{"id":11082,"date":"2025-05-19T06:05:44","date_gmt":"2025-05-19T09:05:44","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/05\/19\/transparencia-nas-autorizacoes-de-supressao-de-vegetacao\/"},"modified":"2025-05-19T06:05:44","modified_gmt":"2025-05-19T09:05:44","slug":"transparencia-nas-autorizacoes-de-supressao-de-vegetacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/05\/19\/transparencia-nas-autorizacoes-de-supressao-de-vegetacao\/","title":{"rendered":"Transpar\u00eancia nas Autoriza\u00e7\u00f5es de Supress\u00e3o de Vegeta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Cada vez mais o setor agropecu\u00e1rio brasileiro enfrenta uma crescente press\u00e3o global por maior rastreabilidade, legalidade e transpar\u00eancia em suas cadeias produtivas.<\/p>\n<p>Regulamenta\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais, pol\u00edticas corporativas de sustentabilidade e exig\u00eancias de investidores t\u00eam impulsionado mudan\u00e7as estruturais no modo como produtos agr\u00edcolas s\u00e3o monitorados, verificados e comercializados. A gera\u00e7\u00e3o de dados, ent\u00e3o, se torna pilar importante para garantia n\u00e3o s\u00f3 para a evolu\u00e7\u00e3o de procedimentos e como tamb\u00e9m para sua efetividade.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/h3>\n<p>Nesse contexto, a aus\u00eancia de dados acess\u00edveis e atualizados sobre Autoriza\u00e7\u00f5es de Supress\u00e3o de Vegeta\u00e7\u00e3o (ASV) \u2013 ou documentos equivalentes que atestam a legalidade de desmatamentos \u2013 se torna uma lacuna cr\u00edtica. Esses documentos, geralmente gerenciados por \u00f3rg\u00e3os estaduais, s\u00e3o uma das formas de comprova\u00e7\u00e3o da conformidade de \u00e1reas agr\u00edcolas com a legisla\u00e7\u00e3o ambiental brasileira. Entretanto, por serem de dif\u00edcil acesso, os esfor\u00e7os de verifica\u00e7\u00e3o para conformidade legal ficam estagnados.<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o padronizada das ASVs em n\u00edvel nacional traria n\u00e3o apenas benef\u00edcios para a imagem e a competitividade do agroneg\u00f3cio brasileiro, como tamb\u00e9m fortaleceria a governan\u00e7a ambiental na garantia de cumprimento da legisla\u00e7\u00e3o, quando s\u00e3o documentos que autorizam a retirada de vegeta\u00e7\u00e3o nativa em propriedades rurais dentro dos limites estabelecidos pelo C\u00f3digo Florestal, especialmente em \u00e1reas de uso alternativo do solo fora das \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente (APPs) e das Reservas Legais (RLs).<\/p>\n<p>A falta de publicidade dessas informa\u00e7\u00f5es limita n\u00e3o apenas a fiscaliza\u00e7\u00e3o por parte dos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, mas tamb\u00e9m prejudica o setor privado em seus esfor\u00e7os de avan\u00e7ar no <em>compliance<\/em> e na rastreabilidade da cadeia. No contexto atual, em que compradores internacionais, financiadores e certificadoras exigem garantias de origem, essa opacidade representa um obst\u00e1culo relevante \u00e0 competitividade da produ\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a indisponibilidade dessas autoriza\u00e7\u00f5es dificulta o enfrentamento de um dos maiores desafios do debate ambiental: distinguir com clareza o desmatamento legal do ilegal. Sem dados p\u00fablicos, a narrativa de que \u201co desmatamento \u00e9 permitido no Brasil\u201d \u2014 frequentemente utilizada como argumento para relativizar cr\u00edticas externas \u2014 carece de verifica\u00e7\u00e3o emp\u00edrica, o que compromete sua for\u00e7a argumentativa tanto em f\u00f3runs nacionais quanto internacionais.<\/p>\n<p>Transpar\u00eancia \u00e9 um elemento essencial para qualquer sistema de governan\u00e7a eficaz, seja ele p\u00fablico ou privado. No caso do Brasil, pa\u00eds que abriga a maior biodiversidade do planeta e desempenha papel central no abastecimento global de alimentos, isso torna-se uma necessidade estrat\u00e9gica.