{"id":11156,"date":"2025-05-21T08:02:22","date_gmt":"2025-05-21T11:02:22","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/05\/21\/rio-como-hub-digital-incentivos-fiscais-na-corrida-global-por-data-centers\/"},"modified":"2025-05-21T08:02:22","modified_gmt":"2025-05-21T11:02:22","slug":"rio-como-hub-digital-incentivos-fiscais-na-corrida-global-por-data-centers","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/05\/21\/rio-como-hub-digital-incentivos-fiscais-na-corrida-global-por-data-centers\/","title":{"rendered":"Rio como hub digital: incentivos fiscais na corrida global por data centers"},"content":{"rendered":"<p>A expans\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/inteligencia-artificial\">intelig\u00eancia artificial<\/a> tem elevado os padr\u00f5es de exig\u00eancia dos <em>data centers<\/em> \u2014 ou Centros de Processamento de Dados. A crescente demanda por armazenamento, processamento e seguran\u00e7a da informa\u00e7\u00e3o impulsiona investimentos em infraestrutura digital em escala global.<\/p>\n<p>Esse movimento traz \u00e0 tona o impacto energ\u00e9tico da digitaliza\u00e7\u00e3o. Organiza\u00e7\u00f5es internacionais alertam que tecnologias intensivas em dados, como a IA, t\u00eam elevado significativamente o consumo de eletricidade, refor\u00e7ando a necessidade de fontes renov\u00e1veis e de efici\u00eancia energ\u00e9tica.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/h3>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, o Brasil desponta como destino estrat\u00e9gico. O pa\u00eds oferece vantagens comparativas importantes: (i) matriz energ\u00e9tica majoritariamente renov\u00e1vel; (ii) localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica privilegiada; (iii) acesso a cabos submarinos de alta capacidade; (iv) disponibilidade de terrenos aptos a grandes instala\u00e7\u00f5es e (v) um mercado digital em r\u00e1pida expans\u00e3o. Esses fatores posicionam o Brasil de forma competitiva na disputa global por novos <em>data centers<\/em>, inclusive como refer\u00eancia em infraestrutura digital de baixo carbono.<\/p>\n<p>Apesar desse potencial, o sistema tribut\u00e1rio brasileiro atualmente representa um obst\u00e1culo \u00e0 expans\u00e3o do setor. Entre os diversos fatores considerados na escolha da localiza\u00e7\u00e3o \u2014 como, clima, conectividade, seguran\u00e7a jur\u00eddica e disponibilidade energ\u00e9tica \u2014, a carga tribut\u00e1ria \u00e9 o \u00fanico elemento sujeito \u00e0 interven\u00e7\u00e3o direta do poder p\u00fablico. Ainda assim, at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, iniciativas efetivas nesse sentido eram escassas.<\/p>\n<p>Embora a reforma tribut\u00e1ria recentemente aprovada no Brasil traga a perspectiva de um sistema tribut\u00e1rio mais simples e uniforme, com a cria\u00e7\u00e3o da Contribui\u00e7\u00e3o sobre Bens e Servi\u00e7os (CBS) e do Imposto sobre Bens e Servi\u00e7os (IBS) e a ado\u00e7\u00e3o de bases de c\u00e1lculo mais amplas, o per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o at\u00e9 2033 tende a manter um cen\u00e1rio de incerteza. Nesse contexto, ganha ainda mais relev\u00e2ncia a ado\u00e7\u00e3o de contratos bem estruturados, com descri\u00e7\u00e3o precisa das funcionalidades contratadas, segrega\u00e7\u00e3o de receitas e defini\u00e7\u00e3o clara dos servi\u00e7os prestados, como forma de mitigar riscos fiscais e assegurar maior seguran\u00e7a jur\u00eddica ao setor.<\/p>\n<p>Essa preocupa\u00e7\u00e3o se mostra especialmente importante diante das controv\u00e9rsias tribut\u00e1rias hoje existentes, como bem analisado por Luiz Roberto Peroba e Alice Marinho em artigo publicado neste <strong><span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/strong> [1].<\/p>\n<p>Segundo os autores, entre outros pontos, a diversidade de modelos contratuais envolvendo <em>colocation, cloud computing<\/em> e outros servi\u00e7os digitais prestados por <em>data centers<\/em> exige uma an\u00e1lise jur\u00eddica minuciosa quanto \u00e0 correta qualifica\u00e7\u00e3o das receitas e \u00e0 incid\u00eancia dos tributos aplic\u00e1veis, sobretudo ISS e tributos federais sobre remessas ao exterior.