{"id":10579,"date":"2025-04-26T04:34:44","date_gmt":"2025-04-26T07:34:44","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/04\/26\/a-responsabilidade-das-clinicas-e-planos-de-saude-na-garantia-do-direito-dos-pacientes\/"},"modified":"2025-04-26T04:34:44","modified_gmt":"2025-04-26T07:34:44","slug":"a-responsabilidade-das-clinicas-e-planos-de-saude-na-garantia-do-direito-dos-pacientes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/04\/26\/a-responsabilidade-das-clinicas-e-planos-de-saude-na-garantia-do-direito-dos-pacientes\/","title":{"rendered":"A responsabilidade das cl\u00ednicas e planos de sa\u00fade na garantia do direito dos pacientes"},"content":{"rendered":"<p><span><span>Quantas vezes um paciente se v\u00ea diante de um dilema cruel: confiar que seu plano de sa\u00fade ou a cl\u00ednica onde busca atendimento cumprir\u00e3o sua parte ou preparar-se para o risco de ser deixado \u00e0 pr\u00f3pria sorte? Infelizmente, epis\u00f3dios como os recentes julgamentos do Tribunal de Justi\u00e7a de Goi\u00e1s (TJGO) e do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) mostram que essa d\u00favida n\u00e3o \u00e9 infundada. Em ambos os casos, pacientes foram prejudicados por decis\u00f5es administrativas arbitr\u00e1rias, que ignoraram sua vulnerabilidade e impuseram barreiras ao direito fundamental \u00e0 sa\u00fade. Felizmente, a Justi\u00e7a tem dado sinais claros de que n\u00e3o tolera esse tipo de conduta.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>No caso julgado pelo TJGO, uma idosa com problemas renais enfrentou n\u00e3o apenas a ang\u00fastia da doen\u00e7a, mas tamb\u00e9m a frustra\u00e7\u00e3o de ter sua cirurgia cancelada duas vezes. Um desses cancelamentos ocorreu sem aviso pr\u00e9vio, por um erro documental da cl\u00ednica. A decis\u00e3o do tribunal reafirmou que cl\u00ednicas privadas possuem responsabilidade objetiva, ou seja, devem responder pelos danos que causam independentemente de dolo ou culpa. O que est\u00e1 em jogo n\u00e3o \u00e9 apenas o preju\u00edzo financeiro da paciente, mas sua dignidade e seguran\u00e7a. \u00c9 aceit\u00e1vel que um hospital, cuja miss\u00e3o deveria ser salvar vidas, trate com tamanha neglig\u00eancia algu\u00e9m que busca atendimento?<\/span><\/span><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/saude?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_saude_q2&amp;utm_id=cta_texto_saude_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_saude&amp;utm_term=cta_texto_saude_meio_materias\"><span>Com not\u00edcias da Anvisa e da ANS, o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Sa\u00fade entrega previsibilidade e transpar\u00eancia para empresas do setor<\/span><\/a><\/h3>\n<p><span><span>J\u00e1 no julgamento do STJ, no Recurso Especial n\u00ba 1.106.789, a luta foi contra um plano de sa\u00fade que se recusou a cobrir uma cirurgia bari\u00e1trica essencial para a sa\u00fade da paciente, alegando que o contrato n\u00e3o previa expressamente o procedimento. O tribunal, no entanto, foi categ\u00f3rico ao afirmar que cl\u00e1usulas gen\u00e9ricas devem ser interpretadas sempre em favor do consumidor, especialmente quando o procedimento tem recomenda\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e finalidade terap\u00eautica. A negativa de um tratamento essencial pode ser apenas um n\u00famero em uma planilha de custos para um plano de sa\u00fade, mas para o paciente pode significar o agravamento de sua condi\u00e7\u00e3o, sofrimento e, em casos mais extremos, a morte.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>A decis\u00e3o refor\u00e7a a aplica\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor nos contratos de plano de sa\u00fade e demonstra que cl\u00e1usulas amb\u00edguas devem ser interpretadas em favor do consumidor, principalmente quando envolvem a preserva\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e da vida. O Tribunal tamb\u00e9m considerou que a tese firmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Tema 123 da Repercuss\u00e3o Geral \u2014 que trata dos limites da atua\u00e7\u00e3o judicial sobre as coberturas \u2014 n\u00e3o impede a interven\u00e7\u00e3o quando houver recomenda\u00e7\u00e3o m\u00e9dica comprovada e necessidade terap\u00eautica.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>O avan\u00e7o da jurisprud\u00eancia sobre esses casos demonstra uma tend\u00eancia cada vez mais consolidada de prote\u00e7\u00e3o ao paciente. A negativa baseada em cl\u00e1usulas gen\u00e9ricas ou em alega\u00e7\u00f5es de exclus\u00e3o est\u00e9tica tem sido cada vez mais recha\u00e7ada pelo Judici\u00e1rio, especialmente quando est\u00e1 claro que o procedimento prescrito tem car\u00e1ter m\u00e9dico, e n\u00e3o meramente est\u00e9tico. Esse entendimento refor\u00e7a que o direito \u00e0 sa\u00fade n\u00e3o pode ser relativizado por interesses econ\u00f4micos. Mais do que uma simples rela\u00e7\u00e3o contratual, est\u00e1 em jogo a dignidade humana e o acesso a tratamentos essenciais.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>Essas decis\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o apenas al\u00edvio para os pacientes envolvidos, mas um alerta para todo o setor da sa\u00fade. Se por um lado as operadoras de planos de sa\u00fade insistem em restringir tratamentos com base em brechas contratuais, por outro, cl\u00ednicas e hospitais n\u00e3o podem transferir para os pacientes as consequ\u00eancias de sua desorganiza\u00e7\u00e3o. A jurisprud\u00eancia vem avan\u00e7ando na constru\u00e7\u00e3o de um entendimento mais justo e humano, colocando a vida e a sa\u00fade das pessoas acima de burocracias e interesses comerciais.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>O recado do Judici\u00e1rio \u00e9 claro: a sa\u00fade n\u00e3o pode ser tratada como um servi\u00e7o qualquer. N\u00e3o \u00e9 uma mercadoria que pode ser negociada conforme a conveni\u00eancia financeira de empresas ou a capacidade administrativa de institui\u00e7\u00f5es. Os consumidores, por sua vez, devem estar atentos, informados e dispostos a exigir seus direitos. A busca pela Justi\u00e7a, em casos de abusos, n\u00e3o apenas repara danos individuais, mas contribui para que o setor de sa\u00fade seja cada vez mais responsabilizado e compelido a agir com \u00e9tica e efici\u00eancia.<\/span><\/span><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias?utm_source=jota&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=23-09-2024-jota-lp-eleicoes-2024-eleicoes-2024-none-audiencias-none&amp;utm_content=eleicoes-2024&amp;utm_term=none\"><span>Assine gratuitamente a newsletter \u00daltimas Not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> e receba as principais not\u00edcias jur\u00eddicas e pol\u00edticas do dia no seu email<\/span><\/a><\/h3>\n<p><span><span>O direito \u00e0 sa\u00fade \u00e9 um direito de todos. E qualquer tentativa de neg\u00e1-lo deve encontrar resist\u00eancia \u2014 dos tribunais, da sociedade e, sobretudo, de cada paciente que se recusa a aceitar menos do que o atendimento digno que merece.<\/span><\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quantas vezes um paciente se v\u00ea diante de um dilema cruel: confiar que seu plano de sa\u00fade ou a cl\u00ednica onde busca atendimento cumprir\u00e3o sua parte ou preparar-se para o risco de ser deixado \u00e0 pr\u00f3pria sorte? 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