<\/p>\n<p>A publicidade das ASVs pode atuar como a\u00e7\u00e3o catalisadora de um ciclo virtuoso que envolve fortalecimento institucional, aprimoramento de pol\u00edticas p\u00fablicas e maior responsabiliza\u00e7\u00e3o dos diferentes atores envolvidos na convers\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o nativa de maneira desrespeitosa \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A simples exist\u00eancia de uma base de dados p\u00fablica e audit\u00e1vel j\u00e1 funcionaria como inibidor de pr\u00e1ticas irregulares, uma vez que seria facilmente verific\u00e1vel. Al\u00e9m disso, facilitaria o trabalho de cruzamento de informa\u00e7\u00f5es com outras bases \u2013 como CAR, Prodes, Deter etc. \u2013 para detec\u00e7\u00e3o de inconsist\u00eancias, fraudes ou padr\u00f5es de risco, algo que empresas do setor privado poderiam utilizar para aprimoramento de seus sistemas de controle e implementa\u00e7\u00e3o das estrat\u00e9gias de expans\u00e3o, verificar a compatibilidade entre produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e legalidade fundi\u00e1ria, e direcionar recursos de forma mais eficiente para o cumprimento de compromissos ESG e de desmatamento zero.<\/p>\n<p>Empresas exportadoras e compradores internacionais t\u00eam se mobilizado para comprovar que a soja brasileira n\u00e3o est\u00e1 associada a desmatamento ilegal, isto face a exig\u00eancia de mercado global. No entanto, essa tarefa torna-se quase imposs\u00edvel sem uma base p\u00fablica, abrangente e atualizada de ASVs.<\/p>\n<p>Do ponto de vista da formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, a sistematiza\u00e7\u00e3o dessas informa\u00e7\u00f5es permitiria um monitoramento mais preciso da atua\u00e7\u00e3o dos estados na gest\u00e3o ambiental. Hoje, o governo federal tem dificuldades para avaliar a efetividade da aplica\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o ambiental nos entes federativos, justamente pela aus\u00eancia de dados padronizados e integrados.<\/p>\n<p>Num cen\u00e1rio perfeito, seria poss\u00edvel identificar as unidades da federa\u00e7\u00e3o com maior incid\u00eancia de supress\u00f5es autorizadas, avaliar o volume de \u00e1reas sob uso alternativo do solo e monitorar tend\u00eancias que possam demandar respostas espec\u00edficas, como zonas de press\u00e3o por expans\u00e3o agr\u00edcola. Seria tamb\u00e9m poss\u00edvel atuar no refor\u00e7o \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o, aprimoramento tecnol\u00f3gico de sistemas de monitoramento e otimiza\u00e7\u00e3o dos esfor\u00e7os das Secretarias Estaduais de Meio Ambiente.<\/p>\n<p>Maior transpar\u00eancia tamb\u00e9m contribuiria para qualificar o debate p\u00fablico, muitas vezes capturado por polariza\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas ou por argumentos n\u00e3o fundamentados. Em um cen\u00e1rio onde h\u00e1 grande controv\u00e9rsia sobre a propor\u00e7\u00e3o de desmatamento legal e ilegal, o acesso a dados oficiais confi\u00e1veis \u00e9 fundamental para trazer racionalidade, precis\u00e3o t\u00e9cnica e credibilidade \u00e0s discuss\u00f5es \u2014 tanto no Brasil quanto no exterior.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o soj\u00edcola no Brasil, especialmente no bioma Cerrado, tem sido um dos principais vetores de press\u00e3o internacional por maior rastreabilidade e comprova\u00e7\u00e3o de legalidade ambiental. Em 2023\/24, o Brasil plantou aproximadamente 45 milh\u00f5es de hectares de soja, dos quais cerca de 60% est\u00e3o localizados no cerrado, segundo dados da Conab e de mapeamentos por sensoriamento remoto. Esse bioma, por ainda possuir mais de 50% de vegeta\u00e7\u00e3o nativa e estar no centro da expans\u00e3o agr\u00edcola recente, tem atra\u00eddo a aten\u00e7\u00e3o de reguladores, consumidores e institui\u00e7\u00f5es financeiras globais.<\/p>\n<p>Em <a href=\"https:\/\/abiove.org.br\/esg\/iniciativas\/monitoramento-do-cerrado\/\">estudo publicado no site da Abiove<\/a>, temos que aproximadamente 96% da expans\u00e3o da soja na safra 2022\/23 no cerrado ocorreu em \u00e1reas j\u00e1 antropizadas, ou seja, sem supress\u00e3o recente de vegeta\u00e7\u00e3o nativa. Apenas 4% da expans\u00e3o ocorreu sobre \u00e1reas conversa\u00e7\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o, e, dessas, uma parcela relevante apresenta CAR ativo e regular perante o C\u00f3digo Florestal.