<\/p>\n<p>Apesar dos desafios, h\u00e1 avan\u00e7os promissores. No in\u00edcio de maio, durante evento no Vale do Sil\u00edcio, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou o Plano Nacional de <em>Data Centers<\/em>, tamb\u00e9m conhecido como Redata, iniciativa voltada a tornar o Brasil mais atrativo nesse campo estrat\u00e9gico.<\/p>\n<p>A proposta prev\u00ea a edi\u00e7\u00e3o de Medida Provis\u00f3ria ou Projeto de Lei instituindo desonera\u00e7\u00e3o de II, IPI, PIS\/Cofins sobre equipamentos de tecnologia utilizados na fase de implanta\u00e7\u00e3o dos <em>data centers<\/em>, com validade de cinco anos. A expectativa do governo \u00e9 que a medida destrave at\u00e9 R$ 2 trilh\u00f5es em aportes na pr\u00f3xima d\u00e9cada. Quando esse artigo foi elaborado, o texto n\u00e3o havia sido disponibilizado, mas houve a sinaliza\u00e7\u00e3o de que isso ocorreria em breve.<\/p>\n<p>Durante o evento, Haddad afirmou que o governo decidiu antecipar ao setor parte dos efeitos da reforma tribut\u00e1ria do consumo recentemente aprovada. Segundo ele, no que se refere aos <em>data centers<\/em>, todo investimento no Brasil ser\u00e1 desonerado, assim como a exporta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os a partir dessas estruturas.<\/p>\n<p>Embora a reforma tribut\u00e1ria de fato traga a perspectiva de um sistema mais simples e uniforme, sua implementa\u00e7\u00e3o plena est\u00e1 prevista apenas para 2033. Diante disso, h\u00e1 a necessidade de medidas imediatas. Al\u00e9m da desonera\u00e7\u00e3o sobre a aquisi\u00e7\u00e3o de equipamentos destinados aos <em>data centers<\/em>, o Redata teria, tamb\u00e9m, a previs\u00e3o de redu\u00e7\u00e3o do imposto de importa\u00e7\u00e3o sobre equipamentos de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o sem similar nacional.<\/p>\n<p>Nesse mesmo evento, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, destacou os esfor\u00e7os da cidade para se consolidar como refer\u00eancia global em infraestrutura digital. Ele mencionou o projeto Rio AI City, um <em>campus<\/em> de intelig\u00eancia artificial de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o a ser constru\u00eddo no Parque Ol\u00edmpico, que contar\u00e1 com uma capacidade energ\u00e9tica extremamente expressiva j\u00e1 na fase inicial, com previs\u00e3o de quase dobrar nos cinco anos seguintes.<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia da escala, a capacidade estimada do projeto inicial se aproxima da soma das usinas nucleares de Angra 1 e Angra 2 e est\u00e1 muito acima do padr\u00e3o observado em grandes <em>data centers<\/em> atualmente em opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O projeto dever\u00e1 transformar o Rio no maior <em>hub<\/em> de <em>data centers<\/em> da Am\u00e9rica Latina e em um dos dez maiores do mundo, atraindo empresas de tecnologia, centros de pesquisa e <em>startups<\/em> [2]. Para viabilizar essa ambi\u00e7\u00e3o, a Prefeitura aposta na infraestrutura refor\u00e7ada desde os Jogos Ol\u00edmpicos de 2016, na alta disponibilidade energ\u00e9tica, no acesso a cabos submarinos intercontinentais de baixa lat\u00eancia e em terrenos p\u00fablicos aptos a receber grandes instala\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Outra frente municipal importante \u00e9 o Porto Maravalley (Pomar), iniciativa da Prefeitura voltada \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de um polo de educa\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o do Porto Maravilha. Com o objetivo de atrair <em>startups<\/em>, centros de pesquisa e empresas de tecnologia, a Lei Municipal n\u00ba 7.000\/2021 instituiu o programa ISS Tech, que reduz a al\u00edquota do ISS de 5% para 2% para empresas do setor de tecnologia instaladas tanto no Porto Maravalley quanto no Parque Tecnol\u00f3gico da Ilha do Fund\u00e3o.