{"id":10049,"date":"2025-04-07T13:39:34","date_gmt":"2025-04-07T16:39:34","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/04\/07\/dormindo-com-o-inimigo-resistir-para-existir\/"},"modified":"2025-04-07T13:39:34","modified_gmt":"2025-04-07T16:39:34","slug":"dormindo-com-o-inimigo-resistir-para-existir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/04\/07\/dormindo-com-o-inimigo-resistir-para-existir\/","title":{"rendered":"Dormindo com o inimigo: resistir para existir"},"content":{"rendered":"<p><span>A viol\u00eancia contra a mulher \u00e9 um dos crimes mais cru\u00e9is, pois o algoz n\u00e3o apenas fica \u00e0 espreita, como, muitas vezes, divide a cama com a v\u00edtima. Aquele que amea\u00e7a, bate, persegue, abusa e manipula, \u00e9 o companheiro que busca os filhos na escola e coleciona fotos de tempos felizes no porta-retrato da sala. <\/span><\/p>\n<p><span>As mulheres foram ensinadas a n\u00e3o reclamar, a n\u00e3o se expor, a se \u201cpreservar\u201d perante a sociedade. N\u00e3o \u00e0 toa o assunto ainda \u00e9 um tabu nas fam\u00edlias. S\u00e3o poucas as que t\u00eam coragem de reconhecer o pr\u00f3prio sofrimento e um grupo ainda mais \u00ednfimo aceita tornar sua luta p\u00fablica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Por isso, a jornada da v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica \u00e9 marcada por julgamentos, vergonha e incredulidade. Segundo o Datasenado, 27% das brasileiras, ou seja, mais de 28 milh\u00f5es de mulheres, j\u00e1 sofreram com esse tipo de crime. Mas, mesmo assim, ainda \u00e9 dif\u00edcil falar do assunto. E se n\u00e3o falamos, n\u00e3o h\u00e1 luz, n\u00e3o h\u00e1 pol\u00edtica p\u00fablica, n\u00e3o h\u00e1 mudan\u00e7a.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Uma das mulheres que resolveu sair das sombras e transformar seu sofrimento em uma bandeira foi a auditora-fiscal da Receita Federal, Marielle Dornelas. Gra\u00e7as \u00e0 coragem de tornar p\u00fablica a viol\u00eancia dom\u00e9stica que sofria, ela foi a primeira servidora a conseguir remo\u00e7\u00e3o de cidade com base na <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/lei-maria-da-penha\">Lei Maria da Penha<\/a>. <\/span><\/p>\n<p><span>Sua luta foi abra\u00e7ada pelo Sindicato dos Auditores-Fiscais da Receita Federal ( Sindifisco Nacional) e, em agosto de 2023, o secret\u00e1rio Robinson Barreirinhas assinou a Portaria RFB 340\/2023, assegurando a todos os servidores o direito de remo\u00e7\u00e3o para garantir sua seguran\u00e7a e de seus familiares, em situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia.<\/span><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/h3>\n<p><span>O caso sensibilizou minist\u00e9rios, parlamentares e coletivos, at\u00e9 chegar \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, que assinou, recentemente, um parecer garantindo a remo\u00e7\u00e3o em car\u00e1ter priorit\u00e1rio para servidoras federais v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica, o JM 07\/2024. <\/span><\/p>\n<p><span>Foi preciso expor a situa\u00e7\u00e3o vivida por Marielle, foi preciso que ela aguardasse seis anos para ter o direito de manter o seu emprego e sair de sua cidade. Por sorte, apoio e muita garra, ela viveu para contar a hist\u00f3ria e mudar a legisla\u00e7\u00e3o. Infelizmente, esse n\u00e3o \u00e9 o caso de milhares de mulheres.<\/span><\/p>\n<p><span>Segundo relat\u00f3rio publicado pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica (FBSP), o Brasil registrou 1.463 casos de feminic\u00eddio em 2024 \u2013 ou seja, cerca de 1 morte a cada 6 horas. Os dados nos revelam que \u00e9 urgente escalar essa decis\u00e3o para servidoras municipais, estaduais e trabalhadoras da iniciativa privada.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Segundo a doutora em Antropologia e pesquisadora, Rita Segato, a sociedade entende o crime contra a mulher como um crime menor. Por isso, \u00e9 fundamental enfrentar a quest\u00e3o de frente, entender que o depoimento da v\u00edtima faz diferen\u00e7a e que as suas provas nem sempre ser\u00e3o f\u00edsicas, at\u00e9 porque, quando se tornam, \u00e0s vezes \u00e9 tarde demais.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Al\u00e9m de discutir pol\u00edticas que diminuam o n\u00famero de mortes de mulheres por feminic\u00eddio, tamb\u00e9m precisamos falar sobre o espa\u00e7o das mulheres em posi\u00e7\u00f5es de poder. A representatividade \u00e9 essencial para se pensar e implementar pol\u00edticas amplas, que respeitem e levem em considera\u00e7\u00e3o a realidade das mulheres brasileiras, sejam elas servidoras, trabalhadoras da iniciativa privada ou donas de casa.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>H\u00e1 muito o que mudar, mas tamb\u00e9m somos muitas, e nossa uni\u00e3o tem poder transformador.\u00a0<\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A viol\u00eancia contra a mulher \u00e9 um dos crimes mais cru\u00e9is, pois o algoz n\u00e3o apenas fica \u00e0 espreita, como, muitas vezes, divide a cama com a v\u00edtima. Aquele que amea\u00e7a, bate, persegue, abusa e manipula, \u00e9 o companheiro que busca os filhos na escola e coleciona fotos de tempos felizes no porta-retrato da sala. 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