<\/p>\n<p>No entanto, a aus\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es p\u00fablicas sobre as ASVs impede a confirma\u00e7\u00e3o objetiva da legalidade desses casos e compromete a capacidade de valida\u00e7\u00e3o externa, inclusive por parte de iniciativas privadas de monitoramento e verifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa lacuna de dados se torna ainda mais cr\u00edtica diante de estudos como o <a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.aba6646\">publicado na revista Science<\/a>, intitulado \u201cThe Rotten Apples of Brazil\u2019s Agribusiness\u201d, liderado por Raoni Raj\u00e3o. O artigo afirma que entre 20% e 25% da soja produzida no cerrado pode estar associada a algum grau de irregularidade fundi\u00e1ria ou ambiental, incluindo desmatamento ilegal. Embora o estudo tenha sido contestado por entidades do setor, faltam dados p\u00fablicos que permitam uma resposta t\u00e9cnica e precisa a essas alega\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Nesse contexto, o cerrado \u00e9 emblem\u00e1tico: trata-se do bioma mais pressionado pela expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola e, ao mesmo tempo, o mais exposto \u00e0 aus\u00eancia de mecanismos p\u00fablicos e estruturados de transpar\u00eancia ambiental. A cria\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o de uma base nacional de ASV, georreferenciada, interoper\u00e1vel e acess\u00edvel, seria uma resposta concreta e tecnicamente vi\u00e1vel a esse desafio.<\/p>\n<p>Diante destes desafios, mas tamb\u00e9m oportunidades, \u00e9 urgente que tanto o poder p\u00fablico quanto o setor privado adotem medidas concretas para fortalecimento da transpar\u00eancia ambiental no Brasil, com foco especial na publicidade das ASVs e\/ou documentos equivalentes.<\/p>\n<p>E n\u00e3o apenas deixar p\u00fablico, mas garantir que o uso do dado seja eficiente, por meio da padroniza\u00e7\u00e3o deste documento em todas as esferas estaduais; e viabilizar o cruzamento com outras bases, em especial, o CAR, assim garantindo a possibilidade de vincular esta informa\u00e7\u00e3o \u00e0s propriedades rurais de forma que as empresas do setor privado possam fazer a verifica\u00e7\u00e3o adequada; considerando-se, inclusive, a crescente demanda internacional por cadeias produtivas livres de desmatamento, combinada com o avan\u00e7o de legisla\u00e7\u00f5es alien\u00edgenas.<\/p>\n<p>O setor soj\u00edcola pode ser um dos primeiros a puxar essa agenda, mas os benef\u00edcios da medida se estenderiam a diversas outras cadeias agropecu\u00e1rias e florestais. Trata-se, portanto, de uma a\u00e7\u00e3o transversal, que pode pavimentar o caminho para um novo ciclo de governan\u00e7a ambiental no pa\u00eds, com mais transpar\u00eancia, confian\u00e7a e competitividade.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cada vez mais o setor agropecu\u00e1rio brasileiro enfrenta uma crescente press\u00e3o global por maior rastreabilidade, legalidade e transpar\u00eancia em suas cadeias produtivas. Regulamenta\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais, pol\u00edticas corporativas de sustentabilidade e exig\u00eancias de investidores t\u00eam impulsionado mudan\u00e7as estruturais no modo como produtos agr\u00edcolas s\u00e3o monitorados, verificados e comercializados. A gera\u00e7\u00e3o de dados, ent\u00e3o, se torna [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11082"}],"collection":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11082"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11082\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11082"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11082"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11082"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}