<\/p>\n<p>A medida abrange atividades como, inform\u00e1tica, intermedia\u00e7\u00e3o digital, pesquisa, biotecnologia, biologia e qu\u00edmica, combinando incentivos fiscais com infraestrutura urbana para fomentar <em>hubs<\/em> de inova\u00e7\u00e3o e dados.<\/p>\n<p>No plano estadual, o Rio de Janeiro tamb\u00e9m deu um passo relevante. Em junho de 2024, entrou em vigor a Lei Estadual 10.431\/2024, que institui um regime diferenciado de tributa\u00e7\u00e3o, v\u00e1lido at\u00e9 dezembro de 2032, para empresas de infraestrutura de dados e servi\u00e7os digitais.<\/p>\n<p>O regime prev\u00ea, entre outros pontos, o diferimento do ICMS nas importa\u00e7\u00f5es de bens destinados ao ativo imobilizado dos <em>data centers<\/em>, al\u00e9m de isen\u00e7\u00e3o do imposto nas aquisi\u00e7\u00f5es de bens e mercadorias utilizados na constru\u00e7\u00e3o, amplia\u00e7\u00e3o ou moderniza\u00e7\u00e3o dessas instala\u00e7\u00f5es. Trata-se de uma medida especialmente relevante, considerando que a carga tribut\u00e1ria sobre importa\u00e7\u00f5es pode chegar a 70% em alguns casos [3].<\/p>\n<p>Esses incentivos reduzem os custos iniciais e aumentam a atratividade do Rio diante de outros mercados, consolidando-o como protagonista na corrida global por infraestrutura digital.<\/p>\n<p>No Congresso Nacional, o tema tamb\u00e9m avan\u00e7a. O Senado realiza, nos dias 21 e 28 de maio, audi\u00eancias p\u00fablicas sobre o PL 3018\/2024, que busca regulamentar os <em>data centers<\/em> voltados \u00e0 IA, com foco em seguran\u00e7a digital, prote\u00e7\u00e3o de dados e sustentabilidade. As discuss\u00f5es ocorrem em paralelo ao lan\u00e7amento do Redata pelo Poder Executivo.<\/p>\n<p>A consolida\u00e7\u00e3o do setor, por\u00e9m, depender\u00e1 da continuidade das pol\u00edticas p\u00fablicas, da estabilidade regulat\u00f3ria e da articula\u00e7\u00e3o entre os entes federativos. Mais do que uma oportunidade, o avan\u00e7o da infraestrutura digital \u00e9 uma escolha estrat\u00e9gica que pode redefinir o papel do Brasil na economia global, com protagonismo em uma nova era de dados, inova\u00e7\u00e3o e sustentabilidade. Porque o futuro come\u00e7a agora.<\/p>\n<p>[1] PEROBA, Luiz Roberto; MARINHO, Alice. <em>Controv\u00e9rsias tribut\u00e1rias sobre receitas de data centers no Brasil<\/em>. <span class=\"jota\">JOTA<\/span>, 12 mar. 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/artigos\/controversias-tributarias-sobre-receitas-de-data-centers-no-brasil\">https:\/\/www.jota.info\/artigos\/controversias-tributarias-sobre-receitas-de-data-centers-no-brasil<\/a>. Acesso em: 7 maio 2025.<\/p>\n<p>[2] PREFEITURA DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO. <em>Rio anuncia o projeto \u201cRio AI City\u201d: o maior hub de data centers da Am\u00e9rica Latina e um dos dez maiores do mundo<\/em>. 27 abr. 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/prefeitura.rio\/noticias\/rio-anuncia-o-projeto-rio-ai-city-o-maior-hub-de-data-centers-da-america-latina-e-um-dos-dez-maiores-do-mundo\/\">https:\/\/prefeitura.rio\/noticias\/rio-anuncia-o-projeto-rio-ai-city-o-maior-hub-de-data-centers-da-america-latina-e-um-dos-dez-maiores-do-mundo\/<\/a>. Acesso em: 7 maio 2025.<\/p>\n<p>[3] FRITSCH, Winston; RUIZ, Eduardo Tobias. <em>Gargalos para a expans\u00e3o dos datacenters no Brasil<\/em>. Valor Econ\u00f4mico, 25 mar\u00e7o 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/opiniao\/coluna\/gargalos-para-a-expansao-dos-datacenters-no-brasil.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/opiniao\/coluna\/gargalos-para-a-expansao-dos-datacenters-no-brasil.ghtml<\/a>. Acesso em: 8 maio 2025.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A expans\u00e3o da intelig\u00eancia artificial tem elevado os padr\u00f5es de exig\u00eancia dos data centers \u2014 ou Centros de Processamento de Dados. 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