{"id":10441,"date":"2025-04-23T19:15:54","date_gmt":"2025-04-23T22:15:54","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/04\/23\/disputa-comercial-eua-x-china-efeitos-sobre-a-embraer-para-alem-da-bolsa\/"},"modified":"2025-04-23T19:15:54","modified_gmt":"2025-04-23T22:15:54","slug":"disputa-comercial-eua-x-china-efeitos-sobre-a-embraer-para-alem-da-bolsa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/04\/23\/disputa-comercial-eua-x-china-efeitos-sobre-a-embraer-para-alem-da-bolsa\/","title":{"rendered":"Disputa comercial EUA x China: efeitos sobre a Embraer para al\u00e9m da Bolsa"},"content":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos dias, quem ligou a TV, leu sites de not\u00edcias ou abriu as redes sociais certamente se deparou com os desdobramentos do tarifa\u00e7o entre China e Estados Unidos. A tens\u00e3o ganhou nova escala no \u00faltimo dia 15, quando a Bloomberg noticiou que a China suspenderia as entregas de jatos da Boeing \u2014 uma decis\u00e3o que atingiria diretamente o maior exportador industrial dos Estados Unidos, com impacto sens\u00edvel sobre toda a cadeia aeroespacial global. O governo chin\u00eas n\u00e3o confirmou a informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pouco depois, a m\u00eddia nacional repercutiu a not\u00edcia com destaque para a valoriza\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es da Embraer e da Airbus, sugerindo que essas empresas poderiam se beneficiar diretamente da suspens\u00e3o imposta \u00e0 Boeing.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/h3>\n<p>Essa leitura imediata \u2014 \u201cBoeing perde, Embraer e Airbus ganham\u201d \u2014 parece \u00f3bvia \u00e0 primeira vista. Mas a complexidade deste setor no mercado globalizado (com cadeias produtivas globais) e a especial estrutura\u00e7\u00e3o de cada uma destas corpora\u00e7\u00f5es instala reflex\u00f5es mais profundas que merecem ser consideradas.<\/p>\n<h3>Airbus: uma empresa europeia, n\u00e3o apenas francesa<\/h3>\n<p>A Airbus \u00e9 uma corpora\u00e7\u00e3o europeia com sede legal nos Pa\u00edses Baixos, sede operacional em Toulouse, na Fran\u00e7a, e forte presen\u00e7a industrial na Alemanha, na Espanha, no Reino Unido e na Fran\u00e7a. Dentre seus principais acionistas est\u00e3o os governos franc\u00eas (10,83%), alem\u00e3o (10,82%) e espanhol (4,08%).<\/p>\n<p>Essa estrutura multinacional \u00e9 essencial para entender seu papel geopol\u00edtico \u2014 principalmente em contextos de tens\u00f5es comerciais. Consider\u00e1-la como \u201cfrancesa\u201d pode parecer um detalhe, mas isso afeta significativamente a compreens\u00e3o sobre como seus v\u00ednculos comerciais e produtivos se desenvolvem, como funciona a sua governan\u00e7a e, por consequ\u00eancia, como se d\u00e3o as rea\u00e7\u00f5es e efeitos em situa\u00e7\u00f5es como esta.<\/p>\n<h3>Embraer: muito mais do que uma \u2018montadora\u2019<\/h3>\n<p>Outro ponto que merece aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o alcance da opera\u00e7\u00e3o da Embraer, por vezes considerada mera \u201cmontadora brasileira\u201d. A Embraer n\u00e3o apenas monta aeronaves \u2014 ela projeta, desenvolve, certifica e industrializa seus pr\u00f3prios produtos. Com atua\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas comercial, executiva, militar e de servi\u00e7os, \u00e9 refer\u00eancia mundial na avia\u00e7\u00e3o regional.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise dos efeitos do tarifa\u00e7o do Trump no setor pressup\u00f5e, portanto, evitar simplifica\u00e7\u00f5es que, na tentativa de facilitar a leitura, reduzem a complexidade e o papel estrat\u00e9gico que a empresa brasileira ocupa globalmente.<\/p>\n<h3>Embraer vs Boeing: categorias diferentes<\/h3>\n<p>Outro ponto cr\u00edtico que vem sendo noticiado \u00e9 a ideia de que a Embraer possa ocupar o espa\u00e7o deixado pela Boeing na China.