, de Melissa Kearney. Confesso que ainda n\u00e3o li, mas imagino que a obra deve corroborar um achado cient\u00edfico bastante robusto: ter dois pais \u00e9 melhor do que ter apenas um. E ter pai e m\u00e3e de qualidade \u00e9 ainda melhor.<\/p>\n<p>Artigo <a href=\"https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC7467705\/\">publicado na revista Science<\/a> demostra que a aus\u00eancia do pai em roedores leva a altera\u00e7\u00f5es comportamentais significativas, como menor sociabilidade e maior ansiedade. J\u00e1 uma <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-025-89467-2\">pesquisa publicada na Nature<\/a> indica que a perda de um dos pais durante a inf\u00e2ncia est\u00e1 associada a altera\u00e7\u00f5es significativas no desenvolvimento psicol\u00f3gico e emocional, incluindo padr\u00f5es de apego inseguros e menor abertura a novas experi\u00eancias.<\/p>\n<p>Para quem se interessa pela base cient\u00edfica desse debate, recomendo tamb\u00e9m \u201cO novo papel do pai\u201d, de Paul Raeburn. O texto explora descobertas recentes sobre como a paternidade influencia o desenvolvimento infantil. O autor analisa estudos em neuroci\u00eancia, gen\u00e9tica e psicologia para desmistificar estere\u00f3tipos sobre o papel paterno. Pedro encerra o seu texto com uma provoca\u00e7\u00e3o urgente: \u201cComo deve ser a pol\u00edtica social diante da escassez de pais?\u201d.<\/p>\n<p>Pessoalmente, tenho um compromisso: n\u00e3o quero reproduzir o mesmo tipo de paternidade que me foi oferecido. Quero fazer diferente. Mas, se voc\u00ea quiser reproduzir os gr\u00e1ficos deste artigo ou reutilizar os dados, basta entrar neste <a href=\"https:\/\/osf.io\/bgver\/\">link<\/a>, fazer download da planilha e executar no R. Os dados originais est\u00e3o dispon\u00edveis para consulta no <a href=\"https:\/\/transparencia.registrocivil.org.br\/painel-registral\/pais-ausentes\">Portal da Transpar\u00eancia<\/a>.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meu filho nasceu no mesmo ano em que o meu pai morreu. A diferen\u00e7a de alguns poucos meses entre o \u00f3bito de um e o nascimento do outro impossibilitou que o av\u00f4, que a vida toda foi ausente da minha vida, conhecesse o neto. 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