<\/p>\n<p>A Boeing fornece, principalmente, a aeronave 737 MAX, com capacidade para 150 a 210 passageiros \u2014 aeronaves chamadas de<em> narrowbody,<\/em> de alcance m\u00e9dio. J\u00e1 a Embraer atua no segmento de jatos regionais, com capacidade entre 70 e 130 lugares.<\/p>\n<p>S\u00e3o categorias de produto distintas, para rotas, perfis de passageiros e estruturas operacionais diferentes. Tanto \u00e9 que a pr\u00f3pria Boeing j\u00e1 tentou adquirir a divis\u00e3o comercial da Embraer anos atr\u00e1s \u2014 justamente porque reconhecia a complementaridade e n\u00e3o a concorr\u00eancia direta entre suas linhas.<\/p>\n<p>Ainda assim, sob a \u00f3tica econ\u00f4mica, vale reconhecer que, em cen\u00e1rios de oferta restrita, agentes de mercado podem considerar substitutos imperfeitos para mitigar impactos. No entanto, esta substitui\u00e7\u00e3o \u00e9 limitada e envolve desafios operacionais, log\u00edsticos e regulat\u00f3rios que dificilmente se resolvem em curto prazo \u2013 especialmente no setor aeroespacial.<\/p>\n<h3>A China vai recorrer \u00e0 Embraer e \u00e0 Airbus? Expectativa desconectada da realidade<\/h3>\n<p>Tem-se falado sobre a possibilidade de a China suprir suas necessidades internas recorrendo \u00e0 Airbus e \u00e0 Embraer. Esta expectativa, por\u00e9m, desconsidera limita\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e operacionais significativas do setor.<\/p>\n<p>A Airbus j\u00e1 tem sua produ\u00e7\u00e3o comprometida com entregas planejadas para anos. A Embraer n\u00e3o compete diretamente com o 737. Em ambos os casos, expandir a produ\u00e7\u00e3o de aeronaves n\u00e3o \u00e9 uma decis\u00e3o simples, implement\u00e1vel de imediato. Pressup\u00f5e anos de planejamento, organiza\u00e7\u00e3o da cadeia produtiva, busca de certifica\u00e7\u00f5es, contratos com fornecedores, revis\u00e3o e estrutura\u00e7\u00e3o de contratos e todo um processo complexo de engenharia.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese: o setor aeroespacial n\u00e3o se adapta com rapidez a choques de mercado. Ele \u00e9 planejado, integrado e altamente regulado. Essa \u00e9 uma das principais raz\u00f5es pelas quais an\u00e1lises sobre os efeitos de medidas como a guerra comercial entre EUA e China devem ser feitas com cautela e muita aten\u00e7\u00e3o a caracter\u00edsticas do setor, do mercado e dos operadores especificamente envolvidos em cada medida anunciada pelos governos.<\/p>\n<p>An\u00e1lises econ\u00f4micas sobre medidas protecionistas n\u00e3o podem ser feitas hoje como eram d\u00e9cadas atr\u00e1s. Falar sobre os poss\u00edveis efeitos de uma guerra comercial desta magnitude em economias e mercados globalizados, em setores altamente regulados e t\u00e9cnica e operacionalmente complexos merecem especial cautela. Sobretudo porque narrativas simplificadas podem distorcer percep\u00e7\u00f5es p\u00fablicas \u2014 a influenciar rea\u00e7\u00f5es e\/ou medidas igualmente simplificadas.<\/p>\n<p>Narrativas do tipo \u201co problema de um \u00e9 a oportunidade do outro\u201d neste cen\u00e1rio s\u00e3o perigosas. A realidade \u00e9 mais complexa \u2014 e, muitas vezes, a l\u00f3gica bin\u00e1ria dos ganhos e perdas pode ser t\u00e3o \u00f3bvia quanto equivocada.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o da China em suspender compras da Boeing \u00e9, sem d\u00favida, relevante. Mas o setor aeroespacial n\u00e3o responde como outros mercados. Ele \u00e9 lento, regulado, de alta complexidade t\u00e9cnica e opera sob gargalos severos. N\u00e3o se trata de simplesmente \u201cpassar a demanda adiante\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que uma leitura cr\u00edtica, cautelosa e t\u00e9cnica sobre medidas de interven\u00e7\u00e3o estatal \u00e9 necess\u00e1ria, especialmente quando as manchetes v\u00eam carregadas de interpreta\u00e7\u00f5es simplificadas.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos dias, quem ligou a TV, leu sites de not\u00edcias ou abriu as redes sociais certamente se deparou com os desdobramentos do tarifa\u00e7o entre China e Estados Unidos. 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